Nova portaria regulamenta pesca artesanal de camarão no Complexo Lagunar
Uma portaria assinada pelos Ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente e Mudança do Clima regulamenta a pesca artesanal do camarão-rosa e do camarão-branco no Complexo Lagunar Sul de Santa Catarina. A medida foi apresentada à comunidade pesqueira durante um encontro realizado na Câmara de Vereadores de Laguna.
A nova regulamentação estabelece regras para o ordenamento, o registro dos pescadores e o monitoramento da atividade. A medida atende a uma reivindicação histórica da categoria e foi construída ao longo de mais de 20 anos, com a participação de pescadores, entidades representativas, pesquisadores, órgãos públicos e instituições ligadas ao setor.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o secretário de Pesca e Agricultura de Laguna, Abdon de Oliveira Vieira, destacou a importância da medida para a região. “Nós temos aqui em Laguna a maior comunidade pesqueira artesanal do estado de Santa Catarina. Essa regulamentação estabelece normas gerais para o ordenamento, o registro das pessoas e o monitoramento da pesca artesanal do camarão-rosa e do camarão-branco”, explicou.
Segundo o secretário, a estimativa é de que entre 2 mil e 3 mil famílias estejam ligadas direta ou indiretamente à atividade. O processo envolve os municípios de Laguna, Pescaria Brava, Imaruí, Imbituba e Jaguaruna.
Cadastramento dos pescadores já começou
Com a publicação da portaria, teve início uma nova etapa do processo: o cadastramento dos pescadores.
De acordo com Abdon, o levantamento já está sendo realizado nas comunidades e cerca de 250 pessoas já foram cadastradas.
Para participar, é necessário preencher um formulário e apresentar documentos como comprovante de residência, documento de identificação e o Registro Geral da Pesca (RGP) atualizado. “O pescador precisa preencher o formulário e levar os documentos, como comprovante de residência e o Registro Geral da Pesca. É importante que essa carteira esteja atualizada. Às vezes, a pessoa chega com uma carteira de pesca de 2006. Ela precisa atualizar o registro para participar do processo”, explicou o secretário.
Após o preenchimento e a assinatura dos documentos, as informações serão encaminhadas à Superintendência Federal da Pesca em Santa Catarina, responsável pela análise dos cadastros.
Regulamentação foi construída com participação da comunidade
A regulamentação da pesca do camarão foi construída ao longo de anos de reuniões e discussões com a comunidade pesqueira.
O processo contou com a participação do Fórum da Pesca Artesanal do Complexo Lagunar Sul de Santa Catarina, que reúne representantes dos municípios envolvidos.
Para Abdon, a construção coletiva é um dos principais pontos da nova regulamentação. “Esse é um processo que vem sendo construído há mais de 20 anos por várias entidades. Ele foi feito na base, com reuniões nas comunidades e a participação dos representantes dos pescadores”, afirmou.
Além de organizar a atividade, a nova regulamentação tem como objetivo preservar as espécies e garantir a sustentabilidade da pesca.
As regras também devem definir os equipamentos e as modalidades permitidas, incluindo critérios relacionados aos petrechos utilizados e ao tamanho das malhas. A fiscalização deverá acompanhar o cumprimento das normas. “Do ponto de vista ambiental, o objetivo é manter a população de camarões e garantir que exista disponibilidade do recurso. Também será necessário respeitar as modalidades e os petrechos permitidos, porque a fiscalização vai observar, por exemplo, o tamanho da malha e os equipamentos utilizados”, explicou Abdon.
Segundo o secretário, a regulamentação também tem impacto social e econômico, já que a cadeia produtiva envolve não apenas os pescadores, mas também familiares e trabalhadores que atuam no beneficiamento e na comercialização do camarão. “A pesca não envolve apenas o pescador. Existe toda uma cadeia produtiva. Muitas mulheres participam da limpeza e do beneficiamento do camarão. É uma atividade que precisa ser vista do ponto de vista econômico, social e ambiental”, destacou.
Para Abdon, o ordenamento pode ajudar a preservar o recurso pesqueiro e, ao mesmo tempo, fortalecer uma atividade que faz parte da história e da economia de diversas comunidades do Sul de Santa Catarina. “O planejamento ajuda a evitar decisões tomadas apenas em situações de emergência. Eu vejo esse processo de forma positiva porque ele foi construído com a participação da base, dos próprios pescadores e das comunidades”, concluiu.
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