Banco de Leite de Criciúma chega a ter apenas 500 ml para alimentar prematuros e faz apelo urgente por doações
O Banco de Leite Humano Dr. Dino Gorini, do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, em Criciúma, enfrenta uma situação preocupante e faz um apelo urgente por novas doadoras. Na última semana, a unidade chegou a ter apenas 500 mililitros de leite materno disponíveis para atender os bebês internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. A falta de leite só foi evitada porque uma remessa de 13 litros, que aguardava os resultados de exames microbiológicos, foi liberada para consumo. Nesta terça-feira (20), o estoque voltou a ficar abaixo de seis litros.
A enfermeira Karolyne Sebastião, supervisora e responsável técnica do Banco de Leite, especialista em aleitamento materno e estomaterapia, confirmou a preocupação da equipe. Segundo ela, a unidade utiliza aproximadamente dez litros de leite materno por semana, embora a quantidade varie conforme as necessidades dos recém-nascidos internados.
“Estamos com muita demanda de leite na UTI e com poucas doadoras ativas”, afirmou Karolyne.
A situação mais crítica ocorreu no dia 14 de outubro, quando restavam apenas 500 ml. Conforme a enfermeira, o hospital conseguiu evitar a falta de leite após a liberação dos resultados da análise microbiológica de uma remessa que já havia passado pelo processo de pasteurização.
“Semana passada sobrou apenas 500 ml”, relatou. A profissional explicou que a liberação de outros 13 litros naquele dia permitiu manter a alimentação dos bebês.
Mesmo com a chegada dessa quantidade, o estoque voltou a diminuir rapidamente. “Eu estou agora com menos de 6 litros”, informou Karolyne nesta terça-feira.
A responsável técnica também confirmou que existe risco de faltar leite materno para os recém-nascidos. Segundo ela, os bebês extremamente prematuros e de baixo peso recebem leite humano pasteurizado, enquanto as fórmulas infantis são utilizadas apenas nos casos em que as condições clínicas permitem.
Atualmente, o Banco de Leite conta com 69 doadoras ativas. Entretanto, mais da metade mora fora de Criciúma, o que representa uma dificuldade para o recebimento das doações.
Karolyne explicou que, nesses municípios, o recolhimento depende das secretarias municipais de Saúde. Já em Criciúma, o serviço conta com um motoboy que busca o leite diretamente na residência das mães.
Não é preciso doar grandes quantidades para ajudar
Uma das principais orientações é que as mães não precisam produzir grandes quantidades de leite para contribuir. Mesmo pequenas doações podem fazer diferença na alimentação dos recém-nascidos que dependem do Banco de Leite.
Mulheres que estão amamentando e possuem leite excedente podem procurar a unidade para receber orientações sobre como doar. A contribuição não precisa ocorrer diariamente, desde que sejam respeitados os cuidados de higiene, armazenamento e transporte.
Segundo Karolyne, o procedimento para se tornar doadora é simples. A mãe entra em contato com o Banco de Leite, informa que possui leite disponível e fornece nome, telefone e endereço. Também pode solicitar a quantidade de frascos vazios necessária para armazenar o leite.
Depois desse contato, a equipe organiza o recolhimento. Em Criciúma, a coleta é feita na casa da doadora. Nos demais municípios, o serviço depende das secretarias de Saúde.
As interessadas podem entrar em contato pelo WhatsApp (48) 98849-6636 ou pelo Instagram @bancodeleitecriciuma.
Leite doado passa por rigoroso controle de qualidade
Karolyne também destacou a importância dos cuidados necessários para garantir que o leite doado chegue em condições adequadas aos bebês.
O Banco de Leite Humano Dr. Dino Gorini segue critérios de segurança, antes de ser oferecido aos recém-nascidos, o leite passa por pasteurização e análises microbiológicas. Somente após a liberação dos resultados é considerado apto para consumo.
Foi justamente esse procedimento que permitiu evitar a falta de leite no dia 14 de outubro, quando uma remessa de 13 litros foi liberada após a conclusão dos exames.
Atendimento vai além da doação de leite
Além de receber, analisar e preparar o leite materno, o Banco de Leite do Hospital Santa Catarina oferece acompanhamento especializado às mulheres durante todo o período de amamentação.
De acordo com Karolyne, a unidade conta com uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, obstetrícia e pediatria.
“Entre os atendimentos oferecidos estão orientações e tratamentos para dificuldades comuns nesse período, como mastite, candidíase mamária e fissuras nos mamilos. Conforme a necessidade de cada paciente, a equipe utiliza recursos como laserterapia e bandagens terapêuticas. Quando necessário, há avaliação médica para prescrição de medicamentos”, ressaltou.
A profissional explicou ainda que a fonoaudiologia realiza avaliações para identificar possíveis alterações na língua dos bebês, como a chamada língua presa, que pode dificultar a amamentação.
Outro serviço oferecido é o acompanhamento de mães de bebês adotados que desejam amamentar. Nesses casos, a equipe pode orientar o processo de relactação e outras estratégias para estimular a produção de leite.
O atendimento também considera a saúde física e emocional das mulheres. Segundo Karolyne, pacientes com problemas mamários podem ser encaminhadas à mastologia, enquanto mães com sinais de depressão pós-parto recebem orientação para acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
Diante da redução dos estoques e da necessidade constante de leite materno para os bebês internados, a enfermeira reforça a importância de ampliar o número de doadoras.
“A gente precisa muito da ajuda das mães que estão amamentando e têm leite sobrando. Hoje temos muitos bebês na UTI que precisam desse leite, e nosso estoque está muito baixo. Não precisa ser uma grande quantidade, cada pouquinho faz diferença. Quem puder doar, entre em contato com a gente, porque essa ajuda é muito importante para os nossos bebês”, reforça.
Mulheres que estejam amamentando e tenham leite excedente podem entrar em contato com o Banco de Leite Humano pelo WhatsApp (48) 98849-6636. Em Criciúma, a coleta pode ser realizada diretamente na residência da doadora.

