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BLOG

Ana Maria Dalsasso
Educação

É Professora de Comunicação. Formada em LETRAS – Português/Inglês e respectivas Literaturas, Pós-graduada em Metodologia do Ensino pela Universidade Federal de SC - UFSC, cursou a primeira parte do Doutorado em Educação pela Universidade de Jáen na Espanha, porém não concluiu. Atua na área da Educação há mais de quarenta anos. Em sua trajetória profissional, além de ministrar aulas, exerceu a função de Diretora de Escola Pública, Coordenadora Pedagógica da Escola Barriga Verde, Pró-Reitora de Ensino de Graduação do UNIBAVE/ Orleans. Dedica parte de seu tempo livre com trabalhos de Assistência Social e Educacional, foi membro do Lions Clube Internacional por longos anos, hoje faz parte da AMHO – Amigos do Hospital, além de outros trabalhos voluntários na comunidade e seu entorno. Revisora de trabalhos acadêmicos: Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado.

Quando a ideologia se sobrepõe á ética. Por Ana Dalsasso

Por Ana Maria Dalsasso27/10/2026 15h00
Imagem gerada por IA

Em um pleito eleitoral, cada cidadão tem o direito de escolher livremente seus representantes.

O voto é individual, secreto e representa uma das expressões mais importantes da democracia. Entretanto, seus efeitos ultrapassam os limites da consciência de quem vota: alcançam famílias, comunidades e toda a sociedade. É justamente por isso que a escolha eleitoral exige reflexão, responsabilidade e compromisso com o interesse público.

A ideologia faz parte da política. Diferentes correntes de pensamento são legítimas em uma democracia pluralista e ajudam a construir o debate sobre os rumos de um país. O problema surge quando a identificação ideológica se transforma em fidelidade incondicional, capaz de impedir o reconhecimento de erros, relativizar condutas questionáveis e silenciar a consciência crítica. Mas, quando a defesa de uma ideologia passa a justificar qualquer atitude, que espaço resta para a moral e a ética?

Essa é uma pergunta que merece ser feita independentemente do partido, da corrente política ou do candidato envolvido. Princípios éticos não deveriam mudar conforme a posição política de quem pratica determinada conduta. O que se considera inaceitável no adversário não pode se tornar aceitável apenas porque foi praticado por alguém do próprio grupo.  A coerência moral exige justamente essa imparcialidade.

O risco de colocar a ideologia acima da ética está na criação de dois pesos e duas medidas. Passa-se a condenar os erros de uns e a minimizar os de outros; a exigir honestidade dos adversários e a encontrar justificativas para os aliados. Nesse ambiente, o debate deixa de ser uma busca por soluções e se transforma, muitas vezes, em uma disputa de lealdades.  E a sociedade, o que ganha com isso?

Quando a política se distancia dos princípios de responsabilidade, transparência e respeito às instituições, a confiança pública pode ser comprometida. As consequências não ficam restritas aos grupos que disputam o poder. Elas podem alcançar a qualidade dos serviços públicos, a aplicação dos recursos, a proteção dos direitos e a própria convivência entre os cidadãos.

Não por acaso, a Constituição Federal estabelece, entre os fundamentos da República, a cidadania e o pluralismo político. Também determina que a administração pública obedeça, entre outros, aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da eficiência. São referências que ultrapassam preferências partidárias e integram o funcionamento do Estado democrático. Isso não significa exigir que todos pensem da mesma maneira. Significa reconhecer que as divergências políticas não eliminam a responsabilidade ética.

O eleitor não precisa abandonar suas convicções, mas deve ser capaz de examiná-las criticamente. Informar-se, confrontar declarações com fatos, avaliar propostas e observar a conduta dos candidatos são atitudes que contribuem para uma escolha mais consciente.
A democracia não se fortalece quando cidadãos defendem seus representantes a qualquer custo. Fortalece-se quando há liberdade para questionar, reconhecer falhas e cobrar responsabilidades, inclusive daqueles com quem existe afinidade ideológica. Afinal, nenhum projeto político deveria estar acima do interesse público, e nenhuma identidade partidária deveria servir de justificativa automática para condutas incompatíveis com a ética.

Vale lembrar que o voto pertence a cada cidadão, mas a responsabilidade pelas escolhas democráticas precisa ser compreendida à luz de suas consequências para todos. No momento de decidir, talvez a reflexão mais importante não seja apenas perguntar se um candidato representa nossas ideias, mas também considerar como ele exerce suas responsabilidades e respeita os limites que a vida pública impõe, porque a democracia não depende somente de quem vence uma eleição. Depende também dos valores que orientam as escolhas, da disposição para fiscalizar o poder e da capacidade de colocar o bem comum acima da conveniência de um grupo, pois a ideologia pode orientar uma escolha, porém  a ética precisa continuar sendo um parâmetro para avaliar a conduta de todos.

 

 

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PISA: Um retrato preocupante da educação brasileira. Por Ana Dalsasso

Por Ana Maria Dalsasso15/09/2026 15h00
Foto/Gerada por IA

Os resultados do PISA 2025 deveriam provocar muito mais do que preocupação: deveriam provocar indignação.

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), da OCDE, avaliou alunos de 15 anos de 91 países e economias. Mais do que verificar conteúdos decorados, serve para medir a capacidade de utilizar conhecimentos para ler, interpretar, raciocinar, resolver problemas e aplicar o que se aprendeu em situações reais. E o Brasil foi mal. Muito mal.

Entre os 91 participantes, ficamos em 71º lugar em Matemática, 67º em Ciências, 52º em Leitura e 70º em Resolução de Problemas Computacionais.

Em Matemática, 72% dos estudantes brasileiros não atingiram o nível básico de proficiência; em Leitura, apenas 49% alcançaram o nível mínimo esperado; em Ciências, somente 48%.

É difícil não perguntar: estamos diante de uma crise educacional ou de um verdadeiro projeto de emburrecimento?

Há anos lemos nos planejamentos escolares a expressão “desenvolver o espírito crítico”. Mas pensamento crítico não nasce no vazio. Para questionar, analisar, comparar e argumentar, o aluno precisa primeiro conhecer e compreender. Precisa de repertório, informação, precisão e conhecimento prévio. Base essa construída na leitura, na matemática e nas ciências. Justamente onde estamos sendo reprovados.

Um jovem que não compreende o que lê terá dificuldade para distinguir fatos de opiniões e poderá ser facilmente conduzido por discursos, propaganda e desinformação. Quem não domina matemática terá dificuldade para entender juros, impostos, inflação, endividamento e até quanto paga pelo que consome.

Um povo que não lê não consegue avaliar adequadamente propostas de governo. Um povo que não sabe calcular não compreende plenamente sua própria realidade econômica. E uma população sem conhecimento torna-se muito mais vulnerável à manipulação.

Educação não é apenas preparar para uma profissão. É preparar para a vida, para a cidadania e para a liberdade de pensar. Sem educação de qualidade, comprometemos a produtividade, a geração de riqueza e as oportunidades de trabalho. Aumentam a vulnerabilidade social, o endividamento e as dificuldades que atingem milhões de brasileiros.

O PISA está nos mostrando, mais uma vez, que o Brasil precisa parar de comemorar matrículas, discursos e diplomas e voltar sua atenção para aquilo que realmente importa: ensinar nossos jovens a ler, compreender, calcular, conhecer e pensar. Não basta manter o aluno na escola. É preciso garantir que ele aprenda. Porque sem educação, o futuro de uma nação fica comprometido. E o futuro do Brasil não pode continuar sendo reprovado.

 

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.

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Mais um gol contra a educação. Por Ana Dalsasso

Por Ana Maria Dalsasso01/09/2026 15h00
Foto/Ilustrativa

A educação brasileira já enfrenta problemas demais para ainda ter de se adaptar ao calendário de uma competição esportiva. A Lei nº 15.421/2026, que trata da realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 no Brasil, determina que as férias escolares do primeiro semestre de 2027, nas redes pública e privada, abranjam todo o período da competição, de 24 de junho a 25 de julho. A mesma lei permite que a União declare feriados nacionais os dias em que houver jogos da Seleção Brasileira.

Como educadora, não posso deixar de questionar: por que, mais uma vez, quando surge um grande evento, é a escola que precisa ceder? Não sou contra o futebol feminino, tampouco contra qualquer modalidade esportiva. O esporte tem seu valor, promove saúde, disciplina, convivência e pode ser uma importante ferramenta de formação. Mas uma coisa é reconhecer sua importância; outra, completamente diferente, é colocar o calendário educacional a serviço de uma competição esportiva.

Nossos estudantes já carregam uma preocupante defasagem de aprendizagem. Temos crianças e adolescentes que avançam pelas etapas escolares sem dominar adequadamente leitura, escrita, interpretação e matemática. Temos professores sobrecarregados e escolas enfrentando inúmeras dificuldades. Nesse cenário, cada dia letivo deveria ser tratado como precioso.

E agora vem a pergunta inevitável: como ficará a reposição das aulas? Como as escolas reorganizarão seus calendários? O que acontecerá com os conteúdos que deixarão de ser trabalhados no período normal? Quem garantirá que essa alteração não produzirá ainda mais prejuízos pedagógicos?

Outro ponto que merece reflexão é a possibilidade de transformar em feriado nacional os dias de jogos da Seleção Brasileira. Nem todos os brasileiros gostam de futebol. Nem todos acompanham campeonatos, torcem por seleções ou consideram um jogo motivo suficiente para interromper atividades econômicas e administrativas. E quem paga a conta?

Empresas terão funcionários afastados, comércio poderá ter redução de funcionamento, serviços precisarão ser reorganizados e haverá impactos econômicos. A lei prevê a possibilidade de feriados, mas não existe feriado sem custo para alguém. Quem arcará com os prejuízos?

É preciso estabelecer prioridades. Um país que ainda luta para melhorar seus índices educacionais deveria colocar a educação no centro das decisões públicas, e não subordiná-la aos interesses de um evento esportivo.  Futebol é entretenimento. Educação é futuro.

Podemos celebrar a Copa, torcer pelas nossas jogadoras e valorizar o esporte feminino sem transformar escolas em peças de um calendário esportivo. O Brasil precisa aprender a distinguir aquilo que é importante daquilo que é essencial.

E, para mim, essencial é garantir que nossos alunos tenham o máximo possível de tempo, qualidade e condições para aprender. Quando a educação perde espaço, quem perde não é apenas a escola. Perde o país inteiro.

 

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.

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Ler: Um hábito que transforma vidas. Por Ana Dalsasso

Por Ana Maria Dalsasso18/08/2026 15h00
Foto/Ilustrativa

Ler não é apenas decifrar palavras. Ler é compreender o mundo, ampliar horizontes, desenvolver o pensamento e adquirir ferramentas para enfrentar a vida com mais conhecimento e consciência. Por isso, ensinar uma criança a gostar de ler talvez seja um dos maiores presentes que pais e educadores podem oferecer.

O hábito da leitura precisa começar cedo, muito antes de a criança aprender a juntar as letras. Uma história contada pelos pais antes de dormir, um livro colorido nas mãos, uma visita à biblioteca, o exemplo de um adulto lendo em casa: tudo isso contribui para despertar a curiosidade e transformar o livro em algo prazeroso, e não em uma obrigação escolar.

E aqui está uma questão fundamental: a criança aprende também pelo exemplo. Pais que leem, que conversam sobre livros, que presenteiam os filhos com obras adequadas à idade e que reservam alguns minutos do dia para a leitura estão ensinando, silenciosamente, uma das mais importantes lições. Não adianta exigir que o filho leia enquanto o adulto passa horas diante do celular ou da televisão. O exemplo continua sendo uma das formas mais poderosas de educação.

Infelizmente, estamos diante de uma geração que lê cada vez menos. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2024, revela que apenas 47% da população brasileira com 5 anos ou mais é considerada leitora, enquanto 53% são classificados como não leitores. A média foi de apenas 3,96 livros por ano, considerando livros lidos inteiros ou em partes. Em 2019, essa média era de 4,95.

São números que deveriam provocar uma profunda reflexão.

Porque quem não lê perde muito mais do que histórias. Perde vocabulário, repertório, capacidade de interpretação e oportunidades de conhecer outras ideias e realidades. A leitura desenvolve a capacidade de ouvir, falar, escrever, argumentar, questionar e estabelecer relações entre diferentes conhecimentos. Fortalece a criatividade e, principalmente, ajuda a formar o senso crítico.

Não podemos dizer que toda pessoa que lê pouco seja automaticamente um “analfabeto funcional”. O analfabetismo funcional é uma condição específica, relacionada à dificuldade de compreender e utilizar adequadamente informações escritas, mesmo quando a pessoa sabe ler e escrever. Mas é inegável que a ausência de leitura frequente pode contribuir para dificuldades de compreensão, expressão, argumentação e interpretação.

Uma sociedade que lê pouco torna-se mais vulnerável à desinformação, às opiniões prontas e à manipulação. Quem não desenvolve o hábito de buscar conhecimento tende a aceitar mais facilmente aquilo que lhe é apresentado sem questionar.

Por isso, formar leitores não pode ser responsabilidade exclusiva da escola. É uma missão conjunta da família, dos professores e da sociedade. A escola deve incentivar, mas o primeiro contato com o livro pode acontecer dentro de casa.

Precisamos devolver ao livro o lugar que ele merece.

Que nossas crianças vejam seus pais lendo. Que tenham livros ao alcance das mãos. Que possam escolher histórias, descobrir autores, viajar por mundos desconhecidos e aprender que ler não é castigo, nem obrigação: é liberdade.

Uma criança que aprende a gostar de ler ganha uma companhia para toda a vida. E uma sociedade que ensina seus jovens a pensar, interpretar e questionar está construindo cidadãos mais preparados para escolher seus próprios caminhos.

Porque quem lê não apenas conhece mais. Quem lê aprende a pensar melhor. E uma sociedade que pensa é muito mais difícil de ser enganada.

 

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.

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