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Ana Maria Dalsasso Educação
É Professora de Comunicação. Formada em LETRAS – Português/Inglês e respectivas Literaturas, Pós-graduada em Metodologia do Ensino pela Universidade Federal de SC - UFSC, cursou a primeira parte do Doutorado em Educação pela Universidade de Jáen na Espanha, porém não concluiu. Atua na área da Educação há mais de quarenta anos. Em sua trajetória profissional, além de ministrar aulas, exerceu a função de Diretora de Escola Pública, Coordenadora Pedagógica da Escola Barriga Verde, Pró-Reitora de Ensino de Graduação do UNIBAVE/ Orleans. Dedica parte de seu tempo livre com trabalhos de Assistência Social e Educacional, foi membro do Lions Clube Internacional por longos anos, hoje faz parte da AMHO – Amigos do Hospital, além de outros trabalhos voluntários na comunidade e seu entorno. Revisora de trabalhos acadêmicos: Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado.
Mulher: Essência, resistência e valor. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso03/03/2026 14h30
Imagem gerada por IA
Celebrar o Dia Internacional da Mulher é mais do que marcar uma data no calendário. É reconhecer a trajetória de luta, resistência e contribuição feminina na construção da sociedade. A mulher sempre esteve presente nos alicerces da família, no desenvolvimento social e, cada vez mais, no mercado de trabalho, exercendo múltiplos papéis com competência, sensibilidade e coragem.
Ao longo da história, a mulher demonstrou uma força que vai muito além da resistência física. Trata-se de uma força moral, emocional e intelectual. Dentro da família, ela é frequentemente o eixo que sustenta valores, afeto e equilíbrio. No mercado de trabalho, conquistou espaços antes inimagináveis, assumindo funções de liderança, empreendendo, inovando e contribuindo de forma decisiva para o crescimento econômico e social. Mesmo diante de jornadas duplas ou triplas, a mulher segue produzindo, cuidando e transformando realidades.
No entanto, apesar dos avanços, a desigualdade ainda persiste. A discriminação no mercado de trabalho continua sendo uma realidade concreta. Mulheres exercem as mesmas funções que homens, mas muitas vezes recebem salários menores, enfrentam menos oportunidades de ascensão profissional e são julgadas não por sua competência, mas por sua aparência, maternidade ou vida pessoal. A meritocracia, tão defendida em discursos, nem sempre se aplica de forma justa quando se trata da mulher.
Mais grave ainda é o machismo estrutural que ultrapassa o campo simbólico e se transforma em violência. O feminicídio, expressão máxima dessa cultura de desvalorização da vida feminina, atinge números alarmantes e revela uma sociedade que ainda falha em proteger suas mulheres. A violência doméstica, psicológica e física nasce de uma mentalidade que enxerga a mulher como posse, como ser inferior ou como alguém que pode ser controlada. Combater esse cenário exige não apenas leis, mas uma profunda mudança cultural, baseada no respeito, na educação e na responsabilização.
Nesse contexto, é fundamental resgatar o verdadeiro significado da feminilidade. Valorizar a feminilidade não é diminuir a mulher nem enquadrá-la em estereótipos, mas reconhecer que sua sensibilidade, empatia, intuição e capacidade de acolhimento também são forças. A feminilidade não se opõe à competência, à liderança ou à autonomia; ela complementa.
Dar valor à mulher é respeitá-la em sua totalidade: forte e sensível, racional e emocional, profissional e cuidadora, quando assim desejar. É garantir igualdade de oportunidades, segurança, dignidade e liberdade de escolha. É reconhecer que a mulher não precisa deixar de ser quem é para ocupar seu lugar no mundo.
Neste Dia da Mulher, a homenagem mais verdadeira não está apenas nas palavras, mas no compromisso coletivo de construir uma sociedade mais justa, onde a força feminina seja reconhecida, a discriminação combatida, a violência erradicada e a feminilidade respeitada como parte essencial da identidade da mulher.
Valorizar a mulher é, acima de tudo, valorizar a própria humanidade!
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O País sangra e o povo dança. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso17/02/2026 12h00
Imagem gerada por IA
É inegável que o Carnaval faz parte da identidade cultural brasileira. Trata-se de uma festa tradicional, reconhecida mundialmente por sua música, criatividade e capacidade de mobilizar multidões. No entanto, o que se vê nos últimos anos é um distanciamento preocupante entre celebração cultural e o que passou a dominar grande parte do espetáculo: a obscenidade elevada ao status de entretenimento.
O Carnaval deixou de ser apenas alegria para se transformar, em muitos casos, em um palco de libertinagem explícita, promiscuidade banalizada e erotização excessiva, muitas vezes transmitidas sem qualquer critério ou limite. Tudo é permitido, tudo é normalizado, tudo é aplaudido. A liberdade, valor essencial em qualquer sociedade democrática, passou a ser confundida com ausência total de limites, respeito e responsabilidade coletiva.
Diante desse cenário, é inevitável fazer uma pergunta incômoda, mas necessária: temos, de fato, motivos para comemorar? O país enfrenta uma profunda crise moral e ética. Aposentados foram roubados, instituições estão fragilizadas, o crime organizado avança de forma alarmante, a corrupção se mostra cada vez mais escancarada e impune. A educação segue em colapso, a segurança pública é desvalorizada, a saúde enfrenta um cenário caótico e milhões de brasileiros continuam desempregados ou sobrevivendo na dependência do assistencialismo. É difícil entender como a população consegue num piscar de olhos, esquecer-se de tudo e mergulhar numa festa desenfreada, como se nada estivesse acontecendo.
Escândalos se sucedem sem consequências reais, a sensação de injustiça se amplia e a população perde a confiança no Estado. O Brasil vive um dos períodos mais críticos de sua história recente, marcado por descrédito, desigualdade e falta de perspectivas. Ainda assim, incentiva-se uma euforia artificial, como se a festa pudesse servir de cortina para esconder problemas estruturais gravíssimos.
Não se trata de demonizar o Carnaval ou negar o direito ao lazer. A crítica está na inversão de prioridades e valores. Uma sociedade que transforma excessos em virtude e ignora suas próprias feridas corre o risco de normalizar o caos. Celebrar, sem refletir, pode ser apenas mais uma forma de anestesia social.
Talvez o maior problema não seja o Carnaval em si, mas o que ele revela: um país que dança enquanto sangra, sorri enquanto desmorona e prefere o barulho da festa ao silêncio necessário da reflexão.
Assim, alheio a tudo, o povo continua feliz, porque na terra do carnaval e do futebol, “ao povo basta pão e circo”, como dizia o Imperador de Roma.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.
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Comoção seletiva e a inversão de valores. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso03/02/2026 14h00
Foto/Reprodução Internet
A morte do cão “Orelha”, vítima de violência praticada por adolescentes inconsequentes, provocou uma onda de comoção nacional. Durante dias, o episódio dominou manchetes, telejornais, debates em redes sociais e discursos inflamados, muitos deles legítimos ao denunciar a crueldade contra animais. No entanto, o excesso de exposição escancarou uma pergunta incômoda: por que determinadas tragédias mobilizam o país enquanto outras, que colocam vidas humanas em risco, passam quase despercebidas?
Não se trata, aqui, de minimizar a gravidade do crime contra o animal. A violência, em qualquer forma, deve ser combatida. A defesa dos animais é uma pauta civilizatória, necessária e urgente. O problema está na desproporção da indignação e na forma como a sociedade e a mídia escolhem seus alvos de revolta.
Enquanto o país se indignava, com razão, pela morte de um cão, vieram à tona notícias alarmantes sobre médicos recém-formados, diplomados, mas reprovados em provas básicas de conhecimento, profissionais que, mesmo assim, seguem aptos a exercer a medicina e a lidar diretamente com vidas humanas. Onde estava a mesma comoção? Onde estavam os editoriais, os debates em horário nobre, a revolta coletiva?
Há pouco tempo, outro episódio chocante ganhou pouca repercussão nacional: enfermeiros envolvidos na morte de pacientes por meio da aplicação de injeções de cloreto de sódio e desinfetante. Pessoas internadas, fragilizadas, confiando no sistema de saúde, perderam a vida de forma brutal e silenciosa. Ainda assim, o caso não gerou mobilização proporcional, tampouco indignação duradoura.
Esse contraste revela uma inversão de valores perigosa. Uma sociedade que se mobiliza intensamente por um animal, mas se acostuma com a precarização da vida humana, corre o risco de perder o senso de prioridade ética. A vida humana, especialmente a dos mais vulneráveis, dos doentes, dos que dependem do Estado, não pode ser tratada como estatística secundária.
O debate se agrava quando observamos o estado do ensino médico no Brasil. Faculdades de medicina proliferam como verdadeiras fábricas de diplomas, muitas delas cobrando mensalidades altíssimas, mas negligenciando a qualidade da formação. O resultado é um mercado inflado de profissionais mal preparados, um risco real à saúde pública e a banalização de uma das profissões mais sensíveis da sociedade.
Defender os animais não é incompatível com defender a vida humana. Pelo contrário. Mas, é preciso tratamento diferenciado, senso de proporção e responsabilidade coletiva. A indignação seletiva não salva vidas, apenas anestesia consciências.
Se queremos, de fato, uma sociedade mais justa, humana e ética, precisamos aprender a olhar para além do que viraliza. Precisamos questionar por que choramos mais por algumas mortes do que por outras. E, sobretudo, precisamos recuperar a coragem de dizer que a vida humana, sofrida, vulnerável e muitas vezes invisível, também merece comoção, revolta e ação concreta.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.
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O Brasil sem rumo educacional. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso19/01/2026 15h00
Foto/Reprodução
Estamos a poucos dias do início de um novo ano letivo e o Brasil está sem rumo educacional por não ter o Plano Nacional de Educação (PNE), principal instrumento de planejamento educacional do país aprovado pelo Senado.
O atraso na aprovação do novo Plano Nacional de Educação (PNE 2026–2035) pelo Senado Federal expõe, mais uma vez, uma fragilidade estrutural do Estado brasileiro: a incapacidade de planejar a educação como política de Estado, e não como disputa circunstancial de governo ou de ideologia.
O PNE define metas, prioridades, diretrizes e compromissos que orientam a União, os Estados e os Municípios ao longo de uma década. Sem ele, a educação brasileira perde coordenação, coerência e previsibilidade. Ainda assim, ao iniciar 2026, o Brasil corre o risco real de permanecer sem um novo plano em vigor.
O PNE anterior (2014–2024) já precisou ser prorrogado até o fim de 2025 para evitar um vácuo legal. Caso o Senado não conclua a votação do novo texto em tempo hábil, o país poderá enfrentar duas alternativas igualmente problemáticas: uma nova prorrogação de um plano já esgotado ou, no pior cenário, a ausência de um marco nacional válido para a educação. Ambas as opções revelam improviso e falta de compromisso com o futuro.
A inexistência de um PNE atualizado gera insegurança jurídica e administrativa. Estados e municípios, que são obrigados por lei a elaborar seus planos educacionais alinhados ao nacional, ficam sem referência clara. Cada rede passa a adotar critérios próprios, aprofundando desigualdades regionais e enfraquecendo a articulação federativa. Na prática, perde-se a noção de projeto coletivo de país.
Outro impacto grave recai sobre o financiamento da educação. O novo PNE deveria estabelecer prioridades de investimento, metas de expansão e parâmetros para avaliação de resultados, em articulação com o Fundeb. Sem essas diretrizes, o governo federal fica limitado na formulação de políticas estruturantes, e a alocação de recursos tende a se tornar mais política do que técnica. Quando não há metas claras, também não há como cobrar resultados.
Além disso, o atraso prolonga a instabilidade institucional. Um país que encerra um plano decenal, o prorroga emergencialmente e não consegue aprovar o seguinte transmite ao mundo a imagem de desorganização e baixa prioridade estratégica para a educação. Isso afeta parcerias internacionais, compromissos assumidos em organismos multilaterais e a própria credibilidade do Estado brasileiro.
Há ainda um efeito colateral importante: enquanto o Congresso não define, em lei, os limites e objetivos da política educacional, temas sensíveis continuam sendo regulados por portarias, resoluções administrativas e decisões judiciais. Ou seja, o Parlamento abdica de sua função central e transfere o debate para o Executivo e o Judiciário, aumentando a insegurança sobre o que pode ou não ser ensinado nas salas de aula.
A demora do Senado, portanto, não é um problema meramente burocrático. Ela aprofunda a descontinuidade, fragiliza a gestão educacional e mantém o país refém de improvisações. Em um contexto de graves déficits de alfabetização, baixos índices de aprendizagem e formação precária, o Brasil não pode se dar ao luxo de adiar indefinidamente um projeto nacional para a educação.
Planejar é decidir prioridades. Adiar decisões, nesse caso, é escolher a estagnação. E quem paga o preço, como sempre, são os estudantes — especialmente os mais pobres.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.