Para uma melhor experiência neste site, utilize um navegador mais moderno. Clique nas opções abaixo para ir à página de download Indicamos essas 4 opções:
Ok, estou ciente e quero continuar usando um navegador inferior.
BLOG
Ana Maria Dalsasso Educação
É Professora de Comunicação. Formada em LETRAS – Português/Inglês e respectivas Literaturas, Pós-graduada em Metodologia do Ensino pela Universidade Federal de SC - UFSC, cursou a primeira parte do Doutorado em Educação pela Universidade de Jáen na Espanha, porém não concluiu. Atua na área da Educação há mais de quarenta anos. Em sua trajetória profissional, além de ministrar aulas, exerceu a função de Diretora de Escola Pública, Coordenadora Pedagógica da Escola Barriga Verde, Pró-Reitora de Ensino de Graduação do UNIBAVE/ Orleans. Dedica parte de seu tempo livre com trabalhos de Assistência Social e Educacional, foi membro do Lions Clube Internacional por longos anos, hoje faz parte da AMHO – Amigos do Hospital, além de outros trabalhos voluntários na comunidade e seu entorno. Revisora de trabalhos acadêmicos: Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado.
Mais um gol contra a educação. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso01/09/2026 15h00
Foto/Ilustrativa
A educação brasileira já enfrenta problemas demais para ainda ter de se adaptar ao calendário de uma competição esportiva. A Lei nº 15.421/2026, que trata da realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 no Brasil, determina que as férias escolares do primeiro semestre de 2027, nas redes pública e privada, abranjam todo o período da competição, de 24 de junho a 25 de julho. A mesma lei permite que a União declare feriados nacionais os dias em que houver jogos da Seleção Brasileira.
Como educadora, não posso deixar de questionar: por que, mais uma vez, quando surge um grande evento, é a escola que precisa ceder? Não sou contra o futebol feminino, tampouco contra qualquer modalidade esportiva. O esporte tem seu valor, promove saúde, disciplina, convivência e pode ser uma importante ferramenta de formação. Mas uma coisa é reconhecer sua importância; outra, completamente diferente, é colocar o calendário educacional a serviço de uma competição esportiva.
Nossos estudantes já carregam uma preocupante defasagem de aprendizagem. Temos crianças e adolescentes que avançam pelas etapas escolares sem dominar adequadamente leitura, escrita, interpretação e matemática. Temos professores sobrecarregados e escolas enfrentando inúmeras dificuldades. Nesse cenário, cada dia letivo deveria ser tratado como precioso.
E agora vem a pergunta inevitável: como ficará a reposição das aulas? Como as escolas reorganizarão seus calendários? O que acontecerá com os conteúdos que deixarão de ser trabalhados no período normal? Quem garantirá que essa alteração não produzirá ainda mais prejuízos pedagógicos?
Outro ponto que merece reflexão é a possibilidade de transformar em feriado nacional os dias de jogos da Seleção Brasileira. Nem todos os brasileiros gostam de futebol. Nem todos acompanham campeonatos, torcem por seleções ou consideram um jogo motivo suficiente para interromper atividades econômicas e administrativas. E quem paga a conta?
Empresas terão funcionários afastados, comércio poderá ter redução de funcionamento, serviços precisarão ser reorganizados e haverá impactos econômicos. A lei prevê a possibilidade de feriados, mas não existe feriado sem custo para alguém. Quem arcará com os prejuízos?
É preciso estabelecer prioridades. Um país que ainda luta para melhorar seus índices educacionais deveria colocar a educação no centro das decisões públicas, e não subordiná-la aos interesses de um evento esportivo. Futebol é entretenimento. Educação é futuro.
Podemos celebrar a Copa, torcer pelas nossas jogadoras e valorizar o esporte feminino sem transformar escolas em peças de um calendário esportivo. O Brasil precisa aprender a distinguir aquilo que é importante daquilo que é essencial.
E, para mim, essencial é garantir que nossos alunos tenham o máximo possível de tempo, qualidade e condições para aprender. Quando a educação perde espaço, quem perde não é apenas a escola. Perde o país inteiro.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.
0
0
Ler: Um hábito que transforma vidas. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso18/08/2026 15h00
Foto/Ilustrativa
Ler não é apenas decifrar palavras. Ler é compreender o mundo, ampliar horizontes, desenvolver o pensamento e adquirir ferramentas para enfrentar a vida com mais conhecimento e consciência. Por isso, ensinar uma criança a gostar de ler talvez seja um dos maiores presentes que pais e educadores podem oferecer.
O hábito da leitura precisa começar cedo, muito antes de a criança aprender a juntar as letras. Uma história contada pelos pais antes de dormir, um livro colorido nas mãos, uma visita à biblioteca, o exemplo de um adulto lendo em casa: tudo isso contribui para despertar a curiosidade e transformar o livro em algo prazeroso, e não em uma obrigação escolar.
E aqui está uma questão fundamental: a criança aprende também pelo exemplo. Pais que leem, que conversam sobre livros, que presenteiam os filhos com obras adequadas à idade e que reservam alguns minutos do dia para a leitura estão ensinando, silenciosamente, uma das mais importantes lições. Não adianta exigir que o filho leia enquanto o adulto passa horas diante do celular ou da televisão. O exemplo continua sendo uma das formas mais poderosas de educação.
Infelizmente, estamos diante de uma geração que lê cada vez menos. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2024, revela que apenas 47% da população brasileira com 5 anos ou mais é considerada leitora, enquanto 53% são classificados como não leitores. A média foi de apenas 3,96 livros por ano, considerando livros lidos inteiros ou em partes. Em 2019, essa média era de 4,95.
São números que deveriam provocar uma profunda reflexão.
Porque quem não lê perde muito mais do que histórias. Perde vocabulário, repertório, capacidade de interpretação e oportunidades de conhecer outras ideias e realidades. A leitura desenvolve a capacidade de ouvir, falar, escrever, argumentar, questionar e estabelecer relações entre diferentes conhecimentos. Fortalece a criatividade e, principalmente, ajuda a formar o senso crítico.
Não podemos dizer que toda pessoa que lê pouco seja automaticamente um “analfabeto funcional”. O analfabetismo funcional é uma condição específica, relacionada à dificuldade de compreender e utilizar adequadamente informações escritas, mesmo quando a pessoa sabe ler e escrever. Mas é inegável que a ausência de leitura frequente pode contribuir para dificuldades de compreensão, expressão, argumentação e interpretação.
Uma sociedade que lê pouco torna-se mais vulnerável à desinformação, às opiniões prontas e à manipulação. Quem não desenvolve o hábito de buscar conhecimento tende a aceitar mais facilmente aquilo que lhe é apresentado sem questionar.
Por isso, formar leitores não pode ser responsabilidade exclusiva da escola. É uma missão conjunta da família, dos professores e da sociedade. A escola deve incentivar, mas o primeiro contato com o livro pode acontecer dentro de casa.
Precisamos devolver ao livro o lugar que ele merece.
Que nossas crianças vejam seus pais lendo. Que tenham livros ao alcance das mãos. Que possam escolher histórias, descobrir autores, viajar por mundos desconhecidos e aprender que ler não é castigo, nem obrigação: é liberdade.
Uma criança que aprende a gostar de ler ganha uma companhia para toda a vida. E uma sociedade que ensina seus jovens a pensar, interpretar e questionar está construindo cidadãos mais preparados para escolher seus próprios caminhos.
Porque quem lê não apenas conhece mais. Quem lê aprende a pensar melhor. E uma sociedade que pensa é muito mais difícil de ser enganada.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.
0
0
“Farmar Aura: Quando a aparência enterra o conteúdo”. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso04/08/2026 15h00
Imagem/Reprodução Internet
A cada época surgem comportamentos que se transformam em moda entre os jovens. Alguns são inofensivos, outros até estimulam a criatividade. No entanto, há tendências que merecem reflexão. Uma delas é o chamado “farmar aura”, expressão usada para descrever atitudes, poses, caretas, gestos e encenações feitas com o objetivo de parecer interessante, misterioso ou admirável diante de uma plateia, principalmente nas redes sociais.
Na minha visão, esse fenômeno é um sintoma da decadência de valores que atinge parte das novas gerações. É uma das modas mais pobres e vazias dos últimos tempos, pois incentiva a substituição da essência pela aparência, do conteúdo pela performance e da autenticidade pela necessidade de aprovação.
Causa tristeza observar tantos jovens dedicando tempo e energia para produzir vídeos repletos de mímicas, expressões corporais exageradas e gestos sem qualquer significado, apenas para conquistar curtidas e comentários. Quando o objetivo da vida passa a ser impressionar desconhecidos na internet, perde-se de vista aquilo que realmente constrói uma pessoa: o conhecimento, a cultura, a responsabilidade e o desenvolvimento intelectual.
Enquanto muitos se preocupam em “farmar aura”, deixam de cultivar algo muito mais valioso: o hábito da leitura, o prazer pelo estudo, a capacidade de questionar, refletir e formar opiniões próprias. Vivemos uma época em que a informação nunca esteve tão disponível, mas, paradoxalmente, cresce a superficialidade. Há quem conheça todas as tendências das redes sociais, mas desconheça a própria história, a literatura, a ciência e os acontecimentos que moldam o mundo.
É claro que essa crítica não se dirige a todos os jovens. Felizmente, existe uma parcela significativa que estuda, trabalha, lê, empreende e busca construir um futuro sólido. O problema está justamente na força que determinados modismos exercem, transformando comportamentos superficiais em modelos de sucesso e reconhecimento.
Nenhuma sociedade se fortalece apoiada em tendências passageiras ou na necessidade permanente de impressionar uma plateia. Povos verdadeiramente desenvolvidos investem em educação, pensamento crítico, ética, disciplina e compromisso com o bem comum. São esses valores que produzem cidadãos capazes de transformar a realidade.
A busca incessante por aprovação nas redes sociais revela uma preocupante inversão de valores e convida à reflexão sobre o papel da educação, da cultura e do pensamento crítico. Elas podem ser excelentes ferramentas de comunicação e aprendizado, desde que sejam usadas com equilíbrio e propósito. O risco surge quando passam a definir o valor das pessoas pela quantidade de visualizações ou seguidores, e não pela qualidade de suas ideias e de suas ações.
No fim, toda moda passa. O que permanece é o legado construído ao longo da vida. O caráter, o conhecimento, a integridade, a honestidade e a cultura continuam sendo os verdadeiros pilares de uma geração que deseja deixar marcas positivas na sociedade. A aura que realmente merece ser cultivada não é aquela criada para as câmeras, mas a que nasce do respeito, da inteligência, do trabalho e dos valores que nenhum algoritmo é capaz de produzir.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.
0
0
Muito além da taça: As grandes lições da Copa do Mundo. Por Ana Dalsasso
Por Ana Maria Dalsasso21/07/2026 14h00
Imagem gerada por IA
A Copa do Mundo é um espetáculo que mobiliza nações, desperta emoções e une povos de diferentes culturas em torno de um mesmo ideal. No entanto, muito além dos gols, das comemorações e da disputa pelo título, ela nos deixa valiosas lições que podem ser aplicadas em todos os aspectos da vida. Afinal, o esporte, quando observado com atenção, revela princípios indispensáveis para quem deseja alcançar grandes conquistas.
A primeira delas é que as grandes vitórias nunca acontecem por acaso. Não existem campeões improvisados. Toda conquista é resultado de muito preparo, planejamento, dedicação, disciplina e incontáveis horas de treinamento. Antes do brilho das medalhas, existe o sacrifício; antes da glória, existe o esforço silencioso; antes do reconhecimento, existe a perseverança de quem não desistiu diante das dificuldades.
Outra lição incontestável é que o talento, por si só, não basta. Um jogador brilhante pode decidir uma partida, mas somente uma equipe unida é capaz de conquistar um campeonato. O verdadeiro sucesso nasce quando talentos individuais são colocados a serviço do coletivo. A união, o espírito de equipe, o respeito mútuo e o compromisso com um objetivo comum transformam bons atletas em verdadeiros campeões.
A Copa também demonstra que os grandes desafios são vencidos quando o talento caminha lado a lado com a disciplina, a força, o foco, a determinação e o equilíbrio emocional. Nenhuma equipe suporta a pressão de uma competição tão intensa apenas com habilidade técnica. É preciso inteligência para tomar decisões, coragem para enfrentar os momentos difíceis e maturidade para manter a serenidade diante das adversidades
Mas talvez uma das maiores lições seja compreender que vencer e perder fazem parte da caminhada. A derrota, embora dolorosa, não representa o fim. Ela pode ser a mais importante das professoras quando desperta a humildade, estimula a autocrítica e impulsiona a busca pelo aperfeiçoamento. Saber perder é uma demonstração de grandeza.
Da mesma forma, reconhecer os méritos do vencedor é um gesto de nobreza. Aplaudir quem foi melhor, valorizar o talento do adversário e respeitar sua conquista não diminui quem perdeu; ao contrário, engrandece seu caráter. O esporte ensina que rivalidade jamais deve significar desrespeito. A verdadeira competição é aquela que inspira crescimento, aprendizado e admiração mútua.
Que as lições desta Copa do Mundo não permaneçam apenas dentro dos estádios. Que elas nos acompanhem na família, no trabalho, na escola e em nossa convivência diária. O mundo precisa de pessoas que compreendam que as maiores conquistas são construídas com esforço, união, disciplina, respeito e perseverança. Porque, no fim das contas, os verdadeiros campeões não são apenas aqueles que levantam uma taça, mas aqueles que fazem da ética, da humildade e do trabalho coletivo o caminho para vencer na vida.
*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.