38 mulheres mortas em SC: quantos sinais de violência foram ignorados antes do feminicídio?
SC já registra 38 vítimas em 2026, e delegada alerta para agressões psicológicas, controle e ameaças que podem anteceder o crime
Você sabia que, em Santa Catarina, uma mulher é morta, em média, a cada seis dias? Já são 38 vítimas de feminicídio registradas no Estado até esta quarta-feira (26). O número chama a atenção e coloca em evidência uma questão que muitas vezes só aparece quando já é tarde demais: os sinais de violência que podem anteceder o crime.
O alerta ganha ainda mais força em agosto, mês que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha. Delegada e coordenadora estadual das Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMIs), Patrícia Maria Zimmermann D’Ávila destaca que um dos principais avanços da legislação foi a criação de medidas protetivas de urgência, além do endurecimento das penas e de medidas restritivas contra os agressores.
“Ela traz uma série de situações de medidas protetivas de urgência, de endurecimento de penas, de medidas restritivas ao agressor. Então ela traz uma série de direitos em relação à mulher”, explica Patrícia.
Segundo a delegada, muitas mulheres não reconhecem os sinais de perigo antes que a violência chegue a um nível extremo. A violência psicológica, as agressões verbais e situações de controle e cerceamento dos direitos nem sempre são identificadas como crimes pelas próprias vítimas.
“Nas situações em que as mulheres não identificam fatores de risco, elas não acreditam na agressividade do companheiro, elas acham que aquela situação nunca possa chegar ao feminicídio”, afirma.
Um levantamento apresentado pela delegada mostra que, entre 2020 e 2026, apenas pouco mais de 14,9% das mulheres vítimas de feminicídio tinham boletim de ocorrência contra o autor. Destas, a maioria absoluta não tinha pedido medida protetiva de urgência.
Para as mulheres que não conseguem romper o ciclo da violência, a Polícia Civil oferece mecanismos de proteção a partir do registro da ocorrência. A vítima pode solicitar uma medida protetiva de urgência, incluindo o afastamento do agressor do lar.
Também existe a possibilidade de encaminhamento para um local seguro, como um abrigo ou a casa de um familiar ou pessoa conhecida, onde a mulher possa permanecer protegida até que o agressor seja afastado.
A dependência financeira também não precisa ser um obstáculo para a denúncia. O programa SC Elas reserva 5% das vagas de emprego dos contratos do Estado para mulheres vítimas de violência, além da possibilidade de concessão de alimentos provisórios.
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 181 ou por meio da Delegacia Virtual.



