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Perfil do visitante ajuda a definir investimentos e fortalecer o turismo na Serra Catarinense

Na Serra Catarinense, leitura do comportamento do turista se torna ferramenta estratégica para negócios que vão da hospedagem à gastronomia e ao turismo de experiência

Por Ligado no Sul30/06/2026 13h56
Foto/Redação

Quem trabalha com turismo sabe que cada visitante chega à Serra Catarinense com um objetivo diferente. Enquanto alguns sonham em ver a neve, outros buscam descanso em uma cabana, boa gastronomia, paisagens de tirar o fôlego, esportes de aventura ou o contato com a natureza. Entender esse comportamento pode ser o diferencial para quem deseja investir melhor e fortalecer o turismo da região.

Segundo Monique Michels Orben, fundadora da Seven Pesquisas e Estatísticas, empresa especializada em inteligência de mercado, conhecer o perfil do turista ajuda empresários e gestores públicos a tomar decisões mais assertivas, oferecer melhores experiências e impulsionar o desenvolvimento do setor.

“O turismo é um negócio. Ele não é só algo para as pessoas virem passear. A gente precisa aprender que também precisa de dados para tomar decisões mais assertivas.”

Na prática, isso significa entender quem visita a Serra Catarinense. Hoje, cerca de 60% dos turistas ainda são catarinenses. Os demais vêm, principalmente, do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Mas, para Monique, saber apenas a cidade de origem não é suficiente.

“Quem são essas pessoas? Elas vêm com a família? É um público mais jovem? Vêm de moto? Procuram uma experiência? Querem ficar três dias ou estão só de passagem? Quando a gente entende esse perfil, consegue atender melhor.”

Essas respostas ajudam desde quem administra uma pousada até quem tem um café, um restaurante, uma vinícola, uma propriedade rural ou trabalha com passeios turísticos. Mais do que oferecer um bom serviço, é preciso compreender qual experiência o visitante espera viver.

A Serra Catarinense não pode ser vista apenas como um destino de inverno. Embora a possibilidade de neve seja um dos grandes atrativos, a região recebe turistas durante todo o ano.

“As pessoas vêm para ver a neve, mas o turismo da Serra não é só sazonal. Elas vêm no verão, vêm nas férias, vêm pela experiência de conhecer essa estrada, pelas paisagens, pela gastronomia. A gente precisa entender quem é o turista do inverno e quem é o turista do verão, porque são perfis diferentes.”

Conhecer essas diferenças também ajuda o empresário a investir melhor e até mesmo a definir preços. Segundo Monique, um erro comum é olhar apenas para o valor cobrado pela concorrência ou por destinos turísticos já consolidados.

“As pessoas dizem: ‘Em Gramado cobram tanto, então aqui também podemos cobrar’. Mas a gente precisa ter cuidado. Você tem que entender o que está proporcionando para o turista. Não é só olhar para o outro, é entender o valor da experiência que você entrega.”

Para ela, ouvir quem visita a região é um dos caminhos mais eficientes para acertar nas decisões. E isso não exige, necessariamente, grandes pesquisas ou investimentos.

“Às vezes o empresário pensa que precisa contratar uma pesquisa. Mas quem tem um restaurante, um café ou uma pousada pode perguntar no caixa: ‘Gostou da experiência? O que mais chamou sua atenção? O que você veio procurar aqui?’. Em uma conversa de dois minutos surgem muitas ideias.”

Para Monique, essas conversas revelam informações importantes sobre o comportamento do turista e ajudam a identificar oportunidades que muitas vezes passam despercebidas no dia a dia.

“Se você der abertura, o turista fala. É ele quem vai dizer o que faltou, o que pode melhorar e o que faria ele voltar.”

Os dados não substituem a experiência de quem empreende, mas tornam as decisões mais seguras.

“O futuro é dirigido por dados. A empresa que não olha para os dados acaba indo muito no feeling. O feeling é importante, porque vem da experiência, mas ele precisa andar junto com a informação. Eu sempre digo: busca o dado de fora, pega o dado de dentro da empresa e junta as duas coisas. Cruza essas informações para entender onde você está e para onde quer ir.”

Em uma região onde o turismo cresce a cada ano e novos empreendimentos surgem constantemente, conhecer o visitante pode ser tão importante quanto investir em infraestrutura. Ouvir quem chega à Serra permite identificar oportunidades de melhoria que muitas vezes passam despercebidas. Segundo Monique, quando empresários prestam atenção ao que o turista realmente procura, conseguem oferecer experiências melhores, investir com mais segurança e fortalecer o turismo.

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