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Caso de gato com esporotricose volta a ser debatido na Câmara de Vereadores de Orleans

Por Ligado no Sul30/06/2026 12h00
Foto/Redação

A 23ª sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Orleans, realizada na noite desta segunda-feira (29), voltou a discutir um assunto que tem gerado preocupação no município desde a confirmação do primeiro caso de esporotricose felina: o atendimento dado ao gato encontrado doente e os procedimentos adotados pelos órgãos públicos diante da situação.

Para esclarecer dúvidas dos vereadores e da comunidade, utilizaram a tribuna a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Alana Patrício Cruzeta, e o coordenador de Zoonoses e agente de combate às endemias, Luiz Felipe Garcia. A doença, causada por um fungo, pode ser transmitida para outros animais e também para seres humanos por meio de arranhões, mordidas ou contato com secreções de animais infectados.

Após a sessão, o Jornal da Guarujá conversou com a voluntária da causa animal Sabrina Zomer, responsável pelo resgate do gato diagnosticado com a doença. Ela contou, em detalhes, como ocorreu o atendimento ao animal e relatou as dificuldades encontradas para identificar qual órgão público deveria prestar assistência.

“Na hora percebi que não era atropelamento”

Segundo Sabrina, moradores do bairro Rio Belo entraram em contato informando que um gato bastante machucado estava circulando pelas ruas e entrando em residências em busca de alimento.

Ela explica que, inicialmente, algumas pessoas acreditavam que o animal tivesse sido atropelado ou atacado por um cachorro. No entanto, ao receber uma fotografia do gato, teve outra impressão.

“Quando me mandaram a foto do animal, na mesma hora acendeu um alerta na minha cabeça. Eu disse: ‘isso não é mordida de cachorro e nem atropelamento. Isso está com cara de esporotricose’. Apesar de ser uma doença nova em Orleans, cidades como Cocal do Sul, Criciúma, Siderópolis e até Florianópolis já enfrentam muitos casos.”

A voluntária conta que foi até o local no mesmo dia para tentar capturar o gato, mas o animal era bastante arisco e fugiu para uma área de mata.

Depois disso, ela montou uma armadilha e somente cerca de uma semana depois conseguiu realizar o resgate.

Durante todo esse período, Sabrina afirma que buscou ajuda junto aos órgãos municipais, mas encontrou dificuldades para descobrir quem seria responsável pelo atendimento.

Ela conta que procurou inicialmente a Vigilância Epidemiológica.

“Eu fui pessoalmente até a Vigilância Epidemiológica procurando orientação. Lá me explicaram muito claramente que o setor atende seres humanos e que não era responsabilidade deles cuidar do animal. Até aí eu compreendi.”

Depois disso, buscou a Fundação Ambiental Municipal (Famor).

Segundo Sabrina, o órgão informou que o caso deveria ser encaminhado ao setor de Bem-Estar Animal.

Ela afirma que entrou em contato com o setor indicado, mas recebeu uma nova negativa.

“Quando falei com o Bem-Estar Animal, me disseram que também não era com eles e que eu deveria procurar novamente a Vigilância Epidemiológica. Eu respondi que já tinha ido até lá e que eles haviam explicado que atendiam apenas pessoas. A resposta que recebi foi: ‘não sei, mas com nós também não é’.”

Segundo a voluntária, naquele momento ficou sem saber a quem recorrer.

“Eu fiquei tentando encontrar alguém que assumisse essa situação. Era um animal sem dono, circulando pelas ruas, e a esporotricose é uma zoonose que também pode passar para o ser humano. Imaginei que seria uma responsabilidade do poder público, mas infelizmente ninguém assumiu esse caso.”

Atendimento particular

Sem conseguir apoio, Sabrina decidiu levar o gato para uma clínica veterinária particular.

“Eu mesma paguei consulta, exames e todo o atendimento. Como era um animal sem tutor, muito arisco e já bastante debilitado, infelizmente não havia condições de realizar um tratamento longo. Depois da confirmação da doença, foi necessária a eutanásia.”

Ela também relatou que descobriu outra informação importante durante o processo.

“Eu nem sabia, mas um animal com esporotricose não pode ser enterrado. Ele precisa ser cremado para evitar riscos de contaminação.”

Segundo Sabrina, o diagnóstico foi confirmado após a realização de quatro exames laboratoriais.

Lei municipal

Durante a entrevista, Sabrina também chamou atenção para a Lei Municipal nº 1.435/1998, que trata dos animais errantes em Orleans.

Segundo ela, a legislação estabelece que animais sem tutor são de responsabilidade do município.

“Essa lei continua em vigor. Ela diz que o município deve recolher animais errantes, prestar o atendimento necessário e depois dar o destino adequado. Por isso eu fiquei sem entender por que ninguém assumiu esse caso.”

Zoonoses esclarece atribuições

Também ouvido pelo Jornal da Guarujá, o coordenador de Zoonoses, Luiz Felipe Garcia, explicou que os agentes de combate às endemias possuem funções estabelecidas pela Lei Federal nº 11.350/2006 e que o atendimento veterinário de animais não faz parte das atribuições do cargo.

“O setor de Zoonoses em Orleans está vinculado ao programa de combate à dengue. Hoje realizamos mutirões de limpeza, controle do mosquito Aedes aegypti, borrifação residual e outras ações preventivas. O atendimento clínico de um animal depende de um médico-veterinário e foge das atribuições dos agentes de combate às endemias.”

Segundo Luiz, exercer uma função diferente daquela prevista em lei poderia, inclusive, caracterizar desvio de função.

“Nós somos servidores públicos e precisamos atuar dentro daquilo que a legislação determina. Não podemos assumir uma responsabilidade que legalmente não pertence ao nosso cargo.”

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