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Giovana Mondardo atribui eleição à Câmara Federal a trabalho e diz que resultado superou expectativa

Vereadora de Criciúma foi eleita deputada federal com 114.792 votos e afirma que pretende levar para Brasília uma atuação baseada no diálogo e na representação do Sul catarinense

Por Ligado no Sul06/10/2026 15h00
Foto/Divulgação

Eleita deputada federal por Santa Catarina com 114.792 votos, Giovana Mondardo (PCdoB) avaliou, na manhã desta terça-feira (6), o resultado das urnas e afirmou que a votação alcançada superou as próprias expectativas. A vereadora de Criciúma também falou sobre a futura atuação em Brasília e os próximos passos até assumir o mandato na Câmara dos Deputados.

Em entrevista ao Jornal da Guarujá, Giovana afirmou que a eleição é resultado de um trabalho construído ao longo dos últimos anos. Em 2022, ela também disputou uma vaga na Câmara Federal, mas não foi eleita.

“Trabalhei quatro anos para essa eleição, me dediquei muito para isso. Passei por uma eleição municipal em que fui a mais votada. Em 2022, fiz uma campanha num curto período de tempo, acabei sendo candidata a deputada federal três meses antes da eleição. Agora, estou trabalhando há muito mais tempo, me organizei, amadureci e cresci”, afirmou.

Giovana terminou a eleição deste ano como a oitava candidata mais votada para a Câmara dos Deputados em Santa Catarina, com 114.792 votos, equivalentes a 2,69% dos votos válidos destinados ao cargo.

A deputada federal eleita disse que esperava conquistar uma cadeira, mas admitiu que o número final de votos ficou acima do projetado pela campanha.

“Eu, honestamente, não esperava fazer quase 115 mil votos. Eu tinha me organizado para fazer um pouquinho menos, que já me colocaria eleita. Certamente foi um resultado que me chamou muita atenção. A gente tinha uma campanha muito espalhada pelo estado todo”, destacou.

Questionada sobre ter conseguido votos de eleitores que escolheram candidatos de direita para outros cargos, Giovana atribuiu parte desse resultado ao trabalho desenvolvido em Criciúma e à construção de uma atuação regional.

“Eu acho que se explica isso com trabalho. Primeiro porque consegui organizar uma campanha espalhada pelo estado e que me colocou na condição de uma liderança estadualizada”, disse.

Segundo ela, a presença de poucos representantes de esquerda no Sul catarinense também contribuiu para ampliar sua atuação para além de Criciúma.

“Ser de esquerda na região Sul também é estar diante de um vácuo de representatividade. Isso me coloca numa condição de muita responsabilidade, porque o trabalho é praticamente regional e essa representação é buscada também pelos municípios da região”, afirmou.

Giovana reconheceu ainda a existência do chamado “voto misto”, quando o eleitor escolhe candidatos de diferentes campos políticos na mesma eleição.

“Esse voto que aparece, muitas vezes um voto misto, é por trabalho, por reconhecimento, por às vezes ter o nome mais conhecido. Isso acontece. Furar a bolha pode ser, mas tem um elemento aí que ainda precisa ser explicado e que ainda não está bem claro para mim também”, acrescentou.

Atuação em Brasília

Sobre o mandato que começa em 2027, Giovana afirmou que pretende manter o diálogo como uma das bases de sua atuação na Câmara dos Deputados.

“O diálogo e o respeito pelas pessoas são, para mim, estritamente necessários”, declarou.

A deputada federal eleita disse ainda que pretende representar em Brasília uma parcela do eleitorado catarinense identificada com o campo progressista.

“Na Câmara, quero poder representar os desejos da renovação de Santa Catarina, de um campo progressista amadurecido e renovado”, afirmou.

Segundo turno presidencial

Durante a entrevista, Giovana também falou sobre o segundo turno da eleição presidencial e afirmou que pretende participar da campanha do presidente Lula em Santa Catarina. Ela citou a necessidade de buscar principalmente eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno e as novas gerações.

“A gente precisa dominar a linguagem nova da política, uma linguagem adaptada que vem muito forte com as redes sociais. Acho que tem um voto aí disputado, que é o voto das novas gerações, mas por falta de mensagem mesmo”, avaliou.

Ao analisar o desempenho de Lula no primeiro turno, Giovana defendeu mudanças na comunicação da campanha.

“Eu acho que Lula apostou no sentimento de gratidão, de memória histórica, que eu acho que não leva mais as pessoas às urnas. A mensagem precisa ser atualizada, mais campanha na rua. O ritmo da campanha é outro, as pessoas querem ser tocadas e a gente precisa mobilizar sentimentos nesse processo”, afirmou.

Giovana disse que ainda está definindo qual será sua participação na campanha de segundo turno no estado, mas afirmou que o Sul catarinense deverá estar entre as regiões onde pretende atuar.

Nos próximos dias, a vereadora também deverá começar a organizar a transição entre o atual mandato em Criciúma e a preparação para assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados.

“Estou me organizando ainda. Ao longo dessa semana vou tomar algumas decisões a respeito disso, organizar a minha vida para os próximos meses, para poder começar a planejar o mandato”, disse.

Giovana Mondardo integra o grupo de 16 deputados federais eleitos por Santa Catarina e assumirá o mandato em Brasília em 2027.

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