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Confeitaria artesanal transforma ingredientes da Serra Catarinense em experiência e reforça o turismo gastronômico em São Joaquim

Por Ligado no Sul03/07/2026 11h00
Fotos/Divulgação

No inverno, São Joaquim se consolida como um dos principais destinos de frio do país. A paisagem, marcada por geadas e baixas temperaturas, impulsiona um fluxo constante de turistas e movimenta uma cadeia que vai muito além da hotelaria. Gastronomia, agricultura e pequenos negócios locais formam um ecossistema que sustenta a economia da temporada.

Reconhecida por lei como a Capital Nacional da Maçã, São Joaquim é a maior produtora da fruta no Brasil e concentra mais da metade da safra catarinense. O cultivo da maçã, que movimenta o agronegócio e gera emprego e renda na região, também abastece uma cadeia que vai da gastronomia ao turismo de experiência.

Entre esses negócios está a Amor de Ló Confeitaria, que encontrou na confeitaria artesanal uma forma de transformar ingredientes regionais em experiência gastronômica.

A empresa foi criada pela chef pâtissier Bianca Goulart Zanete, 22 anos. O empreendedorismo, no entanto, começou antes da confeitaria: ainda na adolescência, ela trabalhava com maquiagem para clientes locais. A virada veio durante a pandemia, quando deixou a área e precisou reorganizar a renda familiar. Foi desse movimento que nasceu a Amor de Ló, estruturada na valorização da produção regional e na sazonalidade do turismo na Serra. “Comecei fazendo doces e vendendo na rua com a ajuda da minha mãe. Foi algo natural, a gente precisava trabalhar naquele momento e foi a forma que encontramos de começar”, conta.

O início informal evoluiu para encomendas de bolos e sobremesas até a consolidação da marca Amor de Ló. O nome, segundo ela, carrega uma dimensão afetiva e familiar. “Amor de Ló vem do pão de ló, mas também do amor de avós. Minha família sempre teve muita ligação com a cozinha”, diz.

Mais do que uma confeitaria, o negócio se estruturou a partir de um ativo econômico central da Serra Catarinense: a produção agrícola.

A maçã, símbolo de São Joaquim, aparece como um dos principais ingredientes da marca. A empresa desenvolveu inclusive uma criação que ganhou repercussão durante a Festa Nacional da Maçã: o caviar de maçã, servido com sorvete artesanal de caramelo salgado. “Eu já tinha visto outras versões com frutas e pensei: por que não fazer com a maçã, que é o nosso principal produto?”, explica.

Caviar de maçã

A proposta de transformar ingredientes locais em sobremesas sofisticadas também se conecta ao comportamento do turista que visita a região. Em vez de apenas consumo, há uma busca por experiência. “O turista que vem pra Serra quer viver isso, provar coisas diferentes. Não é só comer um doce, é ter uma experiência”

A sazonalidade do turismo de inverno define o ritmo do negócio. Durante os meses mais frios, a demanda cresce de forma significativa. No restante do ano, a estratégia é manter inovação constante para sustentar o movimento. “A alta temporada é no inverno. No restante do ano, a gente precisa criar, testar e inovar o tempo todo”, diz.

Entre os produtos mais procurados está o bolo de crème brûlée com frutas vermelhas cultivadas em São Joaquim. A combinação, que une técnica da confeitaria francesa a ingredientes locais, acabou se tornando o principal produto da casa e um dos mais representativos do trabalho da confeitaria. “Esse bolo representa muito a gente. Tem fruta da região, técnica da confeitaria e a identidade da Serra — é isso que a gente tenta colocar em cada produto”, afirma.

O modelo de negócio acompanha uma tendência mais ampla na Serra Catarinense: a integração entre agricultura e gastronomia como forma de agregar valor à produção local e fortalecer o turismo.

A confeitaria passou a integrar o circuito gastronômico de São Joaquim, ao lado de vinhos de altitude, cafés especiais e produtos que hoje ajudam a sustentar a temporada de inverno na cidade. O setor se apoia cada vez mais na combinação entre produção local e turismo de experiência.

Para Bianca, esse crescimento depende menos de tendência e mais de identidade. “Quem vem pra cá precisa conhecer a Serra de verdade. A gastronomia faz parte dessa experiência tanto quanto as paisagens da região”, diz..

A Amor de Ló se insere em um movimento em que pequenos negócios deixam de ser apenas pontos de venda e passam a ocupar um papel na economia da experiência, conectando produto, território e identidade.

No fim, o que chega à mesa são ingredientes locais transformados em confeitaria autoral, que ajuda a consolidar a Serra Catarinense como destino gastronômico em expansão.

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