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Nosso voto tem consequências. Por Ana Dalsasso

Por Ligado no Sul29/09/2026 14h00
Foto/Ilustrativa

Estamos nos aproximando de mais uma eleição, e talvez seja o momento de lembrar algo que, apesar de simples, muitas vezes é esquecido: votar é uma responsabilidade, não apenas um direito. A cada eleição, ouvimos as mesmas promessas, os mesmos discursos e, muitas vezes, as mesmas justificativas. Mas existe uma pergunta que deveria acompanhar cada eleitor até a urna: o meu voto está sendo uma escolha consciente ou apenas uma reação a interesses, paixões e conveniências pessoais?

Votar é muito mais do que apertar alguns números e confirmar uma escolha. É entregar a alguém uma parcela do poder de decidir os rumos da nossa cidade, do nosso estado ou do nosso país. Por isso, voto não deveria ser dado por amizade, favor, simpatia, pressão ou promessa de benefício pessoal. Tampouco deveria ser resultado de uma escolha automática baseada apenas em ideologia ou em uma disputa de “nós contra eles”.

Antes de escolher um candidato, é preciso conhecê-lo. Conhecer sua trajetória, suas propostas, sua atuação anterior, seus compromissos e, principalmente, avaliar se aquilo que promete é compatível com as atribuições do cargo que pretende ocupar. Mas, há algo ainda mais importante: precisamos entender que o voto não é um projeto pessoal. O candidato que elegemos não governará apenas para nós, para nossa família ou para o grupo com o qual nos identificamos. Ele terá responsabilidades sobre toda a sociedade.

E é justamente aí que deve estar o compromisso de quem recebe um mandato: compreender que representa cidadãos diferentes, com opiniões diferentes, crenças diferentes e condições econômicas diferentes. O representante público não pode enxergar apenas os que pensam como ele. Precisa respeitar também quem discorda. Ideologia não pode estar acima do interesse público. O poder econômico não pode determinar quem merece ser ouvido. E a fé ou a ausência dela não pode definir quem terá seus direitos respeitados.

Da mesma forma, nós, eleitores, precisamos abandonar a ideia de que política se resume a defender o “nosso lado”. Democracia exige participação, mas exige também responsabilidade. É preciso pesquisar, questionar, conferir informações e não acreditar em tudo o que circula nas redes sociais. É preciso olhar para além da propaganda eleitoral e das frases de efeito, porque depois que a urna fecha, as consequências permanecem.

Permanecem na qualidade da educação, na saúde, na segurança, nos impostos, nas oportunidades de trabalho, na administração dos recursos públicos e na vida das próximas gerações. O voto dura alguns segundos. As consequências de uma escolha podem durar anos. Por isso, antes de votar, pense. Não entregue seu voto por conveniência. Não permita que outros escolham por você. E, principalmente, não esqueça que a sua decisão individual interfere na vida de toda a coletividade. O voto é seu. A responsabilidade também.

O voto de cada cidadão tem o mesmo valor. E talvez essa seja uma das maiores forças da democracia: diante da urna, não deveria existir voto de primeira ou de segunda classe. Existe a responsabilidade individual de escolher quem receberá o poder de nos representar. Que cada eleitor exerça esse direito com liberdade, consciência e responsabilidade, porque uma sociedade que escolhe sem pensar também precisa conviver com as consequências de suas escolhas.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.

 

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