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PISA: Um retrato preocupante da educação brasileira. Por Ana Dalsasso

Por Ana Maria Dalsasso15/09/2026 15h00
Foto/Gerada por IA

Os resultados do PISA 2025 deveriam provocar muito mais do que preocupação: deveriam provocar indignação.

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), da OCDE, avaliou alunos de 15 anos de 91 países e economias. Mais do que verificar conteúdos decorados, serve para medir a capacidade de utilizar conhecimentos para ler, interpretar, raciocinar, resolver problemas e aplicar o que se aprendeu em situações reais. E o Brasil foi mal. Muito mal.

Entre os 91 participantes, ficamos em 71º lugar em Matemática, 67º em Ciências, 52º em Leitura e 70º em Resolução de Problemas Computacionais.

Em Matemática, 72% dos estudantes brasileiros não atingiram o nível básico de proficiência; em Leitura, apenas 49% alcançaram o nível mínimo esperado; em Ciências, somente 48%.

É difícil não perguntar: estamos diante de uma crise educacional ou de um verdadeiro projeto de emburrecimento?

Há anos lemos nos planejamentos escolares a expressão “desenvolver o espírito crítico”. Mas pensamento crítico não nasce no vazio. Para questionar, analisar, comparar e argumentar, o aluno precisa primeiro conhecer e compreender. Precisa de repertório, informação, precisão e conhecimento prévio. Base essa construída na leitura, na matemática e nas ciências. Justamente onde estamos sendo reprovados.

Um jovem que não compreende o que lê terá dificuldade para distinguir fatos de opiniões e poderá ser facilmente conduzido por discursos, propaganda e desinformação. Quem não domina matemática terá dificuldade para entender juros, impostos, inflação, endividamento e até quanto paga pelo que consome.

Um povo que não lê não consegue avaliar adequadamente propostas de governo. Um povo que não sabe calcular não compreende plenamente sua própria realidade econômica. E uma população sem conhecimento torna-se muito mais vulnerável à manipulação.

Educação não é apenas preparar para uma profissão. É preparar para a vida, para a cidadania e para a liberdade de pensar. Sem educação de qualidade, comprometemos a produtividade, a geração de riqueza e as oportunidades de trabalho. Aumentam a vulnerabilidade social, o endividamento e as dificuldades que atingem milhões de brasileiros.

O PISA está nos mostrando, mais uma vez, que o Brasil precisa parar de comemorar matrículas, discursos e diplomas e voltar sua atenção para aquilo que realmente importa: ensinar nossos jovens a ler, compreender, calcular, conhecer e pensar. Não basta manter o aluno na escola. É preciso garantir que ele aprenda. Porque sem educação, o futuro de uma nação fica comprometido. E o futuro do Brasil não pode continuar sendo reprovado.

 

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.

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