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A força da união para transformar o potencial da Serra Catarinense em desenvolvimento
Por Ligado no Sul16/07/2026 15h30
A Serra Catarinense vive um momento em que diferentes forças começam a se conectar. O crescimento do turismo, a valorização das paisagens naturais e a busca por experiências ligadas à natureza e à cultura local despertaram um novo olhar dos investidores sobre a região.
Municípios como São Joaquim, Urubici e Bom Jardim da Serra passaram a ser vistos não apenas como destinos turísticos, mas como territórios com potencial para novos negócios, valorização imobiliária e geração de renda.
Mel Mendes, coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento Imobiliário de São Joaquim e corretora de imóveis, a Serra Catarinense representa hoje uma nova fronteira de desenvolvimento em Santa Catarina. “Eu ouso dizer que a Serra Catarinense hoje é a nova fronteira do desenvolvimento imobiliário em Santa Catarina. São Joaquim, Urubici e Bom Jardim são para nós o que Gramado representa para os gaúchos e Campos do Jordão para os paulistas”, afirma.
Segundo ela, esse movimento não surgiu de forma repentina. A construção do turismo na região começou há décadas, com iniciativas que ajudaram a criar uma identidade e preparar o terreno para o momento atual. “A semente foi plantada há 20, 25 anos. O que estamos colhendo agora é fruto desse trabalho. A Serra ainda tem muito a desenvolver, mas quem chega primeiro encontra grandes oportunidades”, destaca.
O mercado imobiliário acompanha essa transformação. Empreendimentos voltados ao turismo, propriedades rurais, hospedagens e condomínios começam a ganhar espaço em uma região que passou a atrair pessoas em busca de qualidade de vida, contato com a natureza e novas experiências.
Mas, para Mel, o diferencial da Serra Catarinense está justamente naquilo que ela tem de único: sua identidade. “Gramado foi construída por um turismo de consumo. A Serra Catarinense tem uma característica diferente: nós temos um turismo de experiência. É o turismo do fogão a lenha, do vinho, do silêncio, da alma. É viver primeiro a experiência para depois consumir”, explica.
Essa mudança de perfil também aparece no crescimento das vinícolas e do turismo rural. A produção de vinhos de altitude, a gastronomia e a cultura do campo passaram a integrar uma nova forma de receber visitantes. “O vinho trouxe um turismo de maior valor agregado, um turismo mais refinado, em que a pessoa não busca apenas o produto, mas quer conhecer a história, o território e a experiência”, afirma Mel.
Para que esse crescimento aconteça de forma organizada, o associativismo surge como uma peça fundamental. Segundo Felipe Padilha Pagnussat, presidente da Associação Comercial de São Joaquim, o desenvolvimento do turismo depende da união entre empresários, entidades e poder público. “O turismo é uma atividade que exige profissionalismo e preparação. O turista busca cada vez mais experiências, e nós precisamos estar à altura das nossas belezas naturais e dos nossos atrativos”, afirma.
Embora a agricultura continue sendo a principal base econômica do município, Felipe observa que o turismo vem ampliando sua participação. “Hoje a agricultura ainda representa aproximadamente 80% do rendimento do município. É uma atividade consolidada e continuará tendo grande importância, mas o turismo é uma atividade nova, com muito potencial para crescer”, explica.
A Associação Comercial de São Joaquim trabalha atualmente com 148 associados e atua por meio de núcleos temáticos, reunindo diferentes setores, como hospedagem, gastronomia, agronegócio e mercado imobiliário. “Através dos núcleos conseguimos organizar os setores, buscar capacitação, levantar informações e aproximar os empresários do poder público. O desenvolvimento precisa ser construído em conjunto”, destaca Felipe.
A Serra Catarinense vive, assim, um momento de transição. O desafio não é apenas atrair investimentos, mas garantir que esse crescimento aconteça preservando aquilo que torna a região especial.
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Urussanga retoma coleta de resíduos volumosos e reforça orientações para o descarte correto
Por Ligado no Sul16/07/2026 14h30
Foto/Assessoria de Imprensa – Prefeitura de Urussanga
A coleta de resíduos volumosos foi retomada em Urussanga, uma iniciativa que facilita o descarte adequado de móveis, sofás, colchões e outros objetos de grande porte que não são atendidos pela coleta convencional. O serviço havia sido suspenso temporariamente devido a questões relacionadas ao processo licitatório entre o Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos Urbanos da Região Sul (CIRSURES) e a empresa responsável pela destinação final dos resíduos.
A ação integra o programa Urussanga Sustentável, desenvolvido pelo Governo Municipal, por meio da Diretoria de Meio Ambiente (DMA), com o objetivo de incentivar o descarte ambientalmente correto e reduzir os pontos de descarte irregular no município. Desde a implantação do programa, quase 17 toneladas de resíduos volumosos já foram recolhidas.
Segundo o secretário de Desenvolvimento, Leonardo Felippe, a retomada do serviço fortalece as ações municipais com foco na sustentabilidade. “Queremos que os moradores saibam que existe uma forma gratuita e adequada de descartar móveis e outros resíduos volumosos. Com a participação de todos, conseguimos reduzir os pontos de descarte irregular e construir uma cidade mais limpa e sustentável para todos”, ressalta.
Solicitação pelo aplicativo Urussanga Digital
Os pedidos de coleta devem ser realizados pelo aplicativo Urussanga Digital. Após acessar a plataforma, o usuário deve selecionar a opção Departamento de Meio Ambiente e, em seguida, Cadastro de Resíduos Volumosos.
No formulário, é necessário informar os dados do solicitante, o endereço para recolhimento e anexar uma fotografia dos materiais. As solicitações passam por análise técnica antes de serem incluídas no cronograma de coleta.
De acordo com o analista ambiental, Osmanny Melo, esse procedimento é necessário para organizar os atendimentos. “A análise de cada solicitação é uma etapa importante para garantir que a coleta atenda exclusivamente os resíduos contemplados pelo programa, e que o cronograma seja organizado da melhor forma. Também reforçamos que o descarte irregular de resíduos é proibido, pode gerar multas e, em alguns casos, configurar crime ambiental”, comenta.
O programa contempla o recolhimento de resíduos volumosos de uso doméstico, como sofás, colchões, móveis e outros objetos de grande porte. Não são recolhidos entulhos da construção civil, galhos, troncos, restos de vegetação, pneus e resíduos químicos ou perigosos.
Além da coleta de resíduos volumosos, o município disponibiliza dois pontos para o descarte de lixo eletrônico: um na Rodoviária Municipal e outro ao lado do Departamento de Planejamento, no Paço Municipal.
Endividamento das famílias em SC atinge maior nível em dois anos, aponta Fecomércio SC
Por Ligado no Sul16/07/2026 13h30
Foto/Fecomércio
O endividamento das famílias catarinenses atingiu o maior patamar dos últimos dois anos em junho de 2026, ao alcançar 76,3%, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Fecomércio SC. Apesar da alta, o indicador permanece abaixo da média nacional, que está em 81,3%.
O avanço do endividamento ocorre em um contexto de melhora nos indicadores de inadimplência. O percentual de famílias com contas em atraso recuou para 25,4%, queda de 2,0 pontos percentuais em relação a maio e também inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Além disso, a parcela de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas também apresentou leve redução, passando de 10,3% para 9,9% em junho. O resultado reforça um cenário de comportamento misto no orçamento das famílias, com maior acesso ao crédito, mas sem deterioração significativa da capacidade de pagamento.
Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, o cenário ainda exige cautela. “O ambiente macroeconômico segue desafiador, com taxas de juros ainda muito elevadas, o que impacta diretamente o consumo e a atividade econômica como um todo. A queda da inadimplência é uma boa notícia, mas precisa ser acompanhada com atenção nos próximos meses para confirmar uma tendência mais consistente”, avalia.
Outro fator que contribui para um ambiente de maior prudência é o cenário eleitoral, que costuma gerar incertezas tanto para consumidores quanto para o setor produtivo, influenciando decisões de consumo e investimento.
Mesmo com o avanço recente, Santa Catarina segue entre os estados com menor nível de endividamento do país. No comparativo anual, porém, o indicador subiu 6,1 pontos percentuais, evidenciando uma tendência de crescimento ao longo dos últimos meses.
Entre os principais tipos de dívida, o cartão de crédito continua liderando com ampla margem, presente em 76,3% dos lares endividados, seguido pelos carnês e pelo crédito pessoal, que vem ganhando participação.
Os dados da PEIC indicam, portanto, um cenário de equilíbrio delicado: enquanto o crédito segue impulsionando o consumo, as famílias ainda enfrentam desafios para manter suas finanças sob controle em um ambiente econômico mais restritivo.
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A Serra Catarinense como marca
Por Ligado no Sul16/07/2026 13h00
Falar em turismo durante muito tempo, significava pensar no ponto final da cadeia: o hotel que recebe, o restaurante que serve, a atração que encanta e o visitante que vai embora. A lógica, no entanto, tornou-se mais complexa. Em um mercado cada vez mais competitivo, não basta ter uma paisagem bonita, uma boa gastronomia ou uma hospedagem confortável. O desafio passou a ser construir uma experiência capaz de despertar desejo antes da viagem, confirmar expectativas durante a visita e permanecer na memória depois que o turista retorna para casa.
É nesse ponto que o turismo começa a se aproximar do universo das marcas.
A Serra Catarinense já possui alguns dos elementos mais valorizados pelo viajante contemporâneo: paisagens naturais, frio, possibilidade de neve, vinhos, gastronomia, cultura, turismo rural e uma identidade própria. O desafio, agora, é compreender como esses atributos podem ser organizados em uma narrativa capaz de tornar a região mais reconhecida, desejada e competitiva.
Para o empresário Edu Debiasi, fundador da Nexa Brand, agência de branding e posicionamento de marcas sediada em Orleans, o turismo precisa ser analisado como um negócio completo. Não basta oferecer um produto. É necessário entender quem é o consumidor, quais são suas expectativas e de que maneira a experiência entregue consegue gerar valor. “Dentro de uma empresa, no final, precisamos gerar valor para o consumidor. Então entendemos esse consumidor, trabalhamos a marca, a expectativa e a comunicação para fazer com que essa expectativa gere um desejo. Esse desejo se concretiza através de uma entrega que vira uma experiência e gera valor no final”, explica.
Aplicada a um território, essa lógica ganha uma dimensão ainda maior. Uma cidade ou uma região também pode ser percebida como uma marca. Antes mesmo de colocar os pés na Serra, o visitante já chega com uma imagem construída por fotografias, vídeos, campanhas, relatos de amigos e redes sociais. A expectativa é criada antes da viagem. O destino, então, precisa entregar uma experiência compatível com aquilo que prometeu.
Se a experiência é positiva, o visitante retorna, recomenda e passa a estabelecer uma relação afetiva com o lugar. O resultado não é apenas a satisfação de um turista, mas a construção de reputação — um ativo que, no turismo, pode valer tanto quanto uma nova atração. “O lugar também é uma marca. As pessoas de fora criam expectativas sobre a Serra, seja pela neve, pelo vinho, pela paisagem ou por tudo aquilo que a comunicação apresenta. A pessoa cria um desejo, vem para cá e tem contato com a experiência. Se essa experiência é positiva, ela indica, volta e continua ligada ao lugar”, afirma Debiasi.
O crescimento do turismo também trouxe um desafio menos visível: entender que não existe um único tipo de turista.
Há quem procure o frio e a neve. Há quem viaje em busca de gastronomia, vinhos, aventura, natureza, cultura ou experiências rurais. Há visitantes que chegam de cidades próximas, com menor custo de deslocamento, e outros que atravessam longas distâncias para conhecer a região. Há ainda diferenças culturais entre quem vem de outros estados brasileiros e visitantes estrangeiros.
Compreender essas diferenças é fundamental. Uma região pode oferecer produtos para diferentes faixas de consumo sem perder sua identidade. “Você pode ter opções mais acessíveis e opções mais sofisticadas, mas dentro de uma mesma identidade. A pessoa que vem para cá quer experimentar o vinho, os pratos típicos, uma cerveja artesanal, quer sentir a essência do lugar”, afirma.
A questão, portanto, não é transformar a Serra em um produto único e padronizado. É justamente o contrário. O desafio está em identificar o que existe de singular na região e fazer com que diferentes experiências contribuam para uma percepção comum.
O visitante pode escolher um hotel simples ou uma hospedagem sofisticada. Pode frequentar um restaurante de ticket médio mais baixo ou uma experiência gastronômica de alto padrão. O que precisa permanecer é a sensação de que ele está vivendo algo que pertence à Serra.
Da beleza natural à experiência
A paisagem é, muitas vezes, o primeiro argumento de venda de um destino. Mas dificilmente é suficiente para garantir o retorno do visitante. A Serra Catarinense possui o cenário. O desafio é transformar esse cenário em experiência.
Isso significa oferecer ao visitante mais do que uma fotografia diante de uma paisagem. Significa permitir que ele conheça uma produção de maçã, prove um vinho produzido na região, descubra uma receita tradicional, entenda a cultura local ou passe alguns dias em contato com um modo de vida diferente daquele que encontra em seu cotidiano. “Cada turista tem uma característica. Alguns procuram religião, outros cultura, natureza ou inverno. Mas existe um ponto em comum: as pessoas querem novas experiências. Elas não querem apenas passar por um lugar. Querem vivê-lo, entender sua cultura e conhecer aquilo que existe de único ali”, observa Debiasi.
É uma mudança importante no comportamento do consumidor. O turismo de passagem perde espaço para o turismo de pertencimento. O visitante não quer apenas conhecer um destino. Ele quer construir uma história sobre aquele destino.
Essa transformação também exige qualificação. O crescimento do turismo não depende apenas da abertura de novos hotéis ou restaurantes. É necessário preparar as pessoas que estarão na linha de frente da experiência. O atendimento, a comunicação, a compreensão do perfil do visitante e a capacidade de transformar uma prestação de serviço em uma experiência são elementos que passaram a fazer parte da competitividade turística.
Outro desafio é fazer com que os empreendedores enxerguem o desenvolvimento da região como uma construção coletiva.
Um hotel depende de restaurantes, atrativos, estradas, serviços, mão de obra e divulgação. Um restaurante depende do fluxo de visitantes gerado por toda a região. Uma cidade depende das demais cidades que integram o destino turístico. Nenhum empreendimento funciona completamente isolado.
Debiasi recorre a uma frase do filósofo espanhol José Ortega y Gasset para explicar essa relação: “Eu sou eu e minhas circunstâncias”. “Eu posso ter a maior estrutura, a maior pousada e as coisas mais bonitas, mas dependo do poder público, da cultura, do desenvolvimento local e das pessoas que trabalham comigo. É preciso essa interdependência, essa cooperação. No final, todo mundo só ganha se todo mundo ganhar”, afirma.
A lógica é particularmente importante para a Serra Catarinense, onde diferentes municípios compartilham características, atrativos e desafios. Uma campanha isolada pode beneficiar um empreendimento. Uma estratégia regional pode transformar a percepção de todo o destino.
É nesse contexto que surge o conceito de place branding, uma vertente do branding voltada à construção da imagem, da reputação e da percepção de valor de um lugar. O conceito parte de uma pergunta aparentemente simples: pelo que uma cidade ou região deseja ser reconhecida?
Pomerode é associada à cultura germânica. Nova Veneza construiu uma identidade ligada à herança italiana. A Amazônia remete à floresta. O Peru, à cultura inca e à história de suas civilizações. São lugares que, antes mesmo de serem visitados, já carregam uma imagem na mente das pessoas.
A Serra Catarinense também possui atributos reconhecíveis. O frio, a neve, as araucárias, os vinhos, a gastronomia e as paisagens de altitude fazem parte desse imaginário. O desafio está em organizar essa identidade e transformá-la em uma experiência coerente para quem vive na região e para quem chega como visitante.
A construção de uma marca territorial, no entanto, não pode ser confundida com uma campanha publicitária. Uma campanha pode criar desejo. Mas é a experiência real que determina se esse desejo será confirmado ou frustrado.
Se a comunicação promete neve, mas o visitante encontra uma estrutura despreparada para recebê-lo; se a região vende gastronomia, mas não há qualificação suficiente; se divulga natureza, mas não preserva seus atrativos, a marca perde valor.
Por isso, o desenvolvimento turístico depende de um alinhamento entre poder público, iniciativa privada, empreendedores e comunidade.
A Serra Catarinense tem os elementos que despertam o desejo. O próximo passo é compreender como transformá-los em uma experiência capaz de gerar retorno, recomendação e vínculo.
O visitante pode até esquecer o nome de um restaurante ou o número do quarto em que ficou. Mas dificilmente esquece a sensação que uma viagem lhe proporcionou. É justamente nessa memória que uma região começa a se transformar em destino. E, quando um destino consegue criar valor, a paisagem deixa de ser apenas bonita: passa a ser reconhecida, desejada e capaz de movimentar uma economia inteira.