Santa Catarina tem focos de Aedes aegypti em 75% dos municípios e já soma mais de 1,4 mil casos prováveis de dengue em 2026
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive) identificou focos do mosquito Aedes aegypti em três de cada quatro municípios catarinenses neste ano. O Mapa Epidemiológico Estadual aponta 185 cidades em situação de infestação e outras 42 com presença de criadouros, somando mais de 9,3 mil pontos de reprodução do inseto.
A condição atinge todo o Grande Oeste, Litoral Norte e Vale do Itajaí, além de parte da Grande Florianópolis, Litoral Sul e Planalto Norte. Somente em 2026, mais de 1,4 mil casos prováveis de dengue já foram registrados em Santa Catarina.
O diretor da Dive, João Fuck, avalia que o cenário confirma as projeções feitas para o ano e alerta para a necessidade de reforço nas ações de combate ao mosquito, especialmente durante o verão.
“Nós estamos em um período muito favorável para a reprodução do mosquito, com temperaturas elevadas, as chuvas também marcadas e constantes. É momento de reforçar as ações, até porque o que a gente está vendo está concretizando o que a gente tinha de previsão”, afirmou.
Segundo ele, a expectativa era de aumento na transmissão em relação a 2025, embora sem repetir a magnitude observada em 2024. “Para este ano aqui no estado, a previsão era que a gente tivesse uma transmissão maior do que aconteceu em 2025, mas não na mesma magnitude do que aconteceu em 2024. Então a gente deve ter um impacto maior dessas doenças acontecendo. Os dados começam a mostrar isso, mostrando que essa previsão está se concretizando”, explicou.
O diretor reforça que o enfrentamento depende da participação da população. “Acho que as pessoas precisam entender que o mosquito Aedes aegypti não vem de fora, ele está aqui. Certamente, se cada um fizer sua parte, eliminando os locais do mosquito, a gente consegue prevenir três doenças, que são a dengue e a chikungunya, que estão mais presentes, mas também o zika vírus”, destacou.
Vacinação ampliada
Desde janeiro, a vacinação contra a dengue foi ampliada para os 295 municípios catarinenses, seguindo orientação do Ministério da Saúde.
“O Ministério ampliou para todo o país, orientando que todos sigam essa estratégia nacional, que é vacinar de 10 a 14 anos. Nós fizemos um ajuste na estratégia estadual — estávamos vacinando de 10 a 16 anos em 100 municípios — e voltamos à orientação nacional, vacinando de 10 a 14 anos, ampliando para todos os municípios catarinenses”, explicou João Fuck.
Ele orienta que pais e responsáveis busquem informações junto às secretarias municipais de saúde sobre cronograma e locais de vacinação. “É importante as pessoas ficarem atentas, buscar informação no município sobre quando a vacina vai estar disponível e quais são as unidades que estarão vacinando. Essa é mais uma ação importante. Não vamos proteger a população como um todo, porque a vacinação é restrita aos adolescentes, mas certamente, se a gente conseguir avançar nesse público, protegemos uma parcela da população, evitando especialmente formas graves da doença”, afirmou.
Além da vacinação, a Dive reforça a importância das medidas preventivas para evitar a proliferação do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus. Entre as recomendações estão eliminar recipientes que acumulem água parada, manter piscinas e caixas d’água devidamente vedadas, guardar pneus em locais cobertos e evitar o acúmulo de lixo e entulho em terrenos baldios.
A orientação é que a população redobre os cuidados durante os meses mais quentes e chuvosos, período considerado crítico para a reprodução do mosquito em Santa Catarina.


