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A Serra Catarinense descobriu que sua maior riqueza não está só na terra, mas nas experiências
Por Ligado no Sul07/07/2026 13h30
Serra Catarinense
Durante muito tempo, a Serra Catarinense foi associada principalmente ao frio, à neve e às paisagens de altitude. Hoje, a região tenta transformar esses atributos em uma economia turística mais ampla, baseada em experiências, gastronomia, cultura e novos negócios capazes de movimentar diferentes setores.
Formada por 18 municípios, a Serra Catarinense reúne diferentes vocações turísticas. Cânions, vinícolas, cachoeiras, produção rural, gastronomia e paisagens naturais passaram a compor uma oferta que vai muito além do inverno e busca atrair visitantes durante todo o ano.
Essa transformação também mudou o papel das empresas que trabalham diretamente com os turistas. A profissionalização do turismo receptivo passou a ser uma peça importante para conectar visitantes aos atrativos da região e ampliar o tempo de permanência na Serra.
Foi ao perceber essa mudança ainda em seus primeiros sinais que a turismóloga e empreendedora Fabíola Torga criou, em 2015, a Faby Tour, agência especializada em turismo receptivo na Serra Catarinense. Depois de atuar na hotelaria em Bom Jardim da Serra, ela identificou que havia uma demanda crescente por passeios organizados, mas pouca oferta de empresas preparadas para atender esse público. “Na época já existiam empresas, mas a demanda era maior. Eu enxerguei essa necessidade e decidi criar uma agência para atender esse público e mostrar um pouco da região para quem chegava aqui”, lembra.
Antes de estruturar a operação, Fabíola realizou um inventário turístico de Bom Jardim da Serra, mapeando atrativos com potencial para se transformar em produtos turísticos. O levantamento também contribuiu para estudos utilizados no planejamento do setor, ajudando a organizar informações sobre as possibilidades de desenvolvimento da atividade na região.
Em pouco mais de uma década, o perfil do visitante mudou. A Serra, que durante muito tempo esteve associada principalmente ao turismo romântico de inverno, passou a receber famílias, grupos de amigos e viajantes interessados em experiências mais completas. A origem dos turistas também se diversificou: se antes Rio Grande do Sul e Santa Catarina concentravam grande parte da procura, hoje estados como São Paulo e Rio de Janeiro ganharam espaço, além da presença de visitantes estrangeiros. “O mercado vem se modificando a cada ano. Começamos atendendo principalmente casais, depois vieram as famílias, mais tarde grupos de amigos e hoje recebemos públicos bastante variados, inclusive quem viaja com animais de estimação”, afirma.
A expansão, no entanto, não eliminou um dos principais desafios do setor: a sazonalidade. O inverno continua sendo a alta temporada, especialmente nos meses de junho, julho e agosto, quando a possibilidade de neve e as baixas temperaturas atraem milhares de visitantes. Já períodos de chuva ou meses de menor procura exigem uma oferta turística mais diversificada.
A resposta veio com a criação de novas experiências que não dependem exclusivamente do clima. Vinícolas, espaços gastronômicos, cafeterias e as chamadas packing houses, estruturas ligadas ao processamento e classificação da maçã, passaram a integrar os roteiros, oferecendo alternativas mesmo nos dias em que trilhas e mirantes ficam prejudicados pelo tempo. “Muitas pessoas não sabem o que é uma packing house. Como a Serra é uma das maiores produtoras de maçã do Brasil, esse processo desperta curiosidade e também faz parte da experiência de quem vem conhecer a região”, explica.
A consolidação do turismo também fez com que cada município encontrasse uma identidade própria dentro da Serra Catarinense. Em vez de oferecer exatamente o mesmo produto, as cidades passaram a construir vocações complementares, aumentando o interesse dos visitantes em permanecer mais dias na região.
Conhecida como a Capital das Águas, Bom Jardim da Serra consolidou sua imagem turística a partir dos cânions, do ecoturismo e da Serra do Rio do Rastro, um dos principais cartões-postais de Santa Catarina. Urubici ganhou força com as paisagens naturais, cachoeiras e mirantes, enquanto São Joaquim ampliou sua presença nacional com o enoturismo e as vinícolas de altitude. “Cada cidade tem um perfil diferente de turista. Bom Jardim da Serra é muito forte nos cânions e no ecoturismo, Urubici nas paisagens naturais e nos roteiros cênicos, enquanto São Joaquim tem uma identidade muito ligada ao enoturismo”, afirma.
Essa diversificação ampliou o impacto econômico da atividade. O turismo deixou de movimentar apenas hotéis e pousadas e passou a gerar oportunidades para restaurantes, vinícolas, produtores rurais, empresas de transporte, guias e empreendimentos voltados às experiências.
Em Bom Jardim da Serra, o turismo já ocupa a terceira posição entre as principais atividades econômicas do município, enquanto cidades como Urubici vêm apresentando uma expansão ainda mais acelerada do setor. O avanço acompanha o crescimento de novos empreendimentos e de uma infraestrutura preparada para receber visitantes durante todo o ano.
Para Fabíola, um dos sinais mais claros dessa transformação está justamente na maneira como os atrativos naturais passaram a se transformar em negócios estruturados. “O maior indicativo desse crescimento é o aumento dos atrativos turísticos. Eles deixam de ser apenas lugares naturais e passam a se tornar empreendimentos, com infraestrutura e equipamentos preparados para receber visitantes”, afirma.
Apesar do potencial, a Serra ainda enfrenta um desafio estratégico: tornar-se mais conhecida fora de Santa Catarina. A região reúne características pouco comuns no turismo brasileiro, como a possibilidade de neve, cânions, vinícolas e paisagens de altitude, mas ainda existe um grande público que desconhece essa oferta. “Nossa perspectiva é que o turismo cresça, mas isso não depende apenas de desejo. Precisamos de uma equipe que consiga tornar o nosso destino conhecido em âmbito nacional. Por incrível que pareça, muitas pessoas no Brasil ainda não sabem que neva aqui, não conhecem a Serra do Rio do Rastro e nem sabem que nós existimos”, afirma.
Mesmo com os desafios, a expectativa do setor é de expansão. A próxima etapa, segundo a turismóloga, passa pelo fortalecimento do turismo de experiência, combinando gastronomia, cultura regional e contato mais próximo com a identidade da Serra. “Eu acredito que o turismo de experiência será o segmento que mais vai crescer, principalmente aliado à gastronomia e à cultura regional. É um caminho que pretendemos fortalecer cada vez mais”, projeta.
Há pouco mais de uma década, a Serra Catarinense era procurada principalmente pelo frio e pelas paisagens. Hoje, continua atraindo visitantes por esses mesmos motivos, mas começa a consolidar uma economia baseada na capacidade de transformar natureza, cultura e produção local em experiências organizadas. É essa passagem da contemplação para a experiência que vem redesenhando o turismo e abrindo novas oportunidades de desenvolvimento nas montanhas catarinenses.
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Hospital Santa Otília registra aumento de mais de 100% nos atendimentos e alerta para superlotação do pronto-socorro
Por Ligado no Sul07/07/2026 12h00
Foto/Arquivo
O Hospital Santa Otília, de Orleans, enfrenta um período de alta demanda no pronto-socorro. Segundo a diretora da instituição, Cristiane Vavassori, o número de atendimentos mais que dobrou em relação à média registrada ao longo do ano, impulsionado principalmente pelo aumento dos casos de síndromes gripais durante o inverno.
O hospital costuma realizar cerca de 2.300 atendimentos por mês no pronto-socorro. Atualmente, esse número ultrapassa 5 mil atendimentos mensais, o que tem provocado superlotação em diversos momentos do dia. “Realmente a gente tem vivido momentos de caos. Em alguns horários de pico, caos mesmo. A gente não consegue nem respeitar o tempo da classificação de risco. A maioria dos nossos pacientes é classificada como verde, de baixa prioridade, que teria um tempo de espera de até duas horas. Hoje estamos com pacientes aguardando três, às vezes até quatro horas para atendimento, porque realmente não estamos dando conta da demanda”, afirmou.
Mesmo com reforço nas equipes, a procura continua acima da capacidade de atendimento da unidade. “Na última sexta-feira nós estávamos com dois médicos e cinco enfermeiros trabalhando no pronto-socorro e não estávamos dando conta. Foi um pico de atendimentos e, felizmente, não tivemos nenhuma emergência. Se tivesse ocorrido algum caso grave, realmente isso viraria um caos ainda maior”, relatou.
De acordo com Cristiane, a maior parte dos pacientes atendidos apresenta sintomas gripais e é classificada como de baixa complexidade. Por isso, ela destaca que o combate à superlotação passa também pela prevenção. “Quando a gente olha os gráficos, a maioria dos nossos pacientes é classificada como verde e o maior sintoma é a gripe. Precisamos trabalhar a prevenção. É importante se vacinar, usar máscara quando necessário e adotar medidas que ajudem a controlar a disseminação dos vírus.”
A diretora ressalta que apenas ampliar a estrutura ou aumentar o número de profissionais não é suficiente para resolver o problema se a procura continuar crescendo. “Eu sempre me pergunto o que podemos fazer para melhorar isso. Porque, se eu tiver três médicos, quatro médicos ou dez enfermeiros, vai continuar existindo essa problemática. A gente precisa trabalhar a prevenção. Não é apenas na atenção hospitalar que vamos resolver essa situação. Todos precisam fazer a sua parte.”
Cristiane alerta que o aumento da demanda acompanha o período mais crítico do ano para a circulação de vírus respiratórios em Santa Catarina e reforça que medidas como a vacinação e os cuidados para evitar a transmissão das doenças são fundamentais para reduzir a pressão sobre o pronto-socorro e garantir atendimento mais ágil aos pacientes que realmente necessitam de assistência de urgência.
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Prouni 2026: inscrição gratuita para o 2º semestre começa hoje
As inscrições para o processo seletivo do Programa Universidade para Todos (Prouni) do segundo semestre de 2026 começam nesta terça-feira (7) e seguem até sexta-feira (10). A participação é gratuita e deve ser feita exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, do Ministério da Educação (MEC).
O Prouni oferece bolsas de estudo integrais (100%) e parciais (50%) em cursos de graduação de instituições privadas de ensino superior.
Para participar, o candidato precisa ter concluído o ensino médio, ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024 ou 2025, alcançado média mínima de 450 pontos nas cinco provas e não ter zerado a redação.
Além disso, é necessário atender a pelo menos um dos seguintes critérios:
Ter cursado todo o ensino médio em escola pública;
Ter estudado em escola particular como bolsista integral ou parcial;
Ter cursado parte do ensino médio em escola pública e parte em escola particular;
Ser pessoa com deficiência (PCD), conforme a legislação;
Ser professor da rede pública em exercício que pretenda cursar licenciatura ou pedagogia. Neste caso, não há exigência de limite de renda.
Quem participou do Enem apenas como treineiro não pode se inscrever.
Critérios de renda
Para concorrer às bolsas integrais, a renda familiar bruta mensal por pessoa deve ser de até um salário mínimo e meio.
Já para as bolsas parciais, o limite é de até três salários mínimos por pessoa.
Como funciona a seleção
Caso o estudante tenha participado das duas últimas edições do Enem, será considerada a nota da edição em que obteve a melhor média.
A classificação leva em conta a nota do Enem, o curso escolhido, o turno, a instituição de ensino, o local da oferta e a modalidade de concorrência, que pode ser ampla concorrência ou cotas para pessoas com deficiência e candidatos autodeclarados indígenas, pretos e pardos.
Cronograma
Inscrições: de 7 a 10 de julho;
Primeira chamada: 15 de julho;
Comprovação das informações da primeira chamada: de 15 a 24 de julho;
Segunda chamada: 5 de agosto;
Comprovação da segunda chamada: de 5 a 14 de agosto;
Manifestação de interesse na lista de espera: 26 e 27 de agosto;
Resultado da lista de espera: 1º de setembro.
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Novas intervenções reforçam prevenção a alagamentos em Cocal do Sul
Por Ligado no Sul07/07/2026 11h00
Foto/Assessoria de Imprensa – Prefeitura de Orleans
Cocal do Sul segue avançando em um conjunto de ações para reduzir os impactos das chuvas e minimizar os pontos de alagamento em diferentes regiões do município.
As intervenções fazem parte de um planejamento permanente da Defesa Civil, que reúne melhorias na drenagem urbana, ampliação da captação das águas pluviais e limpeza de rios e córregos.
Segundo o coordenador da Defesa Civil, Luciano Brolesi, o trabalho prioriza os locais que historicamente apresentam problemas durante períodos de chuva intensa.
“Estamos executando obras em pontos estratégicos para aumentar a capacidade de escoamento da água e reduzir os alagamentos. É um trabalho contínuo, baseado no monitoramento das áreas mais críticas e no planejamento de novas intervenções”, destaca.
No bairro Jardim Elizabeth, a Rua Criciúma recebeu três novas grades de captação de água. Outras três foram instaladas na Rua Belo Horizonte, que também teve a drenagem ampliada em dois pontos.
Já na Rua Hilário Guollo foram criados quatro novos pontos de captação para interceptar o fluxo da água antes que ela chegue à Rua Criciúma, onde um novo bueiro foi conectado a uma rede de drenagem de maior capacidade, melhorando o escoamento no local.
No bairro Jacinta Redivo, as melhorias contemplaram o trecho entre a Rua Primavera e as proximidades do Alfa Veículos, com a instalação de oito bocas de lobo. A Rua Demétrio Betiol recebeu dois novos pontos de captação, além de outras estruturas implantadas na Rua Jacinta Redivo e nos loteamentos Piemonte 1 e 2.
O planejamento também prevê o remanejamento de parte da drenagem desses loteamentos para a Rua Primavera, diminuindo o volume de água que segue em direção à região do Alfa Veículos. Outra intervenção vai direcionar a tubulação próxima à academia até a rótula do Serranista, conduzindo a água diretamente ao rio.
As melhorias também chegaram ao bairro Horizonte, incluindo a Rua Antônio Marcelino e a região do Alphaville. Até o momento, cerca de 60 novas estruturas de captação de água já foram implantadas em diferentes pontos da cidade. No bairro Boa Vista, duas novas bocas de lobo serão construídas para eliminar os alagamentos registrados em frente à Arena.
Além das obras de drenagem, a Defesa Civil mantém um cronograma permanente de limpeza de rios e córregos. Após a conclusão dos trabalhos na região de Ferreira Pontes, as equipes concentrarão esforços no Rio Perso e no Rio Comprudente, nas proximidades do Sete Lagos. O objetivo é desobstruir os leitos, aumentar a capacidade de vazão e reduzir os riscos de transbordamentos.
“O comportamento das chuvas tem mudado e exige que o município esteja preparado. Por isso, seguimos investindo em ações preventivas que garantam mais segurança para a população e reduzam os impactos causados pelos eventos climáticos”, conclui Brolesi.