Pronto-socorro de Braço do Norte registra superlotação e chega a 212,5% de ocupação
O pronto-socorro do Complexo Hospitalar Santa Teresinha, em Braço do Norte, registrou índices de ocupação acima da capacidade na última semana. As salas vermelha e amarela chegaram a 200% de ocupação, enquanto a sala de observação atingiu 212,5%. Segundo o hospital, o aumento da procura está relacionado principalmente ao período de maior circulação de doenças respiratórias, mas também inclui atendimentos de maior gravidade.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o diretor técnico do hospital, Dr. Marcelo Brum Vinhas, explica que a segunda-feira tradicionalmente apresenta um aumento na procura pelo pronto-socorro, mas o que chamou a atenção na última semana foi a quantidade de pacientes em estado grave.
“A gente sempre tem um acréscimo de 20% a 30% do movimento e, baseado nisso, a gente aumentou o quantitativo de médicos na segunda-feira já há um mês e pouco. Mas nessa última segunda teve esse aumento e a gente observou que foi de pacientes graves. Sala vermelha e sala amarela, que é o que chama bastante atenção”, relata.
Segundo o diretor técnico, o período de maior pressão durou aproximadamente quatro a cinco horas. Parte dos pacientes classificados como casos graves precisou ser encaminhada para unidades de terapia intensiva da região.
Transferência de pacientes graves aumenta tempo de atendimento
Dr. Marcelo explica que a transferência de um paciente para uma UTI depende de uma série de etapas e contatos entre o hospital, a Central de Regulação, a unidade que receberá o paciente e o serviço de transporte.
“A maioria deles, principalmente sala vermelha, vão para UTIs da região. É um processo um pouco longo, porque são vários contatos telefônicos, central de regulação com a própria UTI, com o transporte. Então isso acaba levando um tempo grande”, explica.
Apesar da pressão registrada durante parte do dia, a situação foi normalizada posteriormente.
“A gente tem enfrentado constantemente o pronto-socorro com superlotação, mas não chegando a esse número de 200%. Foi um fato isolado ali na segunda passada, mas a gente tem enfrentado já há alguns meses o pronto-socorro sempre com uma taxa de ocupação muito alta”, afirma.
A procura pelo pronto-socorro do hospital vem aumentando nos últimos anos. De acordo com o diretor técnico, antes da pandemia de Covid-19 eram registrados entre 20 mil e 30 mil atendimentos por ano. Durante a pandemia, o número chegou a aproximadamente 40 mil a 41 mil e, no ano passado, alcançou o recorde de 42 mil atendimentos.
Para o Dr. Marcelo, o crescimento está relacionado não apenas às doenças respiratórias, mas também ao aumento da população e à maior confiança dos moradores nos serviços oferecidos pelo hospital.
“A população aumentando e envelhecendo. A gente vê que a população começa a confiar cada vez mais no hospital e a gente tem trabalhado para isso, exatamente para mostrar a qualidade do hospital”, destaca.
O diretor observa ainda que moradores que anteriormente buscavam atendimento em cidades como Tubarão e Criciúma passaram a permanecer mais na própria região.
Doenças respiratórias aumentam procura no inverno
O período de temperaturas mais baixas contribui para o aumento dos atendimentos relacionados a doenças respiratórias. No entanto, segundo Brum Vinhas , esse não é o único fator responsável pela movimentação no pronto-socorro.
“Assim, a procura no pronto-socorro não é só das respiratórias, mas também desses pacientes, por exemplo, mais graves que a gente tem. Infartos, AVC e tudo mais que procuram ali também o hospital”, explica.
Ao mesmo tempo, uma parcela significativa dos atendimentos é formada por pacientes classificados como de menor gravidade, que procuram a unidade para avaliação médica, exames ou tratamento.
“O grande número são pacientes não graves. Acabam procurando ali para fazer o diagnóstico, um raio-X, um exame de sangue, receber um antibiótico ou não, independente da avaliação do médico”, afirma.
Segundo o diretor, são justamente esses atendimentos classificados como verde e azul que podem contribuir para o aumento do tempo de espera, enquanto os pacientes classificados como vermelho e amarelo recebem atendimento prioritário.
Diante do aumento contínuo da demanda, o Complexo Hospitalar Santa Teresinha já trabalha em um projeto de ampliação do pronto-socorro.
O projeto está em fase de estudos e ainda precisa passar pela avaliação e validação do Estado antes de entrar na etapa de execução.
A ampliação está relacionada também a outras mudanças estruturais previstas para o hospital. Um novo centro cirúrgico está sendo construído em um complexo específico e, conforme a previsão apresentada pelo diretor, deve ser concluído até meados de 2027. Depois disso, a intenção é avançar com a ampliação do pronto-socorro.
“Temos um projeto de ampliação do pronto-socorro para pensar, inclusive, que esse número vai aumentar. Vai chegar a mais de 50 mil atendimentos nos próximos anos, com certeza”, projeta.
Enquanto a ampliação não acontece, o hospital adotou medidas para melhorar o fluxo e reduzir a permanência de pacientes nos corredores.
Após a transferência do centro de imagens para uma nova área, algumas salas foram liberadas. O hospital realizou pequenas reformas e passou a utilizar os espaços para ampliar a sala de observação e criar uma área de medicação.
“Conseguimos fazer uma sala de observação maior, que não fica no corredor, e uma outra sala de medicação. A gente fez uma reforma pequena e conseguiu deslocar as pessoas dos corredores. Aumentou um pouquinho o espaço e já dá uma melhorada”, explica.
Segunda-feira é tradicionalmente dia de maior movimento
O aumento da procura observado na última segunda-feira não é considerado uma situação incomum nos serviços de emergência. Segundo o diretor técnico, hospitais e unidades de pronto atendimento costumam registrar maior movimento no início da semana.
A explicação está, em parte, no comportamento dos pacientes durante o fim de semana, quando algumas pessoas adiam a busca por atendimento e procuram o serviço somente na segunda-feira. Brum Vinhas também cita que há procura relacionada à necessidade de avaliações médicas e emissão de atestados, inclusive de pessoas que chegam ao hospital após o fim de semana para verificar alguma condição de saúde ou justificar a ausência no trabalho.
“É um dia característico em hospitais e UPAs. É uma coisa bem comum que segunda-feira é o dia que mais tem atendimentos. Alguns esperam o final de semana, não querem ir e acabam chegando na segunda e vão para uma consulta”, explica.
Por isso, o hospital mantém um médico adicional escalado para as segundas-feiras, principalmente no período da tarde. O fluxo costuma aumentar a partir das 10h ou 11h e permanece elevado até aproximadamente 22h.
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