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Em São Joaquim, a altitude virou ativo econômico de uma vinícola que começou como chácara

Por Ligado no Sul06/07/2026 10h30
Fotos/Divulgação

Na Serra Catarinense, a vitivinicultura de altitude vem se consolidando como uma das frentes mais recentes de diversificação econômica baseada na combinação entre produção agrícola e turismo de experiência. Em São Joaquim, a cerca de 1.350 metros de altitude, a  Alto dos Ventos Vinhos e Vinhedos é um exemplo de empreendimento que não nasceu com vocação direta para o vinho, mas foi sendo reestruturado ao longo do tempo até assumir esse papel.

O projeto teve início como uma propriedade rural voltada ao modelo de chácara, com ocupação do espaço baseada em atividades de campo e estrutura doméstica de produção, antes de qualquer intenção de escala agrícola voltada ao vinho.

A mudança de direção ocorre posteriormente, quando a propriedade passou a ser reavaliada sob a lógica de aproveitamento produtivo e potencial turístico da região. O projeto foi idealizado por Donizete Gomes, que identificou na Serra Catarinense uma oportunidade de integração entre agricultura e turismo de experiência. “Ele não é da área do vinho, mas viu a serra com bons olhos e viu também uma oportunidade de cooperar cada vez mais com o turismo aqui na região”, diz Vittorio Carlo, gerente de experiências.

A estruturação como vinícola começa a ganhar forma apenas a partir de 2022, quando o cultivo passa a ser organizado de maneira mais intensiva e com foco comercial. O primeiro movimento foi o plantio de aproximadamente 5 mil mudas em uma área delimitada da propriedade, seguido por um processo contínuo de expansão.

O resultado desse avanço é uma base produtiva que hoje reúne cerca de 40 mil plantas, distribuídas em 14 variedades de uva, com capacidade estimada entre 50 mil e 60 mil garrafas por ano.

É a altitude de São Joaquim que molda a uva e define o perfil do vinho produzido. “Dos nossos pilares é a altitude. Isso faz toda a diferença para o desenvolvimento das variedades”, afirma.

O crescimento desse tipo de empreendimento ocorre em paralelo à expansão do consumo de vinho no Brasil, que registrou alta estimada de 35% nos últimos cinco anos, ampliando o espaço para produtores nacionais em um mercado antes fortemente dependente de importações. “Hoje o consumidor brasileiro procura vinícolas brasileiras, porque já existe estrutura, know-how e qualidade”, diz.

Na prática, a operação da vinícola depende cada vez menos do balcão tradicional e mais da movimentação dentro da própria propriedade. É ali que o fluxo de visitantes acaba sustentando parte relevante do resultado. “Hoje o principal consumo acontece na vinícola, no nosso Wine Lounge, onde a maior parte das vendas acaba sendo concentrada no atendimento ao visitante”, afirma.

Para sustentar esse movimento, a estrutura foi organizada para manter o visitante circulando pela área, entre degustações, vinhedos e experiências guiadas. “Temos degustação guiada, desafios de aromas, experiências no vinhedo. A ideia é fazer o cliente ficar o maior tempo possível com a gente, porque isso acaba se refletindo diretamente no consumo dentro da vinícola”, explica.

A produção acompanha o ciclo da safra, com cerca de 36 toneladas de uva processadas por ano e volume médio entre 8 mil e 9 mil garrafas mensais nos períodos de colheita.

O resultado é uma operação em que a venda do vinho deixa de ser o único centro de receita e passa a dividir espaço com o tempo de permanência do visitante dentro da propriedade.

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