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Entre sonhos, família e negócios, Thayni Librelato conta sua própria história no Papo Empreendedor

Em episódio especial do Papo Empreendedor, empresária retorna ao programa como entrevistada e, ao lado da filha Maria Eduarda, compartilha histórias sobre família, liderança, maternidade, renúncias e os ensinamentos do pai

Por Ligado no Sul22/10/2026 10h00

Quem acompanha o Papo Empreendedor, da Rádio Guarujá, está acostumado a ver Thayni Librelato do outro lado da bancada. É ela quem costuma fazer as perguntas, conhecer trajetórias e descobrir o que existe por trás das empresas e das decisões de quem empreende. Mas, no episódio desta semana, os papéis se inverteram. Depois de um período afastada do programa, Thayni retornou não para entrevistar, mas para contar a própria história. E, desta vez, tinha ao lado alguém que conhece uma versão dela que os compromissos profissionais nem sempre permitem mostrar: a filha Maria Eduarda, de 9 anos.

A entrevista, conduzida por Anna Cardoso, reuniu reflexões sobre empreendedorismo, gestão humanizada, sucessão familiar e liderança feminina, mas também abriu espaço para lembranças da infância, ensinamentos dos pais, sonhos e escolhas que exigiram renúncias. Com perguntas-surpresa de pessoas que fizeram parte de sua trajetória, o programa revelou uma Thayni que, apesar da experiência à frente de empresas e entidades, também sente medo, enfrenta dúvidas e procura encontrar equilíbrio entre o trabalho e a família.

A primeira pergunta de Anna deu o tom da conversa: quem é Thayni quando todos os cargos, empresas, entidades, projetos e títulos são deixados de lado? A resposta veio acompanhada de uma convicção que ela procura levar para a vida profissional: o trabalho precisa ter significado não apenas para quem o realiza, mas também para as pessoas ao redor.

“Eu sou uma pessoa que acredito que a gente pode contribuir para um mundo melhor através do nosso trabalho”, afirmou. Para ela, não existe profissão mais ou menos importante quando há dedicação e compromisso com aquilo que se faz.

Essa maneira de enxergar o trabalho ajuda a explicar seu interesse pela gestão humanizada, assunto que estuda há mais de uma década. Thayni defende que resultados e produtividade precisam caminhar ao lado do respeito às pessoas. E, ao falar sobre liderança, trouxe uma reflexão que costuma ficar esquecida diante das responsabilidades de quem ocupa cargos de decisão.

“O líder também precisa de carinho, o líder é um ser humano, o líder também precisa de colo, o líder também precisa de um abraço”, destacou.

A empresária reconheceu que muitas pessoas a enxergam como alguém forte, sempre preparada para decidir e enfrentar desafios. Entretanto, essa imagem nem sempre permite que os outros percebam suas necessidades pessoais. Para Thayni, é preciso aprender a olhar para quem está por trás dos cargos, e não apenas para a posição que ocupa.

Foi justamente Maria Eduarda quem ajudou a mostrar esse outro lado. Ao perguntar o que as pessoas que conhecem a mãe apenas profissionalmente provavelmente não imaginam, a menina abriu espaço para uma conversa sobre a rotina familiar. Entre compromissos, viagens e estudos, Thayni contou que a maternidade transformou sua maneira de administrar o tempo e de compreender o que realmente importa.

“Eu sou uma pessoa que trabalho bastante. A mãe não tem muito tempo, mas quando estou com ela, quero estar com ela de verdade”, confessou.

A empresária contou que a filha costuma chamar sua atenção quando percebe que o celular está ocupando o espaço de uma conversa ou de um momento juntas. São situações simples, mas que, segundo ela, ajudam a reorganizar prioridades. A maternidade também lhe ensinou a importância do planejamento e reforçou sua percepção sobre as diferentes responsabilidades assumidas pelas mulheres.

A relação entre mãe e filha trouxe ainda momentos de descontração. Thayni revelou o orgulho que sente ao ver Maria Eduarda cozinhar, cuidar da casa e demonstrar interesse por atividades que fazem parte da rotina familiar.

Entre sonhos, renúncias e os ensinamentos que atravessam gerações

Foi ao falar sobre o pai Lussa Librelato, que Thayni viveu alguns dos momentos mais emocionantes da entrevista. Questionada por André Eleutério sobre o ensinamento mais importante que recebeu dele, a empresária recordou uma lição que continua a orientar suas decisões: acreditar nos próprios sonhos, sem transformar a vida em uma competição com outras pessoas.

“Uma coisa que meu pai me ensinou muito é a aceitar e gostar de quem eu sou. Eu não tenho que ser melhor que ninguém, eu tenho que seguir meus sonhos”, afirmou.

Ela lembrou que o pai tinha apenas 17 anos quando escreveu em uma folha de papel uma lista com 17 sonhos. Na época, segundo contou, ele não tinha dinheiro sequer para comprar sapatos, mas já imaginava construir uma empresa com 500 colaboradores. Quando faleceu, a empresa contava com aproximadamente 2.100 funcionários.

A lembrança serviu para uma reflexão sobre aquilo que normalmente não aparece nas histórias de sucesso. Thayni reconheceu que também precisou abrir mão de momentos com amigos e familiares para estudar, viajar e buscar seus objetivos. Como mãe, admitiu que algumas dessas escolhas são especialmente difíceis.

“Eu sempre falo que o brasileiro cultua o sucesso, mas não cultua a caminhada. E a caminhada daquele sucesso é muito desafiadora, é muito difícil”, declarou.

Para ela, a realização não está apenas em conquistar aquilo que se deseja, mas em aprender a valorizar o percurso. Os erros, as dificuldades e os períodos de incerteza também fazem parte da construção de uma trajetória.

A presença de Maria Eduarda tornou essas lembranças ainda mais significativas. Em uma pergunta enviada por Adria Felipe, Thayni foi convidada a contar qual momento da vida da filha gostaria que o pai tivesse presenciado. Emocionada, disse que frequentemente imagina como seria a convivência entre os dois.

Uma situação recente tornou essa saudade ainda mais presente. Maria Eduarda começou a gravar um programa para a Rádio Guarujá e já participou da produção de quatro episódios. Ao saber que precisaria de autorização judicial e de um contrato para realizar a atividade, a menina ficou especialmente surpresa com a possibilidade de receber remuneração por algo de que gosta tanto.

“Além de eu fazer uma coisa que eu amo, ainda vou ganhar dinheiro para isso”, contou Thayni, ao reproduzir a reação da filha.

A resposta trouxe imediatamente a lembrança do pai. Segundo a empresária, ele demonstrava a mesma satisfação diante da possibilidade de trabalhar com algo que lhe proporcionava felicidade. Para ela, reconhecer essa característica em Maria foi uma forma de perceber como determinados valores atravessam gerações.

Os ensinamentos familiares também apareceram quando o assunto foi educação. Formada em Direito e Administração de Empresas, cursos que realizou simultaneamente, Thayni contou que o interesse pelo conhecimento nasceu muito antes de assumir responsabilidades empresariais. A mãe, professora de História e Geografia, teve papel importante nesse processo.

“Minha mãe me falava o seguinte: ‘Filha, os livros vão te levar em lugares que a gente não tem condições financeiras hoje de ir’”, recordou.

A frase ajudou a despertar seu interesse pela leitura, pela história e por conhecer outros países. Hoje, ela compartilha essa curiosidade com Maria Eduarda, que também demonstra interesse por assuntos históricos e costuma surpreender a família com o que aprende.

Liderança, sucessão e o desafio de abrir caminhos

O conhecimento também apareceu como resposta para diferentes desafios abordados no programa. Ao falar sobre sucessão familiar, a partir de uma pergunta de Daniel, da Água Gravatal, Thayni chamou a atenção para um erro que, em sua avaliação, pode comprometer a continuidade de empresas construídas ao longo de gerações: acreditar que receber uma herança significa estar preparado para administrar um negócio.

“Ser herdeiro é uma coisa, ser sucessor é outra. Mas, independentemente se tu vai herdar ou se tu vai suceder, tu tem que se preparar”, explicou.

Ela defendeu que a preparação deve alcançar tanto os familiares que pretendem assumir funções de gestão quanto aqueles que seguirão outras profissões, mas poderão se tornar sócios. Também ressaltou a necessidade de preparar quem construiu a empresa para o momento de transferir responsabilidades, uma decisão que pode ser difícil depois de tantos anos de dedicação.

A importância de abrir caminhos para outras pessoas foi outro tema recorrente. Primeira mulher a presidir a Associação Empresarial de Orleans (ACIO), Thayni recebeu uma pergunta da atual presidente, Vanesa Bagio, sobre o que gostaria de ver preservado de sua passagem pela entidade.

Ao recordar o convite para assumir a presidência, revelou que inicialmente duvidou da própria capacidade. O incentivo de pessoas próximas foi decisivo para que aceitasse o desafio. Hoje, considera especialmente significativo ver outra mulher à frente da associação.

“Para mim, é um presente muito especial ver uma segunda mulher administrando a ACIO, porque é sobre abrir portas para que outras possam entrar”, afirmou.

Entre as realizações que mais valoriza, destacou as oportunidades de qualificação oferecidas aos empresários, inclusive a realização em Orleans de um curso que havia feito na Disney. Para Thayni, ampliar o acesso à educação é uma maneira de fortalecer profissionais, empresas e a própria comunidade.

À atual presidente, deixou também uma sugestão: aproximar os pequenos empreendedores do associativismo. Segundo ela, muitos profissionais que trabalham sozinhos ou possuem negócios de pequeno porte ainda não se reconhecem como empresários e, por isso, deixam de participar de espaços que poderiam contribuir para seu desenvolvimento.

A experiência no associativismo também trouxe desafios relacionados à presença feminina em posições de liderança. Thayni relatou ter enfrentado situações de preconceito ao longo da carreira, inclusive durante a gravidez. Ao olhar para a filha, disse encontrar motivação para contribuir com uma realidade diferente.

“Eu passei, até hoje passo, por muito preconceito, mas isso não é motivo para eu parar. Isso é motivo para que a caminhada seja mais leve depois de mim”, afirmou.

Sua preocupação, explicou, é que as próximas gerações de mulheres encontrem mais oportunidades e menos barreiras para fazer suas escolhas.

Entre histórias de trabalho, maternidade, educação e vida pessoal, Thayni também falou sobre a necessidade de cuidar da saúde, respeitar os próprios limites e reconhecer que nem sempre é possível dar conta de todas as responsabilidades. O autoconhecimento, segundo ela, tornou-se parte importante desse processo, tanto na vida pessoal quanto na maneira de liderar equipes.

No encerramento, Anna Cardoso explicou que o retorno da empresária marca uma nova fase do Papo Empreendedor. Thayni volta à apresentação, enquanto Anna continuará a conduzir entrevistas nas semanas em que a agenda profissional da empresária não permitir sua presença. A proposta é dar continuidade às conversas e às histórias compartilhadas ao longo da temporada.

Para Thayni, que chegou à bancada nervosa por experimentar o lugar normalmente ocupado por seus convidados, a experiência também trouxe uma descoberta.

“Eu gostei bastante de responder, mas fazer é bem mais fácil. Fiquei tão nervosa hoje que vocês não imaginam”, confessou, entre risadas.

Ao final, depois de tantas reflexões sobre sucesso, liderança e legado, talvez a maior diferença daquele episódio estivesse justamente na simplicidade da cena: uma empresária acostumada a falar sobre negócios, sentada ao lado da filha, recordando o pai e reconhecendo que, antes de qualquer conquista profissional, são as relações, os valores e os aprendizados construídos pelo caminho que dão significado à própria história.

Confira o episódio completo

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