Fora do Ar: Katherine Koch fala sobre sucessão familiar, novos caminhos e a coragem de recomeçar
Advogada relembrou os 20 anos de atuação na Copobras, falou sobre preparação de herdeiros e profissionalização da gestão e contou como uma brincadeira durante a pandemia se transformou no brechó premium Desapeguei280
Como preparar uma empresa familiar para atravessar gerações sem perder a própria história? apresentado por Marc Lopes, o novo episódio do podcast Fora do Ar, recebeu Katherine Koch que compartilhou uma trajetória construída entre o Direito Empresarial, a governança corporativa, a sucessão familiar e o empreendedorismo.
Integrante de uma família com longa história no setor plástico, Katherine trabalhou durante aproximadamente 20 anos no departamento jurídico da Copobras. Foi dentro da empresa que se aproximou de temas que hoje fazem parte de sua atuação profissional, como compliance, governança e planejamento sucessório.
“Quando nós vamos falar de governança e de sucessão, a gente está tratando dos assuntos que mais ama, que são trabalho e família. Então, estamos falando de muita emoção também para ser ajustada e alinhada”, afirmou.
Preparar herdeiros não significa obrigá-los a assumir a empresa
Um dos principais pontos da conversa foi a continuidade das empresas familiares. Katherine explicou que a preparação da próxima geração precisa acontecer independentemente de os herdeiros assumirem cargos na gestão.
“Independentemente de um herdeiro trabalhar ou não no negócio, ele tem que ser preparado, porque vai receber aquele patrimônio”, destacou.
Na experiência vivida pela própria família, esse processo incluiu avaliação das competências e dos interesses de cada herdeiro. A gestão da Copobras passou por um processo de profissionalização, enquanto integrantes da terceira geração são preparados para uma atuação no conselho.
Katherine também ressaltou que sucessão não acontece de uma hora para outra. Segundo ela, o processo desenvolvido na empresa familiar já atravessa cerca de duas décadas.
“Não adianta amanhã uma empresa acordar e falar: ‘Eu quero fazer governança, quero fazer sucessão’ e achar que isso vai estar pronto em uma semana. São camadas, decisões que vão sendo tomadas”, explicou.
Para ela, o desafio também passa pelo respeito à geração que construiu o negócio. A profissionalização não significa afastar os fundadores, mas encontrar uma nova forma de participação que preserve a experiência e o legado de quem esteve à frente da empresa.
A própria trajetória de Katherine também passou por uma grande mudança. Há cerca de dois anos, ela decidiu deixar o trabalho operacional na Copobras. Em um curto espaço de tempo, mudou de cidade, casou e transformou completamente a rotina profissional.
“Eu fiz uma mudança muito radical. Mudei de cidade, de estado civil e de rotina de trabalho, tudo ao mesmo tempo”, contou.
A decisão significou deixar uma rotina construída ao longo de duas décadas. Katherine passou a morar em Tubarão e se dedicar integralmente ao escritório de advocacia empresarial do qual já era sócia.
A sociedade havia começado anos antes, depois que ela conheceu o advogado Thiago Ronchi durante uma especialização em Direito Empresarial. A parceria cresceu e, cerca de seis meses depois do início do trabalho conjunto, Katherine recebeu o convite para integrar a sociedade. Atualmente, o escritório conta com outros três sócios.
“Eu fico orgulhosa dessa trajetória, do que me foi permitido viver. Foi uma escola estar lá, com tantas operações importantes e tantos relacionamentos no mundo jurídico e corporativo”, disse sobre a experiência na Copobras.
Planejar hoje para proteger a empresa amanhã
Na advocacia, Katherine apontou a recuperação de créditos e o planejamento patrimonial e sucessório entre as demandas que mais chegam ao escritório.
Ao falar sobre sucessão, chamou atenção para empresas muito dependentes do fundador e para uma pergunta que, muitas vezes, é adiada: o que acontecerá com o negócio e com a família quando essa pessoa não estiver mais presente?
“Às vezes você constrói uma história, uma empresa, e é o centralizador, é quem faz tudo, organiza tudo. E o que acontece no dia seguinte? Ninguém se pergunta o que vai acontecer quando eu morrer”, afirmou.
Para a advogada, organização jurídica, governança e planejamento devem ser vistos como formas de prevenção. A falta dessa preparação pode colocar em risco tanto o patrimônio quanto a continuidade da empresa e as relações familiares.
Uma brincadeira que virou negócio
A pandemia abriu espaço para outro capítulo da trajetória de Katherine. Acostumada a uma rotina intensa e com um guarda-roupa cheio de peças pouco utilizadas durante o período de isolamento, ela e uma amiga decidiram começar a vender roupas pela internet.
Criaram um perfil no Instagram e perceberam rapidamente que havia espaço para transformar a brincadeira em negócio. Outras mulheres passaram a oferecer peças, o projeto cresceu e deu origem ao Desapeguei280, brechó premium voltado ao público feminino.
“Nós não investimos R$ 1 ali. Fomos crescendo com o valor que entrava do próprio negócio. Tenho muito carinho pelo Desapeguei porque começou como um hobby, uma brincadeira, e virou um negócio”, contou.
Hoje, além das vendas pelas redes sociais, o Desapeguei280 possui espaço físico em São Ludgero e recebe clientes de cidades como Criciúma, Urussanga, Tubarão e Laguna. As peças passam por uma seleção antes de chegar às clientes.
Katherine também falou sobre o crescimento do empreendedorismo feminino e sobre sua participação em iniciativas que aproximam mulheres à frente de empresas e projetos na região.
“Seja verdadeira com o teu coração”
No encerramento do Fora do Ar, Marc Lopes pediu que Katherine imaginasse um encontro com a menina que foi no passado e dissesse qual conselho daria a ela.
A resposta resumiu boa parte da trajetória contada durante o episódio.
“Eu diria para ela ser corajosa como eu sou. Sempre fui muito autêntica nas minhas decisões, no meu caminho, na minha jornada. […] Eu olharia para ela lá atrás e falaria: ‘Vai, segue essa tua autenticidade, isso que tem no teu coração. Seja sempre verdadeira com teu coração’”, afirmou.
Entre a empresa familiar, a advocacia e o empreendedorismo, a história mostrou diferentes momentos de uma mesma trajetória: a preparação para preservar o que foi construído e, ao mesmo tempo, a coragem necessária para abrir espaço para novos caminhos.
Confira o episódio completo
