Entre recomeços, sorrisos e empreendedorismo: a trajetória de Paula Canever no Fora do Ar
Em entrevista a Marc Lopes, cirurgiã-dentista fala sobre os recomeços que marcaram sua vida, a escolha da profissão, os cuidados com a saúde bucal e sua participação na diretoria da ACIO
Filha de um bancário, Paula cresceu em uma família que precisava mudar frequentemente de endereço devido às transferências profissionais do pai. Entre despedidas, novos colegas e diferentes culturas, aprendeu desde cedo a se adaptar a ambientes desconhecidos. Apesar das dificuldades, reconhece que essas mudanças tiveram influência direta na pessoa e na profissional que se tornou.
“Eu sou uma pessoa que eu não tenho amigos de infância”, contou, ao explicar que nunca permaneceu tempo suficiente em uma mesma escola para construir vínculos duradouros. Por outro lado, a necessidade de conhecer novas pessoas desenvolveu sua facilidade de relacionamento.
Paula revelou que, em um processo terapêutico, compreendeu como as mudanças constantes também contribuíram para desenvolver uma necessidade de aceitação. Com o passar dos anos, passou a reconhecer os aprendizados que vieram dessas experiências, sem desconsiderar as dificuldades enfrentadas durante a infância.
A escolha profissional também foi marcada por uma mudança de planos. Durante o ensino médio, Paula acreditava que seguiria carreira nas Ciências Biológicas, área pela qual sempre demonstrou interesse. No entanto, uma palestra sobre odontogeriatria, especialidade voltada ao atendimento odontológico de pessoas idosas, despertou sua curiosidade pela Odontologia.
Depois de não conseguir aprovação no primeiro vestibular para a universidade pública, dedicou mais um ano aos estudos e conquistou uma vaga na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde cursou os cinco anos da graduação.
Após a formação, pretendia permanecer em Florianópolis, mas questões familiares a levaram de volta ao Sul catarinense. Foi nesse período que surgiram oportunidades profissionais na área de Ortodontia, especialidade dedicada à correção da posição dos dentes e ao acompanhamento do desenvolvimento dos maxilares.
Mais tarde, Paula também se especializou em Implantodontia, voltada à reposição de dentes perdidos por meio de implantes. Apesar da formação nas duas áreas, decidiu concentrar sua atuação principalmente na Ortodontia, por entender que a dedicação a uma especialidade permite aprofundar conhecimentos e aprimorar os resultados dos tratamentos.
A profissional destacou que uma das maiores satisfações de seu trabalho é acompanhar a transformação do sorriso dos pacientes, inclusive daqueles que passaram boa parte da vida acreditando que não poderiam mais utilizar aparelho ortodôntico.
“Uma coisa é não ter como corrigir, outra coisa é não poder. Por que que não poderia, né?”, questionou ao comentar as dúvidas de pacientes adultos sobre a possibilidade de iniciar o tratamento.
A saúde bucal também ocupou parte importante da conversa. Paula explicou que muitos pacientes procuram atendimento por questões estéticas, influenciados principalmente pela valorização da aparência nas redes sociais. Entretanto, problemas como cáries, inflamações gengivais e perdas dentárias continuam presentes na rotina dos consultórios.
Segundo a dentista, a prevenção ainda precisa receber mais atenção. Ela ressaltou que a frequência das consultas deve considerar as necessidades individuais, mas recomenda avaliações periódicas, preferencialmente a cada seis meses.
A alimentação também foi abordada. Paula explicou que o consumo frequente de açúcar ao longo do dia pode favorecer o desenvolvimento de cáries, mesmo em pessoas que mantêm bons hábitos de escovação. Para ela, o equilíbrio entre alimentação, higiene e acompanhamento profissional é fundamental para preservar a saúde dos dentes.
Outro alerta foi sobre sinais que muitas vezes são ignorados, como sangramento na gengiva e dores que desaparecem sem tratamento. A especialista explicou que problemas bucais podem evoluir para infecções graves e, em determinadas situações, provocar complicações em outras partes do organismo.
“Uma gengiva que sangra é um sinal e o paciente, às vezes, ele vai dizer: ‘Ah, minha gengiva sempre sangra’. Então parece para ele é normal, mas gengiva que sangra não é normal”, alertou.
O mau hálito também entrou na conversa. Entre as possíveis causas, Paula citou inflamações gengivais, acúmulo de resíduos nos dentes, baixa produção de saliva e determinados hábitos alimentares. Ela destacou que a investigação deve começar pela avaliação da saúde bucal.
Na escolha da escova dental, a orientação foi dar preferência a modelos com cerdas extramacias e cabeça pequena, capazes de alcançar diferentes regiões da boca sem provocar lesões na gengiva. Sobre o consumo de café, explicou que a bebida pode causar manchas superficiais nos dentes, mas não precisa ser eliminada da rotina, desde que consumida com moderação e acompanhada de cuidados adequados.
Além da Odontologia, Paula compartilhou sua experiência como empreendedora e sua participação no associativismo em Orleans. Sua aproximação com a Associação Empresarial de Orleans (ACIO) começou pelo Núcleo de Jovens Empreendedores. Posteriormente, passou a integrar o Núcleo de Mulheres Empreendedoras, onde também assumiu a função de coordenadora.
A participação nessas iniciativas abriu caminho para sua chegada à diretoria da entidade. Para Paula, o envolvimento com a associação representa uma oportunidade de aproximar profissionais da saúde do universo empresarial e mostrar que médicos, dentistas e outros especialistas também enfrentam desafios relacionados à administração de seus negócios.
“Eu acho que a minha maior função hoje é tentar mostrar nesse sentido, né, para médicos, dentistas e pessoal da saúde em geral, que é uma infinidade de profissões também, que a gente pode se inserir nesse meio de empreendedores”, afirmou.
A família também teve espaço na entrevista. Paula falou sobre a proximidade com os pais e irmãos, o apoio recebido nas decisões profissionais e a importância dessas relações ao longo da vida. O retorno ao Sul catarinense, após a graduação, foi uma das escolhas influenciadas pela necessidade de estar próxima dos familiares.
No encerramento do episódio, Marc Lopes convidou a entrevistada a imaginar um reencontro com a menina que, durante a infância, precisou enfrentar tantas mudanças. Questionada sobre o conselho que daria à própria versão mais jovem, Paula respondeu que pediria a ela para confiar no futuro.
“Eu acho que eu ia dizer para ela confiar, sabe? Acreditar nas possibilidades do futuro”, declarou.
Para a cirurgiã-dentista, as experiências que pareciam difíceis durante a infância contribuíram para as oportunidades e conquistas que vieram depois. A mensagem que deixou foi a de confiar no processo, mesmo diante das perdas e das incertezas.
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