Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações e divergem sobre segurança pública e economia em debate na Band
Primeiro confronto do segundo turno teve discussões sobre corrupção, saúde e saída temporária de presos, além de ataques pessoais entre os candidatos
O primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições de 2026, realizado na noite deste domingo (18), pela Band, foi marcado por trocas de acusações, ataques pessoais e divergências sobre segurança pública, economia, saúde e corrupção. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estiveram frente a frente a uma semana da votação que definirá o próximo presidente da República.
Durante o encontro, os candidatos questionaram as propostas um do outro e fizeram críticas às administrações petistas e ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os momentos de maior tensão estiveram as discussões sobre a saída temporária de presos, investigações envolvendo familiares e declarações pessoais.
Na segurança pública, Flávio defendeu o endurecimento das leis penais, a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos e a classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas. Lula defendeu maior integração entre União e estados no combate ao crime organizado, além da criação de um Ministério da Segurança Pública.
Saída temporária de presos provoca confronto
A chamada “saidinha” de presos foi um dos assuntos que provocaram divergências. Flávio Bolsonaro defendeu o fim do benefício e citou casos de crimes cometidos por detentos durante períodos de saída temporária.
O senador questionou a posição do presidente e argumentou que a legislação deve priorizar a proteção das vítimas e da população.
Lula rebateu o adversário e defendeu que presos com bom comportamento possam manter contato com seus familiares como parte do processo de ressocialização. O presidente argumentou que casos isolados de descumprimento das regras não devem justificar a retirada do benefício de todos os detentos que cumprem os requisitos legais.
A discussão envolve uma mudança na legislação aprovada pelo Congresso em 2024. Na ocasião, Lula vetou o trecho que proibia as saídas para visitas familiares, mas o Congresso derrubou o veto. Atualmente, a legislação mantém a possibilidade de saída temporária para atividades educacionais, desde que atendidos os requisitos previstos em lei.
Economia, saúde e jornada de trabalho
Na economia, Flávio criticou o custo de vida, o endividamento das famílias e os gastos públicos. O senador apresentou uma proposta para renegociar dívidas bancárias, com suspensão temporária dos pagamentos para pessoas físicas e empresas.
Lula destacou políticas de valorização do salário mínimo, distribuição de renda e incentivo à indústria nacional. O presidente também defendeu as ações do governo para ampliar o acesso ao crédito e questionou as propostas econômicas do adversário.
Os candidatos discutiram ainda o fim da escala de trabalho 6×1. Flávio afirmou que mudou sua posição após ouvir trabalhadores durante a campanha e passou a apoiar a redução da jornada. Lula questionou a mudança de posicionamento do senador e defendeu a proposta.
Na saúde, Flávio apresentou medidas para modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS), com integração de prontuários, ampliação da telemedicina e uso de novas tecnologias. Lula questionou como as propostas seriam executadas e criticou a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro.
Ataques pessoais e acusações marcaram o debate
Um dos momentos de maior tensão ocorreu durante uma discussão sobre cortes de gastos públicos. Lula questionou Flávio sobre quais despesas seriam reduzidas em um eventual governo. O senador respondeu que cortaria gastos com privilégios e viagens do presidente e da primeira-dama, Janja.
Lula contestou os valores apresentados pelo adversário e o chamou de “mentiroso contumaz” e “malandro carioca”. Ao reagir à fala, Flávio afirmou que o presidente havia desrespeitado os moradores do Rio de Janeiro. A expressão utilizada por Lula, entretanto, havia sido dirigida especificamente ao senador.
Em outro momento, Lula fez uma advertência a Flávio sobre investigações e a imunidade parlamentar.
“Você se prepare que dia 25 você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito, que agora vai andar”, afirmou o presidente.
Os candidatos também trocaram acusações relacionadas a investigações envolvendo familiares e pessoas próximas. Flávio questionou Lula sobre suspeitas relacionadas ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Lula, por sua vez, cobrou explicações sobre a relação do adversário com o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao caso do Banco Master, e o desafiou a abrir seus sigilos bancários e telefônicos.
O encontro também teve discussões sobre política externa e a relação do Brasil com os Estados Unidos. Em alguns momentos, os mediadores precisaram intervir para conter manifestações da plateia.
Um novo debate presidencial está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, dois dias antes do segundo turno.
