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O vício em dopamina: por que estamos cada vez mais cansados? Por Vanesa Bagio

Por Vanesa Bagio01/07/2026 15h00

Você já pegou o celular para responder uma mensagem e, alguns minutos depois, percebeu que estava assistindo vídeos, lendo notícias ou navegando pelas redes sociais sem nem lembrar o motivo inicial?

Essa cena tem se tornado cada vez mais comum. Vivemos em uma era onde a atenção se tornou um dos recursos mais disputados do mundo. Empresas de tecnologia investem bilhões para manter nossos olhos fixos nas telas pelo maior tempo possível. E o cérebro humano responde a esses estímulos.

A dopamina, neurotransmissor relacionado à motivação e à expectativa de recompensa, é liberada sempre que recebemos uma curtida, uma mensagem, uma notificação ou encontramos algo novo para consumir. O problema não está na dopamina em si, mas na frequência com que buscamos essas pequenas recompensas ao longo do dia.

Nosso cérebro não foi projetado para receber centenas de estímulos diários. Entretanto, muitas pessoas acordam verificando mensagens, trabalham acompanhando notificações, fazem refeições olhando para telas e encerram o dia consumindo conteúdos até poucos minutos antes de dormir.

O resultado desse comportamento aparece silenciosamente: dificuldade de concentração, sensação constante de distração, impaciência, irritabilidade, cansaço mental e a impressão de que estamos sempre ocupados, mas pouco produtivos.

É cada vez mais frequente, eu ouvir relatos de pessoas emocionalmente exaustas sem identificar um motivo específico. Muitas vezes não existe um grande problema acontecendo. O que existe é uma mente sobrecarregada por excesso de informações, comparações sociais, cobranças e estímulos constantes.

Esse cenário também pode contribuir para o agravamento de quadros de ansiedade, depressão, transtornos do sono, burnout e dificuldades de atenção. Não porque as redes sociais sejam as únicas responsáveis, mas porque elas ampliam fatores de vulnerabilidade que já estão presentes na vida de muitas pessoas.

Talvez o maior prejuízo não seja apenas a perda da concentração. Estamos perdendo algo ainda mais valioso: a capacidade de permanecer presentes. Presentes em uma conversa, em uma refeição, em um momento de descanso ou até mesmo em nossos próprios pensamentos.

A boa notícia é que o cérebro possui uma extraordinária capacidade de adaptação. Reduzir o uso excessivo das telas, criar momentos de pausa, retomar a leitura, praticar atividade física e estabelecer limites digitais são estratégias que ajudam a recuperar o foco e o equilíbrio emocional.

Mais do que perguntar quanto tempo passamos conectados, talvez seja hora de refletirmos sobre outra questão: estamos usando a tecnologia ou estamos sendo usados por ela?

Fique bem!

Siga @vanesabagio.psi para buscar mais informações e lembre-se: “Sua saúde mental importa tanto quanto qualquer outra área da sua vida.”

 

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