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Muito além da derrota. Por Ana Dalsasso

Por Ana Maria Dalsasso07/07/2026 15h00
Foto/IA

A eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo provocou tristeza e frustração em milhões de torcedores. Confesso, porém, que não me surpreendi com o resultado. Quem, como eu, teve o privilégio de acompanhar as grandes gerações do futebol brasileiro percebeu, antes mesmo do início da competição, que nossa equipe não reunia as características que marcaram os grandes campeões do passado.

Na minha percepção, falta aos nossos atletas algo que nunca faltou às seleções das épocas de ouro: amor à camisa, comprometimento com a Pátria e maturidade para compreender o significado de representar uma nação inteira. Hoje, muitos jogadores alcançam fama e fortunas ainda muito jovens. O sucesso e os altos salários, por vezes, parecem afastá-los da entrega total dentro de campo. Dá a impressão de que jogam muito mais pela carreira e pelos contratos do que pelo orgulho de defender as cores do Brasil.

Os grandes ídolos do passado entravam em campo de corpo e alma. Eram verdadeiros heróis nacionais. Sabiam que cada partida representava a esperança de milhões de brasileiros e, por isso, lutavam até o último minuto. Nem sempre venciam, mas jamais deixavam a impressão de que lhes faltara dedicação.

O que mais me emocionou, entretanto, não foi a derrota, e sim a atitude das crianças. Vi meninos e meninas cantando o Hino Nacional com entusiasmo, vestindo orgulhosamente a camisa da Seleção, rezando pela vitória e acreditando no sonho do hexacampeonato. Ao apito final, muitas choraram. Não choravam apenas pela eliminação; choravam porque seus heróis não corresponderam às expectativas que nelas haviam despertado.

Talvez essa seja a maior lição deixada por esta Copa. Precisamos ensinar às nossas crianças e aos nossos jovens que a esperança nunca deve morrer, independentemente de uma vitória ou de uma derrota. A vida continuará oferecendo desafios, e somente com dedicação, disciplina, responsabilidade e comprometimento será possível alcançar

O Brasil perdeu uma Copa. Que não percamos, porém, a oportunidade de ensinar às novas gerações que talento sem compromisso dificilmente produz grandes vitórias e que nenhuma conquista acontece sem esforço, humildade e dedicação. Essa talvez seja a maior lição deixada por mais uma eliminação brasileira.

 

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.

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