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38 mulheres mortas em SC: quantos sinais de violência foram ignorados antes do feminicídio?
Por Ligado no Sul27/08/2026 13h00
Foto/Ilustrativa
Você sabia que, em Santa Catarina, uma mulher é morta, em média, a cada seis dias? Já são 38 vítimas de feminicídio registradas no Estado até esta quarta-feira (26). O número chama a atenção e coloca em evidência uma questão que muitas vezes só aparece quando já é tarde demais: os sinais de violência que podem anteceder o crime.
O alerta ganha ainda mais força em agosto, mês que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha. Delegada e coordenadora estadual das Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMIs), Patrícia Maria Zimmermann D’Ávila destaca que um dos principais avanços da legislação foi a criação de medidas protetivas de urgência, além do endurecimento das penas e de medidas restritivas contra os agressores.
“Ela traz uma série de situações de medidas protetivas de urgência, de endurecimento de penas, de medidas restritivas ao agressor. Então ela traz uma série de direitos em relação à mulher”, explica Patrícia.
Segundo a delegada, muitas mulheres não reconhecem os sinais de perigo antes que a violência chegue a um nível extremo. A violência psicológica, as agressões verbais e situações de controle e cerceamento dos direitos nem sempre são identificadas como crimes pelas próprias vítimas.
“Nas situações em que as mulheres não identificam fatores de risco, elas não acreditam na agressividade do companheiro, elas acham que aquela situação nunca possa chegar ao feminicídio”, afirma.
Um levantamento apresentado pela delegada mostra que, entre 2020 e 2026, apenas pouco mais de 14,9% das mulheres vítimas de feminicídio tinham boletim de ocorrência contra o autor. Destas, a maioria absoluta não tinha pedido medida protetiva de urgência.
Para as mulheres que não conseguem romper o ciclo da violência, a Polícia Civil oferece mecanismos de proteção a partir do registro da ocorrência. A vítima pode solicitar uma medida protetiva de urgência, incluindo o afastamento do agressor do lar.
Também existe a possibilidade de encaminhamento para um local seguro, como um abrigo ou a casa de um familiar ou pessoa conhecida, onde a mulher possa permanecer protegida até que o agressor seja afastado.
A dependência financeira também não precisa ser um obstáculo para a denúncia. O programa SC Elas reserva 5% das vagas de emprego dos contratos do Estado para mulheres vítimas de violência, além da possibilidade de concessão de alimentos provisórios.
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 181 ou por meio da Delegacia Virtual.
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Projeto Tigrinhos terá nova edição em Lauro Müller com cerca de 40 participantes
Por Ligado no Sul27/08/2026 12h00
Fotos/Assessoria de Imprensa – prefeitura de Lauro Müller
Lauro Müller estará novamente entre os municípios participantes do Projeto Tigrinhos, iniciativa do Criciúma Esporte Clube em parceria com a Universidade do Extremo Sul Catarinense – Unesc e prefeituras da região Sul de Santa Catarina. A continuidade da parceria foi oficializada nesta terça-feira (25), em Criciúma, durante cerimônia que reuniu representantes de 23 municípios. O diretor da Comissão Municipal de Esportes – CME, Douglas Bernardino, representou Lauro Müller no ato.
Já desenvolvido no município no ano passado, o Projeto Tigrinhos retorna para mais uma edição com o objetivo de incentivar o esporte de base e contribuir para a formação de crianças e adolescentes por meio do futebol. A iniciativa atende jovens de 7 a 14 anos, com treinamentos regulares, materiais esportivos, acompanhamento técnico e participação em competições.
Em Lauro Müller, cerca de 40 crianças e adolescentes deverão ser atendidos inicialmente. A seleção dos participantes será realizada pela Comissão Municipal de Esportes, levando em consideração critérios como faixa etária e o interesse das famílias.
“O Projeto Tigrinhos já mostrou sua importância e agora teremos a oportunidade de dar continuidade a esse trabalho em Lauro Müller. É uma iniciativa que vai além do futebol, promovendo convivência, disciplina e novas experiências para nossas crianças e adolescentes”, destacou Douglas Bernardino.
A continuidade do projeto faz parte do trabalho desenvolvido pelo Governo Municipal no incentivo ao esporte e na ampliação de oportunidades para crianças e adolescentes, utilizando a prática esportiva também como instrumento de integração e formação.
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Epagri abre concurso com vagas no Sul de SC e salários de até R$ 16,9 mil
Por Ligado no Sul27/08/2026 11h30
Foto/Reprodução
Quem busca uma oportunidade de emprego público em Santa Catarina tem uma nova seleção aberta. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) publicou edital de concurso público com 40 vagas em cargos de níveis médio, técnico e superior. Entre os municípios contemplados estão cidades do Sul catarinense, com salários que chegam a R$ 16.990,33.
Na região, há oportunidades para Extensionista em Pesca e Aquicultura Marinha, cargo que exige bacharelado em Engenharia de Pesca ou Engenharia de Aquicultura e tem salário inicial de R$ 10.587,80.
Em Armazém, o edital prevê uma vaga imediata, além de cadastro de reserva. Já Imaruí, Laguna, Passo de Torres e Balneário Rincão integram outro grupo de lotação, que reúne quatro vagas mais cadastro de reserva, além de uma vaga destinada a pessoa com deficiência e cadastro de reserva.
Ao todo, o concurso oferece 40 vagas em diferentes cidades de Santa Catarina, além de cadastro de reserva. Os salários iniciais variam de R$ 4.362,02 a R$ 16.990,33, conforme o cargo e a formação exigida. Entre os benefícios estão vale-alimentação de R$ 1.200,10, vale-transporte, auxílio-creche ou babá, plano de saúde, plano odontológico e previdência complementar.
As inscrições começaram na terça-feira (25) e seguem até as 23h59 do dia 24 de setembro de 2026. O procedimento deve ser realizado pela internet, por meio do Instituto Avalia, responsável pela organização do concurso. As taxas variam de R$ 100 a R$ 200, conforme o cargo e a formação exigida.
A prova objetiva está prevista para o dia 18 de outubro, com aplicação em Florianópolis, Chapecó, Lages, Criciúma, Canoinhas e Joinville. A avaliação terá 80 questões e duração de cinco horas.
Os aprovados serão contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O concurso terá validade de dois anos após a homologação, podendo ser prorrogado uma vez pelo mesmo período.
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Descumprimento de medidas protetivas cresce e acende alerta para violência contra a mulher em Orleans
Por Ligado no Sul27/08/2026 11h00
Foto/redação
A violência contra a mulher continua entre as ocorrências mais atendidas pela Polícia Militar em Orleans. No primeiro semestre de 2026, os registros de descumprimento de medidas protetivas no município e na região de atuação da soldado Patrícia Ribeiro Santos quase alcançaram todo o volume contabilizado durante 2025. Para a integrante da Rede Catarina de Proteção à Mulher, o aumento dos registros também está relacionado à maior informação e à segurança das vítimas para denunciar.
A Rede Catarina é um programa institucional da Polícia Militar criado para oferecer um atendimento diferenciado às ocorrências de violência doméstica. O trabalho é voltado principalmente ao acompanhamento de mulheres que possuem medidas protetivas determinadas pela Justiça e tem caráter preventivo.
Segundo Patrícia, o acompanhamento começa depois que uma ocorrência de violência é registrada pela Polícia Militar ou pela Polícia Civil e o caso é encaminhado ao Poder Judiciário. A partir da comunicação processual, a equipe da Rede Catarina inicia o contato com a vítima, presta orientações e passa a realizar o acompanhamento preventivo.
“Uma mulher que vem para a Rede é uma mulher que já sofreu a violência. E essa violência acabou demandando registro de uma ocorrência, seja pela Polícia Civil ou pela Polícia Militar”, explica.
O acompanhamento pode ocorrer presencialmente ou por telefone e WhatsApp, conforme a situação. Nos casos considerados mais graves, Patrícia também conta com o apoio das guarnições de rádio patrulha, inclusive em situações em que é necessário auxiliar a vítima na retirada de seus pertences.
Medo ainda é um dos principais obstáculos
Um dos desafios apontados pela policial é o medo das vítimas. Segundo Patrícia, muitas mulheres vivem situações graves de violência, mas recuam diante da possibilidade de uma reação do agressor, principalmente quando existe o risco de prisão.
“Muitas delas vivem em um contexto muito grave de violência e, quando sabem que existe o risco de uma prisão preventiva para o agressor, o medo delas é: ‘Patrícia, quando ele sair? O que vai acontecer?’”, relata.
De acordo com ela, ameaças de vingança podem fazer com que a vítima peça a revogação da medida protetiva. A reincidência também dificulta o combate à violência doméstica, já que, em alguns casos, o agressor continua praticando novos atos mesmo após a primeira intervenção policial.
Patrícia reforça ainda que a Rede Catarina não atua sozinha. Em Orleans, o trabalho envolve a Polícia Militar, a Polícia Civil e outros órgãos e instituições. Segundo ela, já foram realizadas prisões decorrentes de descumprimento de medidas protetivas em ações conjuntas entre as forças de segurança.
Mais denúncias também revelam mais informação
O aumento dos registros não significa necessariamente que todos os casos de violência estejam aumentando na mesma proporção. Para Patrícia, a maior divulgação de informações pode fazer com que mais mulheres reconheçam situações de violência e procurem ajuda.
“Eu preciso que o problema venha à luz para que nós consigamos desenvolver uma estratégia adequada para reduzir esse índice com efetividade, com planejamento e com estratégia”, afirma.
Segundo a policial, conhecer a dimensão real do problema permite que as forças de segurança desenvolvam ações preventivas mais eficientes. Ela destaca que a ausência de denúncias não significa necessariamente ausência de violência.
Em Orleans, a Rede Catarina também participa de ações de orientação e conscientização. Nesta semana, o programa esteve na Câmara de Vereadores durante uma palestra relacionada à criação da Procuradoria da Mulher e ao enfrentamento e prevenção da violência contra a mulher. O encontro reuniu mulheres que possuem medidas protetivas, além de representantes de iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência.
Durante a atividade, Patrícia ouviu o relato de uma mulher de 70 anos que contou ter voltado a estudar. Para a policial, histórias como essa mostram que, além da proteção, o acompanhamento pode ajudar mulheres a retomarem projetos e sonhos que ficaram interrompidos durante períodos de violência.
“Eu voltei a estudar. Estou muito feliz porque hoje estou concretizando um sonho”, contou a mulher durante o encontro, segundo a soldado Patrícia.