Sua empresa evoluiu. Mas sua forma de pensar acompanhou essa mudança?
No Papo Empreendedor, Allan Meurer e Zaahy Denyze Reggio discutem como tecnologia, decisões e comportamento humano influenciam o crescimento dos negócios
Mudar um sistema, adotar a inteligência artificial ou investir em novas ferramentas nem sempre significa que uma empresa está, de fato, inovando. Muitas vezes, o maior desafio não está na tecnologia, mas nos hábitos de quem faz o negócio acontecer. São processos antigos, decisões tomadas sem informações confiáveis e aquela resistência que aparece sempre que alguém propõe fazer diferente.
Foi sobre esses desafios que o Papo Empreendedor, abriu espaço para uma conversa sobre tecnologia, inovação e comportamento humano. Apresentado por Thayni Librelato, o episódio recebeu Allan Meurer, fundador e CEO da InnSpire, empresa de desenvolvimento de software de Criciúma, e Zaahy Denyze Reggio, Edeuta Mor e reitora da Universidade de Estudos Avançados Independente (UEAI).
Dois convidados com experiências diferentes, mas uma questão em comum: o quanto estamos realmente dispostos a mudar?
Antes de construir uma empresa que hoje atende clientes em cinco países, Allan precisou enfrentar uma decisão que muitos profissionais conhecem: abrir mão da estabilidade para apostar em um negócio próprio.
Foram dez anos de trabalho na TOTVS, onde atuava diretamente com clientes. Aos poucos, percebeu que sua maneira de atender e resolver problemas poderia se transformar em uma empresa.
A decisão, no entanto, não veio acompanhada de certezas.
“Eu arrisquei e vou ser bem sincero, arrisquei com medo, muito medo”, contou.
Dez anos depois, a InnSpire reúne cerca de 40 profissionais e atende empresas no Brasil, Estados Unidos, México, Reino Unido e Portugal.
O crescimento não eliminou os desafios. Allan relembrou a pandemia como um dos períodos mais difíceis, quando precisou adaptar a operação ao trabalho remoto e enfrentar a suspensão de projetos de clientes.
A experiência também mudou sua percepção sobre o que significa ser empresário. Para ele, quem decide empreender acreditando que terá menos trabalho provavelmente encontrará uma realidade bem diferente.
Além de atender clientes e desenvolver soluções, o empreendedor precisa compreender finanças, impostos, gestão de pessoas e uma série de responsabilidades que antes não faziam parte de sua rotina.
Quando a tecnologia encontra a resistência humana
Com a popularização da inteligência artificial, muitas empresas passaram a buscar ferramentas capazes de acelerar tarefas e melhorar resultados. Mas Allan chama a atenção para uma etapa que costuma ser esquecida: a qualidade das informações.
“Eu vejo que muitos empresários ainda trabalham com feeling, eles não trabalham com dados”, afirmou.
Na prática, isso significa que decisões importantes podem ser tomadas apenas com base na experiência ou na percepção do gestor, sem uma análise consistente do que acontece dentro da empresa.
E quando os dados estão errados ou desorganizados, a tecnologia também encontra limites.
O empresário citou a implantação de sistemas de relacionamento com clientes, os chamados CRMs, como exemplo. A ferramenta permite acompanhar contatos, negociações, vendas e compromissos. Mas, se a equipe não registra corretamente as informações, perde boa parte de sua utilidade.
O problema, muitas vezes, não está no sistema. Está na dificuldade de mudar a rotina.
Allan explicou que a chegada de uma nova ferramenta pode provocar resistência, especialmente entre profissionais acostumados a trabalhar da mesma maneira durante anos. Por isso, considera essencial preparar as equipes e explicar os motivos das mudanças.
Existe ainda uma etapa que nem sempre aparece nos discursos sobre inovação: o período em que o trabalho pode ficar mais complicado antes de se tornar mais simples.
Enquanto Allan apresentou os desafios da transformação tecnológica, Zaahy levou a conversa para o comportamento humano.
A partir da provocação “O Perigo de Acreditar em Tudo”, ela questionou a facilidade com que repetimos ideias e hábitos sem investigar se ainda fazem sentido.
“Não acredita em tudo. Estude, pesquise”, afirmou.
Para Zaahy, o desenvolvimento pessoal começa quando alguém se dispõe a questionar as próprias certezas. Isso também vale para o empreendedor, que precisa reconhecer suas limitações e compreender que não pode dominar todas as áreas de uma empresa.
Ela defendeu a importância do autoconhecimento e de contar com profissionais que complementem as habilidades do empresário.
A reflexão se conecta à experiência de Allan. No início da InnSpire, ele precisava assumir diferentes tarefas. Com o crescimento do negócio, percebeu a necessidade de reconhecer aquilo que fazia melhor e delegar outras responsabilidades.
É uma mudança que parece simples, mas exige abandonar a ideia de que o fundador precisa resolver tudo sozinho.
Ao longo da conversa, os convidados apresentaram diferentes perspectivas sobre um mesmo desafio: como acompanhar as transformações do mundo sem permanecer preso a práticas que já não atendem às necessidades atuais.
A tecnologia pode transformar processos. Mas reconhecer erros, ouvir outras pessoas, organizar informações e aceitar novas formas de trabalhar são decisões que continuam dependendo de quem está à frente do negócio.
E talvez seja justamente essa a pergunta que todo empreendedor precise fazer de tempos em tempos: minha empresa está mudando, mas eu também estou?
Conheça um pouco mais sobre Allan Meurer
- Sua maior ambição? Estar sempre crescendo
- Seu maior medo? Não dar a devida segurança para minha família
- Poder ou paz? Paz
- Dinheiro ou legado? Legado
- Maior conquista? A minha família
- Um livro que marcou você? A guerra e paz,
- Um sonho? Ter uma unidade nos Estados Unidos
- Um risco que valeu a pena? Empreender
- Uma decisão que repensaria? O crescimento acelerado que tivemos, mas que não estávamos organizados para isso
- Um hábito indispensável? Jiu-Jitsu
- Algo que ainda quer aprender? A ser um líder melhor
- Uma certeza que deixou para trás? Que eu era o resolvedor dos problemas de toda a minha companhia
- Qual conselho daria ao seu eu mais jovem? Não seja tão imediatista
- Uma música que te dá energia? Eu gosto de sertanejo
- O que mais valoriza nas pessoas? Lealdade
- O que te irrita? A demora, a lentidão
- Onde se vê daqui a cinco anos? Com uma unidade nos Estados Unidos.

Conheça um pouco mais sobre Zaahy Denyze Reggio
- Sua maior ambição? A iluminação
- Seu maior medo? Que não dê tempo de eu ver essa luz espalhada pelo universo
- Poder ou paz? Paz
- Dinheiro ou legado? Os dois, o dinheiro é bom, sabendo gastar
- Maior conquista? Ter conquistado a mim mesma
- Um livro que marcou você? Sacou, Bicho?!
- Um sonho? Eu penso que eu já realizei todos os sonhos que eu gostaria de realizar neste planeta
- Um risco que valeu a pena? Ter largado o meu lado profissional e levantar a Universidade de estudos avançados
- Uma decisão que repensaria? Eu diria casar e ter filhos, pelo tamanho da responsabilidade, Mas sou profundamente agradecida
- Um hábito indispensável? Estar presente
- O que mais valoriza nas pessoas? Honestidade
- Uma mania? De puxar a blusa, eu não consigo deixar o pescoço de fora por causa do meridiano no pescoço (é considerado um ponto energético crucial)
- O que te irrita? A demora.

Confira o episódio completo
