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Liberdade de expressão não é liberdade para mentir. Por Ana Dalsasso

Por Ligado no Sul15/10/2026 15h00
Imagem gerada por IA

Vivemos na era da comunicação instantânea, em que uma informação pode alcançar milhares de pessoas em poucos segundos. Nunca tivemos tantas ferramentas para compartilhar conhecimento, mas, contraditoriamente, também nunca foi tão fácil disseminar mentiras, manipular fatos e destruir reputações. As fake news tornaram-se uma ameaça à verdade, ao respeito e à própria convivência social.

A inteligência artificial (IA), quando utilizada com responsabilidade, representa um extraordinário avanço para a comunicação. Pode ampliar o acesso ao conhecimento, facilitar a compreensão de assuntos complexos e contribuir para a produção de conteúdos de qualidade. Entretanto, quando transformada em instrumento de manipulação, fabricação de falsas evidências ou difamação de adversários, deixa de servir ao progresso para se tornar uma arma contra a dignidade humana. A tecnologia não é o problema em si; o problema está na intenção de quem a utiliza.

É preciso compreender que toda pessoa tem direito à sua integridade moral, à sua honra e à sua imagem. Criticar ideias, decisões e atitudes faz parte de uma sociedade democrática. O que não se pode admitir é que a crítica seja substituída por ataques pessoais, acusações sem provas, montagens enganosas e mentiras deliberadamente construídas para desmoralizar alguém. Divergir não significa desrespeitar, e discordar não dá a ninguém o direito de destruir a reputação alheia.

Também é necessário lembrar que liberdade de expressão não significa libertinagem. A liberdade de manifestar opiniões é um direito fundamental, mas não constitui autorização para caluniar, difamar, distorcer fatos ou disseminar informações irresponsavelmente. Direitos caminham junto com deveres, e a liberdade exige consciência, limites éticos e responsabilidade pelas consequências das próprias palavras.

A comunicação precisa ser respeitada em sua essência e finalidade: informar, esclarecer, educar e promover o conhecimento. A palavra escrita ou falada tem força e alcance. Por isso, deve ser utilizada com responsabilidade, dentro dos princípios éticos e das normas que regem uma convivência civilizada. Antes de publicar ou compartilhar uma notícia, é indispensável verificar sua origem, conferir os fatos e distinguir opinião de informação comprovada.

As redes sociais poderiam ser poderosos instrumentos de democratização do conhecimento, aproximando pessoas, difundindo cultura e ampliando o acesso à informação. No entanto, quando utilizadas para espalhar boatos, alimentar o ódio e manipular a opinião pública, transformam-se em espaços de desinformação e intolerância.

As consequências são graves: pessoas inocentes podem ter suas vidas destruídas, famílias podem ser atingidas, conflitos podem ser ampliados e decisões importantes podem ser tomadas com base em mentiras. Na política, na educação, na saúde e em tantas outras áreas, a desinformação compromete o discernimento, enfraquece a confiança nas instituições e prejudica toda a coletividade.

Não podemos aceitar que a velocidade de uma publicação seja mais importante do que a veracidade de seu conteúdo. Tampouco podemos permitir que a tecnologia avance enquanto os valores éticos retrocedem. Precisamos de mais consciência, menos manipulação; mais conhecimento, menos intolerância; mais compromisso com a verdade e menos disposição para destruir reputações.

A comunicação é uma responsabilidade social. Que a inteligência artificial e as redes sociais sejam utilizadas para construir, esclarecer e ensinar, jamais para fabricar mentiras e destruir pessoas. Afinal, uma sociedade bem informada tem melhores condições de pensar, escolher e agir com liberdade. E a liberdade só cumpre sua verdadeira finalidade quando caminha ao lado da verdade, da ética e do respeito humano.

 

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal.

 

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