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Papo Empreendedor aborda autoconfiança, síndrome da impostora e o medo de não estar pronta

Com Talita “Tata” Cipriani e Hermídia, programa discutiu como comparação, perfeccionismo, medo do julgamento e insegurança podem impedir mulheres de reconhecer a própria capacidade

Por Ligado no Sul01/10/2026 14h30
Foto/Redação

Receber uma oportunidade desejada e, pouco tempo depois, começar a questionar se realmente é capaz de aproveitá-la. Essa dúvida, que pode aparecer mesmo diante de experiência, resultados e reconhecimento, foi o ponto de partida do sétimo encontro da 6ª temporada especial do Papo Empreendedor, apresentado por Anna Cardoso na Rádio Guarujá.

Para dividir a bancada, Anna recebeu Hermídia, personagem criada e interpretada por Maurício Goltz, que conhece de perto os desafios da exposição, da opinião pública e da coragem de aparecer. Nascida no rádio, a personagem ganhou espaço nas redes sociais e transformou humor e personalidade em uma marca reconhecida na região. Ao longo de quase uma década de trajetória, a comunicação também se tornou parte do negócio de Maurício.

A entrevistada foi Talita “Tata” Cipriani, psicóloga e mentora de mulheres. Atualmente, ela direciona o trabalho especialmente a mulheres que convivem com uma voz interna que frequentemente coloca em dúvida a própria capacidade, as escolhas e o próprio valor. Criadora do Método A.C.O.L.H.E.R., Tata também construiu sua trajetória profissional passando pelas áreas de desenvolvimento humano, inteligência emocional, educação parental e pelo trabalho com adolescentes.

Ao longo da conversa, autoconfiança, síndrome da impostora, comparação, perfeccionismo, medo do julgamento, posicionamento e exposição nas redes sociais estiveram entre os temas abordados. A discussão partiu principalmente daquela voz interna que, mesmo diante de resultados concretos, faz muitas pessoas questionarem a própria capacidade.

Segundo Tata, um dos primeiros passos é compreender que pensamentos automáticos não devem ser tratados necessariamente como fatos. Para ela, diante da dúvida, é preciso buscar evidências na própria trajetória.

“Então, nesses momentos, é necessário que a gente faça de fato esse exame de evidências e, ao invés de se apegar a essa voz interna que vem num primeiro momento duvidando de ti mesmo, lembrar de tudo aquilo que tu já foi capaz, de tudo aquilo que tu conseguiu”, explicou.

A psicóloga também compartilhou uma experiência pessoal. Antes de uma palestra para profissionais da saúde em São Paulo, contou ter enfrentado uma crise de ansiedade e começado a questionar se estava preparada. Foi uma amiga psicóloga que a fez olhar para os fatos e lembrar das experiências anteriores.

“Ela olhou para mim e perguntou: ‘Alguma vez deu errado?’. Eu disse: ‘Não’. Ela falou: ‘Tu não tem evidência’. E aí aquilo me bateu. Eu falei: ‘Verdade, eu faço isso com os pacientes. Eu não tenho evidência nenhuma de que em algum momento deu errado’”, relatou.

A partir da experiência, Tata destacou uma estratégia que pode ser aplicada quando surgir o pensamento de incapacidade.

“Para e te questiona nesse momento: quando que eu não consegui? Quando que eu não dei conta? Quais foram as coisas que eu já conquistei na minha vida? E faz uma lista dessas coisas, porque é nisso que tu tem que te basear. São nos fatos e não na interpretação da tua cabeça”, afirmou.

Síndrome da impostora mesmo com experiência

Durante o Papo Empreendedor, Tata explicou que a chamada síndrome da impostora pode aparecer justamente quando a pessoa recebe reconhecimento externo, mas internamente continua acreditando que não é tão competente quanto os outros imaginam.

A própria psicóloga contou que, apesar da experiência com palestras, workshops, eventos e entrevistas, ainda enfrenta momentos em que questiona a própria capacidade diante de um novo desafio.

“Eu fico: ‘Meu Deus do céu, eu não sou capaz de fazer isso, eu não vou dar conta, eu não sou boa o suficiente. As pessoas estão exagerando quando elas acham que eu sou isso tudo’. É essa dúvida que passa na tua cabeça”, exemplificou.

Para ela, sentir ansiedade ou medo antes de uma situação importante não significa necessariamente falta de preparo. Tata lembrou que, mesmo acostumada a falar em público, ainda sente frio na barriga antes de determinadas apresentações.

Perfeccionismo pode impedir o primeiro passo. Tata relembrou os primeiros vídeos que produziu para a internet e contou que, em vez de esperar dominar completamente a comunicação diante das câmeras, começou com os recursos e conhecimentos que tinha naquele momento.

“As pessoas normalmente esperam estar tudo perfeito para começar e isso não existe. O perfeito não existe. O que existe é tu meter a cara do jeito que tu pode e, a partir disso, tu vai alinhando e melhorando”, disse.

A psicóloga contou que revia os próprios vídeos e anotava aspectos que poderiam ser aprimorados. A cada nova gravação, tentava corrigir um ponto e repetia o processo.

“Olhar para os erros não é para se chicotear: ‘Ai, que ridícula. Olha eu lá, gaguejei, falei tudo errado’. Não. Pera aí. Estou aprendendo e num processo de aprendizagem”, ressaltou.

A experiência encontrou paralelo na trajetória de Hermídia. Maurício Goltz contou que a personagem surgiu a partir de uma oportunidade dentro do próprio rádio. Com o passar dos anos, o trabalho avançou para as redes sociais, eventos e outras atividades, exigindo aprendizado constante.

Hermídia também lembrou que a construção da presença digital ocorreu aos poucos e que os primeiros conteúdos permanecem nas redes justamente como registro dessa evolução.

“Eu nunca excluí nada das minhas redes sociais. Se vocês olharem, tem 2 mil posts lá nesses 10 anos. E eu gosto de saber minha história, eu gosto de saber como a gente evoluiu. Eu olho para aquilo, eu sinto orgulho”, contou.

Para ela, esperar equipamentos, equipe ou estrutura ideal antes de começar pode impedir o primeiro passo. Durante muito tempo, Hermídia e Tata produziram os próprios conteúdos, cuidando de gravação e das redes sociais com os recursos disponíveis.

Exposição e medo do julgamento

A presença nas redes sociais trouxe ainda a discussão sobre exposição e julgamento. Hermídia destacou que construir uma trajetória na internet leva tempo, enquanto um erro pode ganhar repercussão rapidamente.

“Para você criar uma trajetória nas redes sociais, leva anos. Eu estou chegando há 10 anos na internet e ainda estou construindo a minha história. Agora, para você ser cancelado, é segundos, é uma fala errada, é um vídeo errado”, afirmou.

Para Tata, o receio da opinião dos outros pode se tornar mais uma barreira para quem deseja iniciar um projeto ou se posicionar publicamente. A psicóloga defendeu que a evolução vem da prática e do aprendizado obtido durante o próprio processo.

“Habilidades não chegam por osmose, elas chegam por treinamento. Então, se tu está querendo fazer alguma coisa na tua vida, começa. Começa e depois tu melhora, mas não deixa de fazer”, afirmou.

A entrevistada também destacou que aceitar uma oportunidade não significa necessariamente já dominar tudo o que será necessário para executá-la. Em alguns casos, o desafio exige estudo, preparação e disposição para desenvolver novas competências.

“Nem sempre tu sabe tudo e nem sempre tu está preparado. O que conta é a tua disposição e a tua boa vontade para fazer aquilo”, disse.

Ao encerrar a conversa, Tata reforçou que novos desafios tendem a provocar resistência justamente porque exigem sair do que já é conhecido e aprender algo diferente.

“É tu que tem que confiar na tua capacidade. Então te empodera de quem tu é para que tu consiga atingir os objetivos que tu busca, senão tu passa uma vida vivendo a vida que os outros querem que tu viva e não a tua vida”, concluiu.

Confira o episódio completo

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