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Do sonho de Nova York aos negócios: Sany Marques conta sua história no “Fora do Ar”

Empresário relembra infância, vida nos Estados Unidos, empreendedorismo, design e escolhas que marcaram sua trajetória em conversa com Marc Lopes

Por Ligado no Sul17/08/2026 15h00
Foto/Redação

Tem história que não cabe em uma entrevista curta. A de Sany Marques passa pela infância em Porto Alegre, por uma família ligada à cultura e ao jornalismo, pela decisão de permanecer nos Estados Unidos com apenas 35 dólares no bolso, por noites em Nova York, viagens de ônibus pelo país, design, empreendedorismo e, mais tarde, pela volta ao Brasil.

Foi justamente para conhecer esse lado menos conhecido do empresário que Marc Lopes recebeu Sany no “Fora do Ar”, podcast da Rádio Guarujá. Em uma conversa leve e cheia de histórias, o entrevistado falou sobre as escolhas que fez ao longo da vida e sobre a forma como passou a enxergar oportunidades, trabalho e criatividade.

A relação com os Estados Unidos começou ainda jovem. Sany contou que foi estudar no país e, depois de aproximadamente um ano, decidiu ficar. O problema é que a decisão veio acompanhada de apenas 35 dólares no bolso e da necessidade de começar a se virar sozinho.

“Desde esse dia, eu me tornei independente. E foi uma coisa que eu sempre quis. Eu sempre quis ser independente. E aí comecei a trabalhar, comecei a fazer as coisas e fui descobrindo. Eu acho que isso foi muito importante na minha vida”, relembrou.

A experiência em Nova York também rendeu histórias que parecem saídas de um filme. Sany frequentou o Studio 54, conheceu personagens conhecidos da época e viveu uma cidade em plena transformação cultural. Mas, mais do que as histórias curiosas, ele diz que aprendeu a observar.

Uma dessas lições veio de um trabalho como mensageiro. Ele entrava nos hotéis pela porta de serviço para fazer as entregas, mas fazia questão de sair pela porta principal. A situação acabou provocando uma reflexão sobre o lugar que queria ocupar.

“Eu entrava pela porta de serviço, mas saía pela porta da frente. Daí comecei a perceber a diferença. Se eu queria continuar entrando pela porta de serviço ou queria entrar pela frente. E foi aí que eu comecei a pensar: ‘Bom, eu quero entrar pela frente’. Então eu comecei a prestar atenção nas pessoas, comecei a prestar atenção no que estava acontecendo”, contou.

A curiosidade também levou Sany a conhecer boa parte dos Estados Unidos de ônibus. Ele comprou um passe estudantil da Greyhound e percorreu diferentes regiões do país, muitas vezes viajando durante a noite para economizar. A experiência, segundo ele, foi uma verdadeira escola.

No Brasil, o empreendedorismo ganhou novos capítulos. Sany passou pelo setor de malharia, trabalhou com produtos ligados à moda e voltou aos Estados Unidos, onde também se aproximou do design. Em Nova York, criou a Format, loja voltada ao design e mobiliário, que se tornou uma das experiências mais marcantes de sua trajetória.

Para Sany, o design nunca esteve separado do empreendedorismo. Pelo contrário: criar, observar e entender o comportamento das pessoas fazem parte do mesmo processo.

“Eu acho que o design é uma coisa que está dentro de mim. Eu gosto de criar. Eu gosto de fazer coisas diferentes. Eu gosto de olhar e dizer: ‘Isso pode ser melhor’. E acho que isso foi me levando para os negócios também. Meu hobby é o meu trabalho”, afirmou.

A volta ao Brasil aconteceu anos depois, quando a família passou a ter negócios em Santa Catarina. Foi então que Sany entrou em uma nova fase profissional, envolvendo-se com a Água Gravatal e buscando reposicionar a empresa e seus produtos.

A conversa também passou por ideias que deram certo, outras que chegaram antes da hora e pela necessidade de entender o momento de cada mercado. Sany contou que algumas tendências que conheceu fora do país não encontraram espaço imediato no Brasil.

“A carroça estava na frente do cavalo. Às vezes a gente tem uma ideia muito boa, mas o mercado ainda não está preparado. E isso também faz parte. Você tem que saber esperar, tem que saber o momento certo. Não adianta você ter uma ideia maravilhosa se ninguém está preparado para aquilo”, explicou.

E se existe uma característica que atravessa a trajetória contada no podcast, é a inquietação. Sany fala sobre negócios, mas também sobre arte, pintura, escultura e a necessidade de continuar criando. Para ele, o lado artístico nunca ficou separado da vida profissional.

“Eu tentei adaptar esse lado artístico o máximo possível para tudo que eu faço. Porque eu acho que é isso que dá personalidade às coisas. Você não pode simplesmente fazer igual aos outros. Tem que ter alguma coisa sua ali”, disse.

Mas o “Fora do Ar” também saiu dos negócios e entrou em um terreno mais pessoal. Em determinado momento, Marc Lopes surpreendeu Sany ao colocar diante dele uma fotografia de quando ainda era criança e pedir que ele olhasse para aquele menino e dissesse o que gostaria de falar para ele hoje.

“Hoje é um bom dia para ser feliz”, disse Sany, revelando uma frase que, segundo ele, faz parte de sua rotina. A partir daí, falou sobre felicidade, dificuldades e sobre a importância de não esperar que a vida seja perfeita para se sentir bem.

“Não podemos confundir dificuldades com felicidade. Dificuldade todo mundo vai ter. Felicidade é de dentro para fora. Não é o que está acontecendo fora que vai determinar se você é feliz ou não. Você tem que encontrar isso dentro de você”, afirmou.

E o papo termina justamente em uma reflexão sobre aquilo que fica depois da gente. Sany fala sobre os projetos que ainda pretende realizar e usa a imagem de uma árvore que está sendo plantada agora, mesmo que talvez não seja ele quem aproveite sua sombra ou seus frutos no futuro.

É uma conversa que começa falando de negócios, passa por Nova York, design, criatividade, viagens e empreendedorismo e termina falando de felicidade, escolhas e legado.

O episódio completo de “Fora do Ar com a Guarujá”, apresentado por Marc Lopes, está disponível para quem quiser conhecer essa história por inteiro.

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