Pela primeira vez, pesca da tainha é suspensa em Santa Catarina após cota atingir limite imposto pelo governo federal
Embarcações que ainda estavam em atividade têm até esta segunda-feira para desembarcar o pescado e deixar o mar
Pela primeira vez na história da pesca da tainha em Santa Catarina, o Ministério da Pesca e Aquicultura determinou a suspensão da captura da espécie durante a safra. A medida entrou em vigor neste domingo, 7, após o volume de pesca atingir 90% da cota autorizada para a temporada de 2026.
A decisão afeta a modalidade de arrasto de praia, uma das mais tradicionais do litoral catarinense. Segundo o governo federal, a suspensão tem caráter preventivo e busca evitar que a quantidade de tainhas capturadas ultrapasse o limite estabelecido para este ano.
As embarcações que já estavam em atividade quando a medida foi anunciada receberam autorização para concluir as operações e desembarcar o pescado. O prazo de 24 horas termina na tarde desta segunda-feira, 8, quando os barcos deverão deixar o mar e encerrar a pesca da espécie.
A cota da temporada foi fixada em 8.168 toneladas por meio de uma portaria conjunta dos ministérios da Pesca e do Meio Ambiente. O acompanhamento do volume capturado é realizado por meio do Painel de Monitoramento da Temporada de Pesca da Tainha, alimentado com dados repassados pelos pescadores e empresas do setor.
Após o desembarque das últimas capturas, os pescadores poderão seguir com a pesca de outras espécies permitidas, mas a captura da tainha permanecerá suspensa até nova determinação do Ministério da Pesca.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Santa Catarina, a pesca artesanal da tainha é uma das tradições mais importantes do estado. A atividade mobiliza milhares de pescadores de norte a sul do litoral catarinense e movimenta a economia de dezenas de comunidades pesqueiras durante a safra.
Além da importância econômica, a temporada da tainha carrega um forte valor histórico, cultural e social, reunindo famílias e preservando técnicas de pesca transmitidas entre gerações.
A decisão impacta diretamente centenas de pescadores e comunidades pesqueiras do litoral catarinense, onde a safra da tainha representa uma importante fonte de renda para milhares de famílias.
