Orleans reage ao avanço das “motinhas elétricas” e prepara jovens para um trânsito mais seguro
Capacitação da Prefeitura e Polícia Militar será gratuita e terá aulas teóricas e práticas para adolescentes a partir de 12 anos
A Prefeitura de Orleans, em parceria com a Polícia Militar de Santa Catarina, abriu as inscrições para o projeto Jovem Condutor, uma capacitação gratuita voltada prioritariamente a adolescentes a partir de 12 anos que utilizam bicicletas elétricas, patinetes, scooters, hoverboards e outros veículos autopropelidos.
As inscrições ficam abertas até o dia 31 de agosto, e a primeira turma será realizada em 12 de setembro, com uma programação que reúne atividades teóricas e práticas.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá o comandante da Polícia Militar de Orleans, capitão Cristóvão de Oliveira, e o assessor jurídico da Prefeitura, Mathaus Gabriel, explicaram que a iniciativa surgiu diante do crescimento do número de veículos elétricos utilizados no município e da preocupação com comportamentos que podem colocar em risco tanto os próprios condutores quanto pedestres e motoristas.
Segundo o capitão Cristóvão, a mudança na mobilidade urbana de Orleans tornou necessário ampliar a orientação sobre o uso desses veículos.
“Essa é uma preocupação tanto da Polícia Militar quanto da Prefeitura, razão pela qual a gente uniu esforços para nascer este projeto. Aqui em Orleans a gente está realmente vivendo uma transformação na mobilidade urbana, porque não apenas a gente encontra veículos ou motocicletas, mas também, no meio deste trânsito de Orleans, os autopropelidos. E a gente tem observado condutas que muitas vezes geram risco tanto para o próprio condutor do autopropelido quanto para os demais usuários da via”, explicou.
O comandante ressaltou ainda que a maioria dos usuários são adolescentes que não possuem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e, por isso, podem não ter conhecimento suficiente sobre as regras de circulação.
“Estamos lidando principalmente com um nicho que não tem sequer Carteira Nacional de Habilitação, que é o jovem. Os pais compram o autopropelido para os seus filhos. Relembrando: não é um brinquedo. Não podemos confundir o autopropelido com uma bicicleta ou com qualquer outro meio de locomoção, porque, se não for utilizado de forma consciente, pode causar um acidente”, alertou.
Capacitação terá três horas de duração
O projeto Jovem Condutor é destinado a adolescentes de 12 a 20 anos e terá uma carga horária de três horas em um único dia. A programação será dividida entre uma etapa teórica e outra prática.
Na parte teórica, a Polícia Militar pretende abordar as regras de circulação e comportamentos seguros de uma maneira adaptada à linguagem dos jovens. Na sequência, os participantes terão uma atividade prática no entorno da Praça de Orleans.
“O projeto vai se desenvolver num único dia, com uma carga horária de três horas-aula. Então não é uma capacitação longa, não vai depender de vários dias. É um encontro da Polícia Militar e da Prefeitura Municipal com esses jovens que conduzem autopropelidos aqui na cidade de Orleans”, explicou Cristóvão.
“Teremos uma parte teórica muito lúdica, muito voltada à linguagem do jovem, para que a gente consiga fazer com que ele reflita também sobre as condutas no trânsito. Às vezes, ações simples que eles não têm conhecimento podem prevenir um acidente. Depois faremos uma prática no mesmo dia, que vai se desenvolver aqui na própria Praça de Orleans”, completou.
No dia da capacitação, os participantes deverão levar seus próprios veículos autopropelidos para realizar a atividade prática. O entorno da praça será organizado para que os jovens possam colocar em prática as orientações recebidas durante a aula teórica.
Projeto não tem objetivo de multar ou recolher veículos
Apesar de a iniciativa estar relacionada ao aumento do uso de veículos autopropelidos, a Prefeitura e a Polícia Militar ressaltam que o objetivo inicial é educar e conscientizar, e não aplicar punições.
Mathaus Gabriel explicou que o projeto teve origem em uma proposta apresentada na Câmara de Vereadores e, posteriormente, foi estruturado pelo município em parceria com a Polícia Militar.
“A intenção inicial não é recolher autopropelidos, não é multar ninguém, mas sim educar o jovem para que ele possa entender um pouco mais sobre o trânsito e conduzir com segurança”, afirmou.
O capitão Cristóvão acrescentou que a Polícia Militar também recebe cobranças para intensificar a fiscalização, mas entende que a orientação deve vir antes das medidas punitivas.
“Nós temos sido muito cobrados tanto pelo poder público quanto pelos usuários do trânsito de Orleans e pelos pais para que a gente tome providências um pouco mais enérgicas, como fiscalização e recolhimento. Mas nós pensamos que, primeiro, antes de nós fiscalizarmos, a gente precisa ensinar”, destacou.
Segundo ele, a proposta é semelhante ao processo de preparação pelo qual passa uma pessoa que deseja conduzir um veículo automotor.
“Temos sido demandados muito pela fiscalização de um nicho de pessoas que sequer sentou por um minuto para aprender como pode se portar, como deve conduzir, o que pode e o que não pode fazer. Então, primeiro pensamos em capacitar e ensinar esses jovens e, aí sim, em conjunto com a legislação federal, podemos fiscalizar aqui na cidade de Orleans”, explicou.
Uso dos autopropelidos também cresce entre adultos
Embora o projeto tenha como público prioritário os adolescentes, a preocupação não se limita aos jovens. O capitão Cristóvão destacou que bicicletas e outros veículos elétricos passaram a ser utilizados também por adultos para deslocamentos cotidianos e até para o trabalho.
“O autopropelido se tornou um meio de locomoção versátil, econômico e que tem substituído muitas vezes o próprio veículo, motocicletas, enfim. Diante disso, a gente tem observado que o uso do autopropelido não é mais para a diversão, para o lazer, e sim para deslocamentos e para o trabalho”, afirmou.
O comandante também destacou as características de Orleans como um dos fatores que favorecem o uso desse tipo de veículo.
“Orleans é uma cidade que geograficamente pede o uso desse tipo de veículo, porque não é a cidade das colinas, tudo é morro aqui em Orleans. Então, aquele deslocamento que antigamente era feito a pé de um ponto a outro, hoje as pessoas estão optando por investir no autopropelido”, disse.
Segundo Cristóvão, atualmente a principal regulamentação específica sobre esses veículos está na Resolução 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabelece regras para circulação e utilização.
“Ali pode se encontrar tudo o que pode ser feito ou o que não pode ser feito com o autopropelido, as regras que as pessoas têm que cumprir. E isso pouco se fala. Então, a gente precisa trazer este conhecimento, sobretudo para os jovens, para que a gente consiga inseri-los com mais segurança aqui na cidade de Orleans, com o trânsito”, explicou.
Prefeitura dará suporte ao projeto
A Prefeitura de Orleans ficará responsável por parte da estrutura necessária para a realização da capacitação. De acordo com Mathaus, o município disponibilizará profissionais, estrutura logística, certificados e adesivos, além do suporte necessário para a realização das atividades.
A primeira turma terá entre 20 e 30 participantes e a Prefeitura e a Polícia Militar pretendem organizar novas edições.
“Preenchendo o número máximo de alunos, a gente já marca a próxima edição. Quem se inscrever nesse período, que abriu no dia 1º de agosto e vai até o dia 31, e porventura, por ordem de inscrições, ficar de fora, nós marcaremos uma segunda edição. A gente vai informar oportunamente a data”, explicou Cristóvão.
Inscrições estão abertas
As inscrições para o projeto Jovem Condutor podem ser feitas até 31 de agosto, pelo site da Prefeitura de Orleans. Após a inscrição, os participantes serão adicionados a um grupo de WhatsApp para receber informações sobre a capacitação.
A primeira edição será realizada no dia 12 de setembro, com três horas de atividades teóricas e práticas.
Para o capitão Cristóvão, a participação dos pais é fundamental, já que a capacitação pode contribuir diretamente para evitar acidentes.
“Os pais têm que ser duplamente responsáveis por inscrever os seus filhos. Não depender só da vontade do jovem, porque nós sabemos que o jovem, num sábado de manhã, quer dormir mais tarde, quer aproveitar o final de semana. Mas são três horas-aula que podem salvar uma vida”, afirmou.
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