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Senado aprova PEC da Segurança Pública, mas deixa redução da maioridade penal de fora

Proposta recebeu apoio unânime dos senadores, enquanto mudanças na idade de responsabilização criminal serão discutidas separadamente

Por Ligado no Sul04/11/2026 09h30
Foto/Senado Notícias

O Senado Federal aprovou, na noite desta terça-feira (3), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que prevê medidas mais rígidas contra facções criminosas e milícias, além de ampliar a integração entre as forças policiais do país. Apesar da aprovação unânime, a redução da maioridade penal, defendida por parlamentares da oposição, ficou fora do texto.

A PEC recebeu 73 votos favoráveis e nenhum contrário no primeiro turno. Na segunda votação, foram 75 votos a favor e nenhum contra. Como a proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, o próximo passo será a promulgação pelo Congresso Nacional.

A principal discussão da sessão foi a tentativa de reduzir a maioridade penal, atualmente fixada em 18 anos. O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma emenda para permitir que adolescentes a partir dos 16 anos respondessem criminalmente como adultos. Para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas, a proposta previa reduzir a idade para 14 anos.

Outra emenda, apresentada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), defendia a redução para 16 anos apenas nos casos de crimes hediondos.

O relator da PEC, senador Rogério Carvalho (PT-SE), defendeu que as mudanças fossem discutidas separadamente, por considerar que a maioridade penal é um assunto complexo e que precisa de uma análise específica. Ele também argumentou que alterar o conteúdo da PEC obrigaria a proposta a retornar à Câmara dos Deputados, o que atrasaria sua entrada em vigor.

“Isso impediria a promulgação imediata e atrasaria o atendimento de necessidades inadiáveis da população brasileira, que clama por mais segurança pública”, explicou Carvalho.

A decisão provocou críticas do líder da oposição, Rogério Marinho, que considerou a retirada das emendas uma forma de impedir que os senadores votassem diretamente sobre a redução da maioridade penal.

“O relator propõe que, na prática, este Plenário seja cerceado, seja emudecido, que haja uma procrastinação, que se coloque para adiante, que não se permita que a discussão aconteça”, criticou Marinho.

Já a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), defendeu a aprovação das medidas que tinham apoio dos parlamentares, sem misturar a discussão sobre a maioridade penal.

“A luta política sobre a PEC da segurança não existe. Todos concordamos com ela. Nós podemos ter uma aprovação unânime ou quase unânime da PEC da segurança”, afirmou a senadora.

A decisão de analisar as emendas separadamente foi aprovada por 38 votos a 36, resultado que mostrou a divisão entre os senadores sobre o assunto.

Com isso, a maioridade penal permanece em 18 anos. As propostas de redução continuarão em discussão no Congresso Nacional, mas não há garantia de que sejam aprovadas.

O que muda com a PEC da Segurança Pública

A proposta aprovada prevê mudanças na organização da segurança pública brasileira e busca ampliar a atuação conjunta dos governos federal, estaduais e municipais.

Entre as principais medidas estão regras mais rígidas para integrantes de facções criminosas e milícias, especialmente seus líderes. O texto prevê cumprimento de penas em unidades de segurança máxima, restrições à progressão de regime e possibilidade de confisco de bens ligados ao crime organizado.

A PEC também fortalece o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com maior compartilhamento de informações e operações conjuntas entre os órgãos policiais.

Outra mudança é a possibilidade de criação de polícias municipais, desde que sejam cumpridos requisitos legais. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também poderá atuar no policiamento de ferrovias e hidrovias federais.

Na área financeira, a proposta estabelece novas regras para garantir recursos destinados à segurança pública e ao sistema penitenciário, com repasses obrigatórios e maior proteção dos fundos contra bloqueios orçamentários.

A PEC foi apresentada pelo governo federal e passou por alterações durante a tramitação no Congresso. Com a aprovação nas duas Casas, o texto poderá ser incorporado à Constituição após a promulgação.

Já a discussão sobre reduzir a maioridade penal continuará no Congresso Nacional, em propostas específicas, sem prazo definido para uma decisão final.

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