Campanha Maio Laranja mobiliza Orleans com ações de prevenção e conscientização
Passeata no dia 18 de maio e atividades ao longo do mês buscam alertar sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes
O município de Orleans promove, ao longo do mês de maio, uma série de ações dentro da campanha Maio Laranja, voltada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Sobre o tema, o Jornal da Guarujá conversou com Otávio Sampaio, representante do comitê de gestão colegiada da rede de proteção, e por Giulia Oliva Grassi, psicóloga, coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e também representante do comitê.
A principal mobilização será no dia 18 de maio, data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Neste dia, será realizada uma passeata com concentração às 9h, na Rua Professor Maio, no bairro Lomba, ao lado do cemitério. O trajeto seguirá pela Rua Aristiliano Ramos, contornando a Praça Celso Ramos, com encerramento na praça coberta, onde haverá atividades para o público e distribuição de guloseimas.
A ação contará com a participação de diversas entidades, incluindo as secretarias municipais de Saúde, Educação e Assistência Social, escolas municipais e estaduais, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar, além de órgãos como CRAS, CREAS, SCFV e CMDCA.
Durante a entrevista, Otávio destacou a importância de tratar o tema de forma contínua e preventiva. “A gente precisa se conscientizar e trazer esse tema cada vez mais para debate nas escolas, nos espaços públicos e coletivos, principalmente para trabalhar a prevenção. Quando conseguimos abordar isso com crianças e adolescentes, evitamos que esse direito seja violado”, afirmou.
Ele também ressaltou que, embora erradicar totalmente o problema seja difícil, é necessário agir como se fosse possível. “A gente sabe que é um sonho distante, mas precisa diminuir sensivelmente os números. Cada avanço já é uma vitória”, pontuou.
A psicóloga Giulia Oliva Grassi explicou que uma das maiores dificuldades no combate a esse tipo de crime está na forma como a sociedade enxerga crianças e adolescentes. “A gente parte de um princípio muito básico: muitas vezes não se entende que crianças e adolescentes são sujeitos de direito. E quando não se entende isso, parece que se pode fazer qualquer coisa com eles”, destacou.
Ela também chamou atenção para o fato de que a violência sexual é mais ampla do que muitas pessoas imaginam e nem sempre deixa provas. “Não se restringe ao ato em si. Pode envolver exposição, situações constrangedoras, e isso dificulta a comprovação. Por isso, o relato da criança tem sido cada vez mais valorizado nas decisões judiciais”, explicou.
Outro ponto abordado foi o fato de que a maioria dos casos ocorre dentro do ambiente familiar. “A gente precisa tomar muito cuidado, porque muitas vezes não é algo que acontece fora de casa. Por isso, é importante que a criança tenha outras pessoas de confiança, como professores ou profissionais da saúde”, reforçou Otávio.
Além da passeata, a programação do Maio Laranja em Orleans inclui outras ações. No dia 11 de maio, será realizada uma apresentação teatral no Centro de Eventos Galeano Zomer, voltada a crianças de 6 a 12 anos, com abordagem lúdica sobre prevenção. A expectativa é envolver cerca de 1,6 mil alunos das redes municipal e estadual.
Também será promovido um concurso cultural nas escolas, incentivando crianças e adolescentes a produzirem desenhos e criarem um mascote da campanha, envolvendo também as famílias no debate. “A ideia é fazer com que esse assunto seja tratado dentro de casa, de forma orientada e acessível”, explicou Giulia.
Os entrevistados também destacaram o trabalho da rede de proteção no município, com capacitação de profissionais para identificar sinais de violência e acolher relatos. “Quando uma criança revela uma situação, o profissional precisa saber como agir, sem julgamento e com responsabilidade”, destacou Otávio.
Por fim, eles reforçaram a importância da participação da comunidade e da denúncia. Casos suspeitos podem ser comunicados de forma anônima pelo Disque 100.
“A violência existe e não pode ser naturalizada. A gente precisa falar, orientar e agir. Proteger crianças e adolescentes é responsabilidade de todos”, concluiu Giulia.
Confira entrevista completa
