Fobia social vai além da timidez e pode fazer pessoas evitarem situações do dia a dia, alerta psicóloga
No quadro Mente em Sintonia, do Jornal da Guarujá, Vanesa Bagio explicou como o medo de críticas e julgamentos pode afetar o trabalho, os relacionamentos e a vida social
O medo constante de ser julgado, criticado ou passar vergonha diante de outras pessoas pode ser um sinal de fobia social, também conhecida como transtorno de ansiedade social. A condição, que pode afetar os relacionamentos e até atividades simples do dia a dia, foi tema do quadro Mente em Sintonia desta quarta-feira (28), no Jornal da Guarujá, com a psicóloga Vanesa Bagio.
Vanesa explicou que o transtorno vai além da timidez e pode comprometer atividades simples do cotidiano, como participar de reuniões, conversar com desconhecidos, fazer ligações telefônicas e até comer na presença de outras pessoas.
“É sempre sobre o outro, o que o outro está vendo sobre mim, o que o outro está pensando sobre mim”, explicou.
Segundo a psicóloga, quem apresenta esse tipo de ansiedade pode desenvolver pensamentos negativos antes mesmo de enfrentar uma situação social. O receio de ser observado ou criticado acaba prejudicando a concentração e pode levar a pessoa a evitar oportunidades profissionais e encontros sociais.
No ambiente de trabalho, por exemplo, o transtorno pode se manifestar pelo medo de apresentar ideias, conversar com superiores ou aceitar uma promoção. Já nas relações pessoais, algumas pessoas deixam de frequentar festas e encontros ou permanecem em silêncio, mesmo quando gostariam de participar das conversas.
Vanesa destacou que a fobia social não deve ser confundida com o simples cansaço de conviver com outras pessoas. Enquanto a exaustão pode provocar irritação e vontade de ficar sozinho, o transtorno está relacionado ao medo da exposição e do julgamento.
Bullying e redes sociais podem intensificar o sofrimento
Durante a entrevista, a psicóloga comentou o caso do influenciador Felca, que tornou público seu diagnóstico de fobia social. O exemplo serviu para discutir como experiências de bullying, humilhação e exposição podem afetar a saúde emocional.
Vanesa chamou atenção especialmente para crianças e adolescentes que sofrem bullying nas escolas. Conforme explicou, mudanças repentinas de comportamento, isolamento e alterações na convivência familiar podem indicar sofrimento emocional e merecem atenção.
A exposição nas redes sociais também foi destacada como um fator que pode aumentar o medo de críticas. A psicóloga explicou que algumas pessoas revisam mensagens repetidamente, evitam publicar opiniões ou passam horas preocupadas com a possibilidade de terem dito algo errado.
Para ilustrar a situação, Vanesa relembrou a insegurança que sentiu ao gravar seus primeiros vídeos para a internet. Na ocasião, sua preocupação estava mais relacionada à própria aparência e ao julgamento dos outros do que à informação que pretendia transmitir.
Críticas em público podem provocar medo e insegurança
Outro ponto abordado foi a maneira como as pessoas recebem críticas, principalmente no ambiente profissional.
“Tomem cuidado quando você chama atenção de uma pessoa que errou. Não exponha essa pessoa na frente dos outros. Chame para uma conversa pessoal”, orientou.
De acordo com a psicóloga, situações de constrangimento podem fazer com que uma pessoa antes comunicativa passe a evitar reuniões, deixe de apresentar opiniões e desenvolva receio de cometer novos erros diante dos colegas.
A profissional ressaltou que o medo faz parte das reações humanas, mas merece atenção quando se torna intenso, frequente e começa a limitar a rotina. Nessas situações, a avaliação psicológica pode ajudar a identificar o problema e orientar o tratamento adequado.
A psicóloga Vanesa Bagio realiza atendimentos presenciais no Edifício Happy Cowork, no quarto andar, no Centro de Orleans. Ela também oferece atendimentos on-line. Mais informações sobre seu trabalho podem ser obtidas pelo Instagram @vanesabagio.psi.
