Flávio Bolsonaro chega aos EUA com apoio de Trump e denuncia perseguição política em carta
Senador deixou o Brasil após decisão de Alexandre de Moraes que determinou a apreensão de seus passaportes; outros políticos de direita também passaram a ser alvo de medidas e pedidos judiciais
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira, dia 28 de outubro, acompanhado da esposa e das duas filhas. Após desembarcar em Miami, divulgou uma carta na qual afirmou ser alvo de perseguição política, questionou o resultado das eleições presidenciais e anunciou que continuará liderando a oposição ao governo Lula a partir do exterior.
A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão dos passaportes do senador e proibir sua saída do Brasil. O pedido da Polícia Federal foi apresentado no domingo, dia 25, sete minutos após a confirmação da vitória de Lula. A PF justificou a medida pelo risco de Flávio deixar o país, já que ele é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Na carta, o senador afirmou que decidiu deixar o país por temer novas medidas judiciais contra ele e para proteger sua família.
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar”, escreveu.
Flávio também negou ter cometido crimes e afirmou que as medidas contra ele possuem motivação política.
“Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime”, declarou.
Em outro trecho, o senador afirmou que sua decisão não representa o abandono do país.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu.
Flávio também criticou o funcionamento das instituições brasileiras e fez um apelo à comunidade internacional para que acompanhe a situação política do país.
Trump confirma autorização para entrada nos Estados Unidos
O presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou que seu governo autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro e de sua família nos Estados Unidos. O senador recebeu uma autorização humanitária que permite sua permanência no país por um ano, até outubro de 2027.
Trump também questionou o processo eleitoral brasileiro e afirmou considerar que a família Bolsonaro recebeu tratamento injusto. Apesar disso, declarou que não pretende se envolver diretamente na disputa política do Brasil.
A autorização humanitária não equivale à concessão de asilo político. Até o momento, não há confirmação pública de que um pedido formal de asilo tenha sido aprovado.
Flávio anuncia oposição a Lula
Na carta, o senador agradeceu o apoio de Trump e do presidente argentino Javier Milei. Também questionou a vitória de Lula, embora não tenha apresentado provas de fraude eleitoral.
Flávio afirmou que pretende continuar sua atuação política mesmo fora do Brasil.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, escreveu.
Outros políticos de direita também são alvo de iniciativas judiciais
A situação de Flávio ocorre em meio a novas disputas políticas e judiciais envolvendo parlamentares de direita.
No Paraná, o diretório estadual do PT publicou nas redes sociais a frase “Deltan, você é o próximo”, dirigida ao senador eleito Deltan Dallagnol (Novo). O partido explicou que a publicação se refere à intenção de cobrar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o julgamento de um recurso que questiona a candidatura de Dallagnol.
Em Minas Gerais, o deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) a retenção do passaporte do deputado Nikolas Ferreira (PL). Rousseff alegou risco de saída do país para evitar procedimentos judiciais.
