Comissão do Senado se reúne com PF e STF e reforça que investigação do caso Banco Master não pode ser abafada
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o senador Esperidião Amin comenta reunião da Comissão de Assuntos Econômicos com a PF e o STF e defende transparência total nas investigações do caso Banco Master
A Comissão de Acompanhamento do Caso Banco Master, criada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, se reuniu na noite desta quarta-feira (11) com o diretor-geral da Polícia Federal do Brasil, Andrei Rodrigues, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin.
Na manhã desta quinta-feira (19), o Jornal da Guarujá conversou com o senador Esperidião Amin (PP-SC), que detalhou os bastidores das reuniões e fez críticas duras à gravidade do caso.
Segundo o senador, a criação do grupo foi uma resposta necessária do Congresso. “Realmente, em boa hora foi criado esse grupo de trabalho na Comissão de Assuntos Econômicos, porque foi o primeiro movimento no Congresso para fazer frente, para dizer presente a esta barbaridade”, afirmou.
Amin comparou o episódio às denúncias já reveladas na CPI do INSS. “Não bastassem os episódios da própria CPI do INSS, que mostraram ao Brasil a crueldade de avançar em cima do dinheirinho suado de aposentados, pessoas vulneráveis. Não bastasse isso, surge esse gigantesco processo de fraudes”, declarou.
De acordo com ele, o rombo pode chegar à casa dos R$ 50 bilhões, valor que já estaria sendo coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mantido pelos bancos brasileiros. Ele também citou a liquidação do Banco Pleno, apontado como ligado ao grupo.
“Não permitir abafar a operação”
O senador afirmou que um dos principais objetivos do grupo é garantir que as investigações avancem sem interferências. “Mobilizamos especialmente a ação no sentido de não permitir abafar a operação. A Polícia Federal sofreu tentativas de abafar, ou seja, de encobrir a sua investigação. E nós agimos politicamente para que isso não acontecesse e fomos bem-sucedidos”, disse.
Sobre o encontro com o presidente do STF, Amin destacou a fala de Fachin. “Ele se comprometeu, não conosco, mas com o Brasil, de garantir transparência. A frase dele eu faço questão de repetir: ‘Só a transparência vai permitir que as instituições brasileiras mereçam credibilidade’”, relatou.
Para o senador, sem esse compromisso o país poderia enfrentar uma crise institucional. “Sem transparência, nós estaríamos mergulhando o Brasil numa crise de moralidade nunca vista”, afirmou.
Suspeitas envolvendo consignados
Amin também comentou o depoimento previsto do ex-controlador do Banco Master na CPI do INSS. Segundo ele, há indícios de fraudes em operações de crédito consignado.
“Ele apresenta que tem 260 mil operações de crédito para aposentados, com garantia do salário para pagar o empréstimo. Suponhamos um ativo de um bilhão. E é tudo frio. A operação não foi feita. O aposentado não existe. Muitas vezes é nome de criança”, declarou.
O senador ressaltou que essas suspeitas devem ser alvo central das investigações e que o Congresso seguirá acompanhando o caso.
Durante a entrevista, Amin também comentou decisões recentes no STF envolvendo a relatoria dos inquéritos. Ele citou que o ministro Dias Toffoli foi afastado da relatoria e que o caso passou ao ministro André Mendonça.
“Eu achei muito bom para o Brasil. O ministro que já vinha acompanhando a questão da CPI do INSS agora assume também esse inquérito do Banco Master”, disse.
O senador afirmou ainda que defende a devolução rápida de valores a aposentados prejudicados, mas com a recuperação dos recursos desviados. Ele relatou que foi relator de medida provisória que abriu crédito de R$ 6 bilhões para ressarcimento e que apresentou emenda para que valores recuperados retornem ao INSS.
“Nós temos a obrigação de honrar o nosso mandato, dando às instituições, especialmente à Polícia Federal, a liberdade e o suporte para cumprirem a sua missão”, declarou.
Cenário político
Questionado sobre a possibilidade de o PL lançar chapa pura ao Senado em Santa Catarina, Amin afirmou que, caso a decisão se confirme, a federação formada por PP e União Brasil irá discutir internamente os próximos passos.
“Se esta é a decisão final, nós temos até que saudar, agradecer ao fato de termos sido avisados e procurar o nosso caminho, com serenidade. Nós temos base, temos história”, afirmou.
Ele reforçou que pretende disputar a reeleição ao Senado. “Eu não estou pedindo uma vaga, eu estou querendo merecer a possibilidade de disputar a renovação do meu mandato”, concluiu.
A Comissão de Assuntos Econômicos deve continuar acompanhando os desdobramentos do caso Banco Master nas próximas semanas, com expectativa sobre novos depoimentos e avanços nas investigações.
Confira entrevista completa
