Unesc realiza monitoramento ambiental em praias do Sul catarinense
Trabalho diário acompanha fauna marinha entre Balneário Rincão e Jaguaruna
A Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) está realizando o monitoramento das praias no trecho entre Balneário Rincão e Jaguaruna, no Sul de Santa Catarina. A ação abrange cerca de 58 quilômetros de litoral e integra o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP).
O projeto é uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e está relacionado às atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos realizadas pela empresa TGS na Bacia de Pelotas.
Sobre o tema, o Jornal da Guarujá conversou, na manhã desta terça-feira (10), com a professora e pesquisadora da Unesc, Morgana Cirimbelli Gaidzinski. Segundo ela, o PMP é uma condicionante ambiental para que a empresa possa realizar estudos de prospecção sísmica na região.
“Esse projeto se chama Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas. Ele é uma condicionante do Ibama para que uma empresa chamada TGS, que trabalha com prospecção sísmica, possa realizar estudos geológicos na Bacia de Pelotas”, explicou.
A pesquisadora destacou que diversas instituições participam da iniciativa, incluindo universidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, com o objetivo de acompanhar diariamente a fauna marinha ao longo do litoral sul do Brasil.
“Algumas instituições, como a Unesc, a Univali, a Udesc, a Educamar e a UFRGS, estão envolvidas nesse projeto, que tem como objetivo monitorar a orla e analisar animais que possam encalhar, vivos ou mortos, principalmente mamíferos marinhos, aves e tartarugas marinhas”, afirmou.
De acordo com Morgana, as equipes estão em campo desde o dia 24 de novembro. No caso da Unesc, o trabalho é realizado diariamente em um trecho que vai da barra do Rio Araranguá até a barra do Camacho.
“A nossa equipe é responsável por monitorar em torno de 58 quilômetros de praias todos os dias. No verão, como ainda há muitos turistas e pessoas em veraneio, a gente se desloca mais cedo. Todos os dias a equipe percorre a orla”, relatou.
Sobre os registros feitos até o momento, a pesquisadora ressaltou que os dados estão dentro da normalidade esperada para esta época do ano.
“Ainda é um período inicial do projeto e o número de animais encontrados corresponde ao esperado para essa época. Geralmente, o maior número de ocorrências acontece no inverno, quando aves marinhas, como pinguins, e mamíferos, como lobos e leões-marinhos, saem da Patagônia e vêm para o litoral sul do Brasil”, explicou.
Segundo Morgana, a presença desses animais na região é considerada natural e está relacionada à migração em busca de alimento e condições climáticas mais favoráveis.
“Essa migração é trófica e reprodutiva. No inverno, a oferta de alimento na Patagônia diminui e as temperaturas são muito baixas. Então, eles vêm para áreas onde encontram mais alimento e uma temperatura mais adequada”, disse.
Ela acrescenta que, em muitos casos, os animais utilizam o litoral catarinense apenas como área de descanso temporário.
“Às vezes eles se afastam da área principal de alimentação e acabam parando na nossa orla para descansar. As pessoas podem achar que o animal está ferido, mas muitas vezes ele só está descansando”, esclareceu.
Quando são identificados animais feridos, a equipe aciona os protocolos de resgate.
“Se a gente encontra um animal vivo e ferido, ele é encaminhado para o Centro de Estabilização da Udesc”, completou.
O projeto tem previsão inicial de duração de dois anos, mas o prazo pode variar conforme o andamento das pesquisas realizadas pela empresa.
“A princípio, o projeto foi pensado para dois anos. Mas isso depende dos resultados dos estudos. Se a empresa concluir antes, o projeto pode encerrar antes. Caso contrário, ele pode se estender”, finalizou.

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