Tragédia com balão em Praia Grande poderia ter sido evitada, aponta Ministério Público
Piloto foi denunciado por negligência e imprudência após acidente que matou oito pessoas e deixou 12 passageiros sobreviventes; investigação identificou falhas antes e durante o voo
A tragédia com um balão de ar quente que matou oito pessoas em junho de 2025, em Praia Grande, no Extremo Sul catarinense, poderia ter sido evitada, conforme a conclusão do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Após analisar laudos e depoimentos, a Promotoria identificou falhas de segurança e decisões do piloto que teriam contribuído para o incêndio e a queda do balão.
A denúncia foi apresentada à Justiça nesta segunda-feira (26). O piloto, que também era sócio-administrador da empresa responsável pelo passeio, foi denunciado por homicídio culposo e lesão corporal culposa, quando não existe intenção de matar ou ferir, mas há negligência ou imprudência.
Em entrevista divulgada pelo próprio Ministério Público, o promotor de Justiça Ricardo Figueiredo Coelho Leal explicou que novas diligências foram solicitadas após a Polícia Civil concluir o inquérito, em outubro de 2025, sem indiciar ninguém.
“A análise dos laudos e das demais provas que foram trazidas ao inquérito, foram analisadas, levam à conclusão, nos convencem de que o acidente se deu por culpa do piloto e ele não agiu dentro do que se esperava como piloto”, afirmou.
Falhas antes e durante o voo
Segundo a investigação, o piloto levou para dentro do cesto um maçarico diferente do equipamento fornecido pelo fabricante. A válvula estava parcialmente aberta e, durante o voo, o aparelho caiu de uma mala, provocando uma chama que atingiu a proteção de um cilindro de gás e deu início ao incêndio.
Para o Ministério Público, o piloto foi negligente ao não verificar corretamente o equipamento antes da decolagem.
“Faltou um dever de cautela dele de cuidar de ver aquilo”, explicou o promotor.
Outro ponto considerado decisivo ocorreu durante o pouso de emergência. Quando o balão, já em chamas, tocou o solo, o piloto saltou e soltou a fita que controlava a saída do ar quente. Com isso, o balão voltou a subir com oito pessoas a bordo.
Quatro passageiros saltaram na tentativa de escapar do fogo, mas morreram devido à queda. Outros quatro morreram carbonizados. Ao todo, a tragédia deixou oito mortos e 12 passageiros sobreviventes, além do piloto. Entre os passageiros que sobreviveram, três ficaram feridos.
“Um caso de imprudência seria quando ele saltou. Então, no momento que ele saltou, ele largou a fita e fecha o que nós chamamos abertura do tape, que é justamente o mecanismo que faz subir ou descer o balão”, relatou Leal.
Ministério Público pede indenização às vítimas
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pede indenização por danos morais aos 12 passageiros sobreviventes e aos familiares das oito vítimas fatais.
“Seria uma forma de se reparar o sofrimento que essas pessoas passaram, seus familiares também, diante do fato em si”, explicou o promotor.
A Promotoria também decidiu não oferecer um acordo para evitar o processo criminal, por considerar que a gravidade da tragédia e o número de vítimas tornam a medida inadequada.
Agora, a denúncia será analisada pela Justiça. Caso seja aceita, o piloto passará a responder como réu e poderá apresentar sua defesa. O processo seguirá com a produção de provas e a oitiva de testemunhas antes do julgamento.
A denúncia representa a acusação do Ministério Público, e a responsabilidade criminal do piloto ainda dependerá de decisão judicial.

