Quando ligar para o SAMU? Saiba em quais situações o serviço deve ser acionado
Chamadas indevidas e informações falsas podem atrasar o atendimento de pacientes em risco de morte; coordenadora do SAMU de Orleans orienta a população
Uma dor intensa no peito, uma suspeita de AVC, um acidente de trânsito com vítimas ou uma dificuldade repentina para respirar são situações que exigem atendimento imediato e devem levar ao acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192. No entanto, a Central de Regulação ainda recebe diariamente ligações para casos que não são considerados urgência ou emergência, o que pode comprometer o atendimento de quem realmente precisa de socorro.
Em entrevista ao Portal Ligado no Sul, a enfermeira e coordenadora da Unidade de Suporte Básico (USB 11) do SAMU de Orleans, Edimara Tochetto Suaya Netto, explica que o serviço é destinado exclusivamente ao atendimento de situações que oferecem risco imediato à vida ou podem deixar sequelas graves.
Chamadas sem urgência ainda são frequentes
Entre os atendimentos solicitados de forma inadequada estão pedidos de transporte para consultas e exames, aferição de pressão arterial, renovação de receitas, dores crônicas sem agravamento e sintomas leves que podem ser avaliados em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
“Embora a população esteja cada vez mais informada, ainda recebemos chamadas para situações que não se enquadram como urgência ou emergência.”
Cada ambulância deslocada para uma ocorrência que não exige atendimento emergencial deixa de estar disponível para socorrer outra pessoa que pode estar em uma situação crítica. Por isso, utilizar o serviço de forma consciente faz toda a diferença no tempo de resposta às emergências.
Outro problema enfrentado pela Central de Regulação é quando o solicitante exagera ou informa sintomas que não correspondem à condição real do paciente.
A decisão de enviar uma ambulância é tomada pelo médico regulador com base nas informações fornecidas durante a ligação e segue protocolos técnicos de classificação de risco. Quando esses dados não são verdadeiros, a prioridade do atendimento pode ser alterada de forma indevida.
“Infelizmente, algumas pessoas acabam exagerando ou até relatando sintomas que não estão presentes, acreditando que isso aumentará a chance de uma ambulância ser enviada. Quando a equipe chega ao local, muitas vezes constata que a situação era diferente da informada inicialmente.”
Esse tipo de comportamento pode direcionar recursos para ocorrências que não configuram urgência e atrasar o atendimento de pacientes que realmente apresentam risco iminente de morte.
Em quais situações ligar para o 192?
O SAMU deve ser acionado sempre que houver uma emergência em que o atendimento rápido possa salvar uma vida ou reduzir o risco de sequelas.
Entre os principais casos estão:
- Dor intensa no peito ou suspeita de infarto;
- Suspeita de AVC, com dificuldade para falar, perda de força em um dos lados do corpo ou alteração súbita da visão;
- Parada cardiorrespiratória;
- Perda da consciência ou desmaios prolongados;
- Crises convulsivas;
- Dificuldade intensa para respirar;
- Acidentes de trânsito com vítimas;
- Quedas com suspeita de fraturas graves ou traumatismos;
- Hemorragias importantes;
- Queimaduras extensas;
- Afogamentos;
- Choques elétricos;
- Soterramentos;
- Desabamentos com vítimas;
- Ferimentos provocados por arma branca ou arma de fogo.
Mesmo quando houver dúvida sobre a gravidade da situação, a orientação é ligar para o 192.
“O médico regulador fará a avaliação da situação e indicará a melhor conduta.”
Nem todo problema de saúde exige o deslocamento de uma ambulância. Casos como transporte para consultas, exames ou internações agendadas, renovação de receitas, dor de dente, febre, vômitos, diarreia, dores crônicas, cólica renal sem agravamento, troca de sondas e transporte de óbitos devem ser encaminhados às Unidades Básicas de Saúde ou aos serviços de pronto atendimento, conforme a necessidade.
O uso adequado do serviço garante que as equipes permaneçam disponíveis para responder rapidamente às verdadeiras emergências.
O que fazer enquanto a ambulância está a caminho
Após acionar o SAMU, é importante manter a calma e seguir atentamente todas as orientações repassadas pela Central de Regulação.
Dependendo da situação, o solicitante poderá ser orientado a iniciar manobras de primeiros socorros, como compressões torácicas em casos de parada cardiorrespiratória, controlar hemorragias ou evitar movimentar a vítima quando houver suspeita de trauma.
Também é fundamental manter o telefone disponível, informar corretamente o endereço, indicar pontos de referência e facilitar o acesso da equipe ao local. Se possível, tenha em mãos informações importantes sobre a vítima, como doenças pré-existentes, medicamentos de uso contínuo e alergias.
Trotes continuam sendo um problema
Além das chamadas indevidas, os trotes ainda representam um desafio para o serviço.
Cada ligação falsa ocupa profissionais da Central de Regulação, mobiliza recursos públicos e pode atrasar o atendimento de uma ocorrência real.
“Além do desperdício de recursos públicos, essas ocorrências podem comprometer o tempo de resposta do serviço, que é determinante em situações como parada cardiorrespiratória, infarto, acidente vascular cerebral e traumas graves.”
Saiba o que informar ao ligar para o 192
Para agilizar o atendimento, tenha sempre as seguintes informações:
- O que aconteceu;
- Endereço completo e pontos de referência;
- Idade aproximada da vítima;
- Quais sintomas ela apresenta;
- Se está consciente e respirando.
Esses dados permitem que a Central de Regulação avalie rapidamente a gravidade da ocorrência e envie o atendimento mais adequado.
A coordenadora do SAMU de Orleans lembra que utilizar o número 192 de forma consciente, fornecendo informações corretas durante a ligação, contribui para que as equipes estejam disponíveis para atender com rapidez quem realmente corre risco de vida.

Foto-Arquivo/SAMU
