Entre o sabor e o equilíbrio: a gastronomia da Serra também faz parte da experiência
A culinária típica fortalece o turismo da Serra Catarinense, e o segredo para aproveitá-la está no equilíbrio
Quem viaja para a Serra Catarinense dificilmente volta para casa sem levar na memória um café colonial, um prato preparado no fogão a lenha, um pinhão recém-assado ou uma taça de vinho apreciada diante da lareira. A gastronomia deixou de ser apenas um complemento da viagem e se consolidou como um dos pilares do turismo regional, movimentando restaurantes, pousadas, cafeterias, vinícolas e pequenos produtores.
Em meio a esse cenário, uma pergunta costuma acompanhar muitos visitantes: é possível aproveitar todas essas experiências sem abrir mão da saúde?
Para a nutricionista Simoni da Silva, a resposta é sim. Nascida em Orleans, criada em Lauro Müller e formada em Nutrição pela Unesc, em Criciúma, ela construiu sua carreira na área clínica acompanhando pacientes no Brasil e no exterior. A proximidade com a Serra Catarinense também faz com que acompanhe de perto a relação entre turismo, gastronomia e qualidade de vida. “Eu digo que nenhum alimento precisa ser proibido. O importante é que ele faça parte de um contexto alimentar equilibrado.”
A frase resume uma mudança de pensamento que ganha espaço dentro da própria nutrição. Em vez de enxergar a alimentação por meio de restrições e culpa, Simoni defende que as escolhas precisam fazer sentido dentro da rotina de cada pessoa. “O que é ideal para mim pode não ser para outra pessoa. Quando a alimentação é organizada de acordo com a rotina, ela deixa de ser um peso e passa a ser uma ferramenta para viver melhor.”
Essa visão também muda a forma de encarar uma viagem. Segundo ela, conhecer um destino passa, inevitavelmente, pela gastronomia. Experimentar sabores locais, visitar restaurantes e aproveitar um café colonial fazem parte da experiência turística e não devem ser vistos como um problema. “O que eu incentivo é justamente aproveitar a viagem. A pessoa consegue manter uma alimentação equilibrada no dia a dia e, quando viaja, viver aquela experiência gastronômica sem culpa. Depois ela volta naturalmente para a rotina.”
No inverno, esse comportamento se torna ainda mais evidente. As temperaturas baixas estimulam o consumo de pratos mais quentes e calóricos, mas existe também um fator emocional. “O frio aproxima as pessoas. A comida faz parte do encontro. Ela aquece, reúne famílias e amigos. Isso também precisa ser levado em consideração quando falamos de alimentação.”
Essa relação ajuda a explicar por que a gastronomia se tornou uma das grandes forças do turismo na Serra Catarinense. Muito além da paisagem, o visitante busca experiências que envolvem aromas, sabores e tradições construídas ao longo de gerações.
Os cafés coloniais, os pratos preparados no fogão a lenha, os produtos artesanais, os vinhos de altitude, o queijo serrano, o mel de melato e os ingredientes produzidos nas propriedades rurais passaram a integrar a identidade do destino e ajudam a movimentar diferentes setores da economia.

Comer bem também significa estar atento aos sinais do próprio corpo. “Existe uma diferença entre estar satisfeito e simplesmente estar cheio. Quando aprendemos a perceber isso, conseguimos aproveitar muito mais a alimentação.”
Ela observa que uma boa nutrição influencia diretamente na disposição, na concentração, na imunidade e na qualidade de vida, especialmente em uma rotina cada vez mais acelerada. “Uma pessoa bem nutrida consegue responder melhor às demandas do dia a dia. Alimentação não é apenas sobre peso. É sobre saúde, energia e qualidade de vida.”
Ao mesmo tempo, ela percebe uma mudança no comportamento dos estabelecimentos ligados ao turismo. Restaurantes, hotéis e empreendimentos gastronômicos têm demonstrado preocupação crescente com boas práticas, qualidade dos alimentos e segurança alimentar, fatores que fazem diferença na experiência do visitante.
No fim, a gastronomia da Serra Catarinense revela que comer vai muito além da necessidade biológica. É um encontro entre cultura, tradição, economia e turismo.
Assim como acontece com a natureza, as paisagens e a história da região, os sabores também ajudam a construir memórias. E, para quem visita a Serra, talvez o maior ingrediente da viagem seja justamente esse equilíbrio entre aproveitar cada experiência e entender que uma boa alimentação não se resume ao que está no prato, mas à forma como ela faz parte da vida.

