Maga Stopassoli analisa cancelamento de debate e reta final das eleições
Jornalista e analista política falou sobre os últimos movimentos da disputa nacional e catarinense e estará na cobertura das Eleições 2026 da Guarujá FM
A dois dias das eleições, os últimos movimentos das campanhas aumentaram ainda mais a temperatura da disputa. O cancelamento do debate presidencial da TV Globo, as estratégias adotadas por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e as movimentações das candidaturas em Santa Catarina estiveram entre os assuntos analisados pela jornalista e analista política Maga Stopassoli , em entrevista ao Jornal da Guarujá nesta sexta-feira (2).
Maga, que também fará parte da equipe da Guarujá FM na cobertura das Eleições 2026, classificou como histórico o que aconteceu na noite de quinta-feira (1º), quando o debate da Globo foi cancelado poucas horas antes do horário previsto.
A decisão ocorreu após uma sequência de mudanças envolvendo a Justiça Eleitoral. Uma decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alterou as condições previstas pela emissora para a ausência de Lula. Mais tarde, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate.
“Foi uma bagunça, ninguém morre de tédio e as campanhas reagiram como puderam”, resumiu Maga.
Lula já havia decidido não participar do encontro e concedeu entrevista ao Flow Podcast. Flávio Bolsonaro, que até então estava confirmado, também anunciou que não compareceria. Outros candidatos já estavam nos estúdios quando receberam a informação de que o programa não seria mais realizado.
Para Maga, o que tornou o episódio ainda mais significativo foi justamente o momento em que ocorreu. Tradicionalmente realizado às vésperas da votação, o último debate da Globo costuma ocupar espaço importante na reta final da campanha.
“Foi histórico, sim, porque ele não foi um debate que não foi anunciado. ‘Olha, dessa vez a Globo não vai fazer o debate’. Não. Ele foi cancelado duas, três horas antes de começar. Isso é histórico”, afirmou.
Na avaliação da jornalista, o episódio também mostra uma mudança na forma como as campanhas chegam ao eleitor. Com candidatos utilizando podcasts, transmissões ao vivo e entrevistas individuais, ela acredita que as sabatinas podem ganhar cada vez mais espaço.
“Eu acredito que as sabatinas, as entrevistas individuais, vão passar a ser mais úteis para o eleitor”, disse.
Questionada sobre quem poderia ser mais prejudicado pelo cancelamento, Maga evitou atribuir ao episódio peso suficiente para alterar sozinho o resultado da eleição. Para ela, as campanhas, no entanto, devem explorar politicamente o que aconteceu até o fim da corrida eleitoral.
“Eu não sei se chega a ter prejuízo real para algum deles. Honestamente, eu não sei se isso chega a impactar na campanha a ponto de dizer que vai definir a eleição a partir disso”, avaliou.
Maga também criticou o que considera uma participação excessiva do Judiciário em questões relacionadas à disputa eleitoral.
“Embora o Judiciário viva um momento de excesso de protagonismo, na minha percepção, é muita participação, é muito holofote. Se debate tem regra estabelecida, por que o TSE precisa entrar em campo?”, questionou.
Ao analisar as decisões tomadas pelas duas principais campanhas depois da mudança de cenário, a jornalista avaliou que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro optaram por espaços nos quais poderiam falar diretamente com seus públicos. Enquanto Lula participou do podcast, Flávio fez uma transmissão pelas redes sociais.
“As campanhas vão explorar isso até a última gota porque é o que tem agora”, afirmou.
Para Maga, a movimentação também mostra que a polarização continua presente às vésperas da eleição. As candidaturas que tentaram ocupar um espaço alternativo não conseguiram, até aqui, romper essa dinâmica, enquanto parte do eleitorado ainda define o voto nos últimos dias.
“Eu vejo que, das últimas duas semanas para cá, tem muita gente definitivamente escolhendo os seus candidatos. Então, por isso, agora na reta final tem muita gente que toma decisão agora”, observou.
Em Santa Catarina, a última semana também foi marcada por novos movimentos. Maga citou, entre eles, a declaração de voto de João Rodrigues (PSD), candidato ao Governo do Estado, em Flávio Bolsonaro para a Presidência. A manifestação repercutiu no cenário estadual e provocou reações, inclusive do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto.
“Foi ação e reação”, definiu.
A disputa pelas duas vagas ao Senado também entrou na análise. Para Maga, essa é uma das corridas que ainda concentram atenção especial no Estado nesta reta final, diante da proximidade entre diferentes candidaturas.
Com a votação marcada para domingo (4), a jornalista acredita que as últimas horas de campanha ainda serão importantes, especialmente para conquistar os eleitores que deixaram a escolha para os últimos dias.
“Hoje é sexta-feira. Só tem mais hoje, amanhã e domingo a gente já vai votar. E aí é maluquice o que acontece nessa hora, com as pessoas definindo voto”, afirmou.
Maga Stopassoli estará ao lado da equipe da Guarujá FM na cobertura especial das Eleições 2026 neste domingo, acompanhando a votação, a apuração e os principais desdobramentos do cenário político catarinense e nacional.
Confira entrevista completa



