Mercado imobiliário da Serra Catarinense amplia procura por segunda residência e atrai investidores
O mercado imobiliário da Serra Catarinense vive uma mudança de perfil. Se antes a procura por imóveis e terrenos era impulsionada principalmente pelo inverno, hoje o interesse pela região se estende ao longo de todo o ano, acompanhando melhorias na infraestrutura, novos investimentos e uma busca crescente por qualidade de vida.
O movimento também alterou o perfil dos compradores. A procura deixou de ser concentrada em turistas ocasionais e passou a incluir investidores e famílias interessadas em uma segunda residência, atraídas pela possibilidade de desacelerar a rotina sem abrir mão da proximidade com os grandes centros. O interesse pela região já ultrapassa as fronteiras de Santa Catarina e do país e começa a alcançar compradores também do exterior. “A Serra está em uma crescente expansão. As pessoas começaram a olhar para a região não só no inverno, mas também durante o ano todo. Estamos tendo vários incentivos, como melhorias em aeroportos e estradas, e isso tem chamado muita atenção, seja de investidores ou de quem sonha em ter uma casa para se reconectar com a natureza”, afirma Cristina Biz, corretora especialista no mercado imobiliário da Serra Catarinense.
Com dez anos de atuação no mercado imobiliário, Cristina acumula experiência na gestão de imobiliárias, na área comercial de construtoras e na corretagem de imóveis. Há dois anos, voltou a atenção para a Serra Catarinense, acompanhando de perto a expansão do mercado na região.
Entre as mudanças mais perceptíveis do mercado está o crescimento da procura por imóveis voltados ao lazer. O que antes era uma visita esporádica durante a temporada de frio passou a se transformar em um investimento para uso frequente ao longo do ano. “Grande parte dos meus clientes já tem a moradia principal e também um imóvel no litoral. Agora eles procuram algo diferente. Querem uma casa para reunir a família, fazer um fogo de chão, aproveitar o silêncio e viver uma experiência que a cidade não entrega”, explica.
A mudança de comportamento também está relacionada à forma como as pessoas passaram a enxergar o campo. Mais do que um destino turístico, a Serra passou a representar uma alternativa para quem busca desacelerar, reduzir o ritmo imposto pelos grandes centros e fortalecer o contato com a natureza. Muitos compradores procuram oferecer aos filhos e netos experiências ligadas ao ambiente rural, cada vez mais distantes da realidade urbana. “As pessoas querem fugir do barulho. É quase uma terapia”, diz.
O mercado imobiliário da região também passa por um ciclo de valorização impulsionado por investimentos em infraestrutura e pela chegada de novos empreendimentos. “Estamos em um momento de crescimento. Nos últimos dois anos, já foi possível perceber uma valorização importante, muito ligada às melhorias em estradas e aos incentivos que a região vem recebendo”, diz.
A oferta limitada de novas áreas para empreendimentos também entra na conta da valorização imobiliária. Na Serra Catarinense, grandes propriedades permanecem nas mesmas famílias há décadas, reduzindo a disponibilidade de terrenos para novos projetos. “A Serra tem uma característica diferente. Muitas propriedades permanecem nas mesmas famílias e os proprietários não querem vender. Isso limita a criação de novos empreendimentos e faz com que quem investir agora tenha uma boa oportunidade de valorização”, afirma.
O mercado imobiliário da Serra também tem sido marcado por alta procura. Alguns projetos, a venda integral das unidades ocorreu ainda na fase inicial de comercialização, sinalizando demanda acima da oferta.
Além da localização, empreendimentos que preservam características naturais da região também passaram a ganhar espaço entre os compradores. Trilhas, araucárias, áreas verdes, cachoeiras e espaços de convivência deixaram de ser apenas diferenciais e passaram a integrar a estratégia de valorização dos imóveis. “A fazendinha, as trilhas, a cachoeira, as araucárias e toda a estrutura fazem diferença. As pessoas querem caminhar, aproveitar a natureza e viver mais afastadas do centro urbano. É isso que elas procuram quando escolhem investir na Serra”, conclui.
Mais do que acompanhar o crescimento do turismo, o mercado imobiliário da Serra Catarinense começa a refletir uma mudança no comportamento do consumidor. Entre infraestrutura em expansão, escassez de grandes áreas disponíveis e apelo natural da região, o território passa a ocupar espaço não apenas como destino turístico, mas como ativo imobiliário de longo prazo.
