Fiesc alerta que jornada 6×1 pode elevar custos e afetar competitividade
Em entrevista, Rita Cássia Conti defende debate setorial e afirma que mudança pode aumentar contratações em até 25% e impactar preços ao consumidor
A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina voltou a se posicionar sobre a proposta de implantação da jornada 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Embora reconheça a importância de buscar melhores condições de trabalho e qualidade de vida, a entidade defende que o tema seja debatido de forma mais aprofundada e setorial.
Em artigo, o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, afirmou que impor a implantação da jornada 6×1 por lei seria “um golpe contra a competitividade”.
Na manhã desta segunda-feira (16), o Jornal da Guarujá conversou com a presidente da Câmara Trabalhista da Fiesc e 1ª vice-presidente estadual da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), Rita Cássia Conti, que classificou a proposta como preocupante.
“Nós estamos avaliando como muito preocupante, porque é uma pauta que tem que ter uma discussão mais profunda, ela tem que ser setorial. Nós compreendemos que existe uma transformação do trabalho, mas hoje nós teríamos números muito impactantes, negativamente, para todo o setor produtivo”, afirmou.
Segundo Rita, apenas na indústria catarinense são mais de 809 mil trabalhadores, e 83% já utilizam essa escala. “Só ali, para contratação, nós teríamos um aumento em torno de 20%, 25% de contratação. Nós estamos num período de pleno emprego, com muita deficiência de mão de obra, então nós teríamos que aumentar muito esse número. Com essa deficiência, isso vai acarretar uma inflação, aumento de custos que vai para o consumidor, então não pode ser feito uma coisa tão apressada”, declarou.
Ela também citou o impacto sobre pequenos negócios. “Um pequeno comércio com três, quatro atendentes, para conseguir cumprir aquela carga horária, contratar no mínimo dois. Será que esse empresário, esse empreendedor, que é o pequeno, vai ter condições financeiras de assumir isso, já que nós temos uma carga muito alta no final do mês?”, questionou.
Para a dirigente, a medida pode aumentar o chamado “Custo Brasil”. “Existe já um estudo que fala em aumento de 20%, 25%, porque você tem que repor essa mão de obra. O pequeno lojista, a pequena fábrica, não vai conseguir, num primeiro momento, repassar, porque já tem muita coisa negociada. Então ela vai pegar mais dinheiro no mercado, vai pagar mais juros, vai se endividar, e isso vai ser um círculo vicioso, não virtuoso”, afirmou.
Rita também destacou que o impacto não se limitaria ao setor privado. “Essa escala reflete em todos os setores, também nas esferas estaduais, federais e municipais. Isso também vai gerar mais contratações, mais custo do Brasil”, disse.
Apesar das críticas, ela reforçou que a discussão é necessária. “Eu acho que a gente tem que procurar cada vez mais qualidade de vida. Mas até que ponto? Tem que ter uma discussão muito importante. Por isso que tem que ser setorial, a gente defende isso, e tem que deixar o setor se amadurecer.”
Segundo Rita, as federações empresariais já estão mobilizadas junto à bancada federal catarinense para ampliar o debate. “No primeiro momento ela parece muito positiva, mas tem que ter um aprofundamento. Não pode ser votada agora, de forma apressada”, concluiu.
Confira entrevista completa
