Um País que não lê, não pensa. Por Ana Dalsasso
Em tempos de excesso de informação e escassez de reflexão, celebrar o Dia Mundial do Livro, em 24 de abril, é mais do que uma homenagem simbólica, é um chamado urgente à consciência. O livro, em sua essência, não é apenas um objeto cultural: é instrumento de formação, de liberdade e de transformação social.
No entanto, o cenário brasileiro preocupa. Mais da metade da população não cultiva o hábito da leitura, e o país, aos poucos, vai se afastando de uma prática que desenvolve o pensamento crítico, amplia horizontes e fortalece a cidadania. Um povo que lê pouco tende a questionar menos, a compreender menos e, consequentemente, a ser mais vulnerável à manipulação e à superficialidade.
Nesse contexto, o papel do educador é decisivo. Professores que não leem dificilmente formarão leitores. O exemplo ainda é uma das ferramentas mais poderosas no processo educativo. É por meio do contato com mestres leitores que muitos jovens descobrem o prazer da leitura e passam a enxergar o livro não como obrigação, mas como oportunidade de crescimento pessoal.
Ao mesmo tempo, vivemos a era das telas, onde o tempo é consumido por conteúdos rápidos, fragmentados e, muitas vezes, superficiais. A leitura digital voltada apenas ao entretenimento, e frequentemente permeada por desinformação, não substitui a profundidade que um livro oferece. Enquanto as redes sociais estimulam a pressa, o livro convida à pausa, à reflexão, ao mergulho interior.
Resgatar o valor do livro é, portanto, um compromisso coletivo. É preciso incentivar políticas públicas de acesso à leitura, valorizar bibliotecas, estimular o hábito desde a infância e, sobretudo, reconhecer que ler não é um luxo, é uma necessidade. Um país de leitores constrói cidadãos mais conscientes, críticos e preparados para transformar a realidade em que vivem.
Mais do que nunca, é tempo de devolver ao livro o lugar que ele nunca deveria ter perdido: o de companheiro indispensável na formação de cada cidadão.
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