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Documentário sobre Derlei Catarina de Luca resgata trajetória de resistência e luta contra a ditadura militar

Produção dirigida por Alcides Goularti Filho será lançada em maio e percorreu cidades do Brasil, Chile, Panamá e Cuba

Por Ligado no Sul28/04/2026 10h00
Foto/Reprodução Internet

O Jornal da Guarujá conversou na manhã desta terça-feira (28) com o professor, pesquisador da Unesc e cineasta Alcides Goularti Filho, diretor do documentário Derlei: Desafiando o Silêncio, obra que reconstrói a trajetória de vida da militante içarense Derlei Catarina de Luca, reconhecida como uma das principais vozes catarinenses na denúncia das violações cometidas durante a ditadura militar brasileira.

Professora, escritora e ativista política, Derlei foi presa e torturada pela Operação Bandeirante (Oban), em 1969. Depois disso, viveu no exílio e passou a dedicar sua vida à luta por memória, verdade, justiça e direitos humanos.

Segundo Alcides, o documentário aborda especialmente o período entre 1968 e 1979, fase marcada pela clandestinidade, prisão, perseguição política e exílio.

“Esse documentário relata a trajetória de vida, uma parte da vida dessa professora militante, essa pessoa que foi incansável na luta pela democracia e pela justiça social”, afirmou.

O diretor explica que a narrativa acompanha desde o endurecimento do regime militar até o retorno de Derlei ao Brasil, com a abertura política.

“Relata o período de 68 até 1979, quando ela entrou na clandestinidade, morou em Florianópolis, São Paulo, foi presa, brutalmente torturada, depois retorna para Santa Catarina, vai para a Bahia, depois vai para o Chile, passa dificuldades e, por fim, encontra abrigo em Cuba”, relatou.

Filmagens no Brasil e exterior

As gravações ocorreram em diversos estados brasileiros, como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. No exterior, a equipe percorreu Santiago, no Chile; Cidade do Panamá e Las Tablas, no Panamá; e Havana, em Cuba.

Segundo Alcides, a escolha dos locais seguiu o caminho percorrido por Derlei durante o exílio.

“Nós fomos para Santiago de Chile, onde ela ficou exilada. Depois do golpe militar, teve que fugir e se abrigou na embaixada do Panamá. Nós fomos para o Panamá também, para a capital e para uma cidadezinha do interior chamada Las Tablas. E por fim fomos para Cuba, onde também realizamos filmagens”, contou.

O diretor destacou ainda que a produção foi realizada de forma independente, com equipes locais contratadas em cada cidade visitada.

“É um pouco de cinema de guerrilha, sabe? Não é o grande cinema tradicional. É câmera na mão e uma ideia na cabeça, como dizia Glauber Rocha”, disse.

Grande parte do roteiro foi construída a partir do livro No Corpo e na Alma, escrito pela própria Derlei, em que ela relata as torturas sofridas e os anos de exílio.

“Na verdade, o documentário é baseado em mais de 80% nesse livro, porque ali ela conta toda essa trajetória”, explicou Alcides.

Além da obra autobiográfica, a produção reúne entrevistas com familiares, amigos, ex-companheiros de militância e pessoas que conviveram com Derlei em diferentes fases da vida.

O documentário também presta homenagem a mortos e desaparecidos políticos do período da ditadura, entre eles Rui Osvaldo Aguiar Pfützenreuter, de Orleans. Pfützenreuter foi torturado e morto em 15 de abril de 1972

“É o segundo filme que eu faço homenagem ao Rui. Agora, nesse da Derlei, ele também vai aparecer. A gente destaca o nome dele em silêncio para lembrar os mortos e desaparecidos políticos”, afirmou.

Lançamentos em maio

A pré- estreia  acontece no dia 21 de maio, na Apae de Içara, instituição onde Derlei trabalhou por 25 anos após retornar ao Brasil.

No dia 22 de maio, haverá a estreia oficial  no Auditório Ruy Hülse, na Unesc, em Criciúma. Já no dia 25, o documentário será apresentado na  Alesc, no Plenário Paulo Stuart Wright, a partir das 19h. Outras sessões também estão previstas na  na Unisul, em Tubarão.

Segundo Alcides, a proposta inicial é circular com o documentário em exibições públicas antes de disponibilizá-lo gratuitamente na internet.

“Primeiro ele vai circular bastante. Nossa intenção não é festival. Nossa intenção é divulgar a história de vida, de resistência, de luta dessa mulher que foi incessante na luta pela democracia e pela justiça social”, concluiu.

Confira entrevista completa

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