AVC provocou mais de 50 mil mortes no Brasil em sete meses; Santa Catarina reforça ações de prevenção
No Dia Mundial do AVC, celebrado nesta quinta-feira (29), leis catarinenses incentivam a conscientização, o atendimento às vítimas e a identificação dos sintomas da doença
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame, provocou 50.424 mortes e 182.253 internações na rede pública de saúde brasileira entre janeiro e julho de 2026. Os dados do Sistema Único de Saúde (SUS) representam uma média de 238 mortes e 860 internações por dia. Nesta quinta-feira, dia 29 de outubro, data em que é celebrado o Dia Mundial do AVC, especialistas reforçam a importância da prevenção e do atendimento imediato.
Em Santa Catarina, a última semana de outubro é dedicada à prevenção, orientação e combate à doença. A iniciativa faz parte de uma série de medidas aprovadas pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) para ampliar a conscientização da população e melhorar o atendimento às vítimas.
A Lei nº 16.950/2016, de autoria do ex-deputado José Nei Ascari, instituiu o Dia Estadual de Prevenção, Orientação e Combate ao AVC, celebrado anualmente em 29 de outubro.
Já a Lei nº 17.642/2018, proposta pelo ex-deputado Leonel Pavan, criou a Semana Estadual de Prevenção, Orientação e Combate ao AVC, realizada na última semana de outubro, com o objetivo de incentivar campanhas educativas e ampliar o conhecimento da população sobre a doença.
Mais recentemente, a Lei nº 19.393/2025, de autoria do deputado estadual José Milton Scheffer (PP), estabeleceu uma política estadual de apoio às vítimas de AVC. A legislação prevê medidas para ampliar o acesso aos serviços de urgência e emergência, melhorar o atendimento especializado, incentivar pesquisas e garantir ações de reabilitação com equipes multidisciplinares.
Pressão alta está entre os principais fatores de risco
O AVC acontece quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido pelo entupimento de um vaso sanguíneo, chamado de AVC isquêmico, ou quando ocorre o rompimento de um vaso, caracterizando o AVC hemorrágico.
O cardiologista Arthur Herdy, do Hospital Regional de São José, explica que a idade e o histórico familiar podem aumentar o risco da doença. Entretanto, outros fatores podem ser controlados, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, excesso de peso, alimentação inadequada e consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

O especialista recomenda uma alimentação saudável, prática regular de atividades físicas e cuidados com a saúde emocional.
“Costumamos recomendar a adoção de uma alimentação mais saudável possível, principalmente evitando sal para controlar a pressão. A atividade física também é fundamental, porque previne e trata muitas doenças”, afirma Herdy.
O cardiologista também destaca a importância de consultas médicas periódicas, especialmente para pessoas que apresentam fatores de risco.
Reconhecer os sintomas pode salvar vidas
Os sinais de um AVC podem aparecer de forma repentina. Entre os principais sintomas estão dificuldade para falar, alterações na visão, perda de força ou dormência em um lado do corpo, dificuldade de equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa.
O médico alerta que alterações na fala, na visão e nos movimentos precisam ser avaliadas rapidamente.
“Já perdas de fala, embaralhamento na visão ou perda de raciocínio, dormências ou fraqueza em um braço podem indicar uma isquemia. Identificando algum destes sintomas, o indicado é que se busque ajuda o mais rápido possível”, explica Herdy.
O atendimento imediato é fundamental para reduzir o risco de morte e de sequelas permanentes. Em caso de suspeita, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.
Também é importante não esperar que os sintomas desapareçam, não oferecer medicamentos por conta própria e informar à equipe médica o horário em que os primeiros sinais começaram.
Aposentado relata sequelas após sofrer AVC
O bancário aposentado Mauro Aquiles Verzola, de 81 anos, natural de Florianópolis, sofreu um AVC aos 58 anos. Ele conta que percebeu os primeiros sintomas ao acordar, quando não conseguiu levantar normalmente da cama.
Após receber o diagnóstico de AVC isquêmico, que posteriormente evoluiu para hemorrágico, Mauro ficou com paralisia no lado direito do corpo e passou a utilizar cadeira de rodas.
“Hoje eu estou em uma cadeira de rodas, então eu queria falar às pessoas que se cuidem. Quem tem pressão alta, tome cuidado. Vá ao médico, se trate, porque a vida se torna muito difícil depois que tem um derrame”, alerta o aposentado.
A prevenção, o acompanhamento médico e a identificação dos primeiros sintomas são medidas fundamentais para reduzir os riscos da doença. As ações previstas na legislação catarinense também buscam ampliar o acesso à informação e fortalecer a assistência às pessoas que sofreram um AVC.
Com informações da Agência Alesc.
