Para uma melhor experiência neste site, utilize um navegador mais moderno. Clique nas opções abaixo para ir à página de download
Indicamos essas 4 opções:

Google Chrome Opera Mozilla Firefox Microsoft Edge
Ok, estou ciente e quero continuar usando um navegador inferior.

Bullying pode deixar marcas que atravessa a infância e afetam a vida adulta

Como experiências de humilhação e rejeição podem contribuir para a ansiedade social e a importância do acolhimento, da prevenção e da busca por ajuda profissional

Por Vanesa Bagio21/10/2026 14h30
Foto/Divulgação

O bullying e a exposição a situações de humilhação, críticas e rejeição podem deixar marcas que vão muito além da infância e da adolescência. As consequências podem aparecer na autoestima, nos relacionamentos, na vida acadêmica e até no ambiente profissional. O assunto voltou a ganhar visibilidade após a repercussão de conteúdos publicados pelo influenciador Felca, ampliando o debate sobre violência, exposição nas redes sociais e saúde emocional.

Na minha opinião, é importante compreender que o sofrimento provocado por essas experiências nem sempre termina quando as agressões acabam. Quando uma criança é repetidamente humilhada, ridicularizada ou excluída, ela pode começar a enxergar o ambiente social como um lugar de ameaça. Em vez de entender que está sendo vítima de um comportamento inadequado, pode internalizar a ideia de que existe algo errado com ela.

Essas experiências podem contribuir para o desenvolvimento da ansiedade social, também conhecida como fobia social. O transtorno é caracterizado por um medo intenso e persistente de ser observado, avaliado ou julgado negativamente pelos outros.

Ressalto que existe uma diferença entre timidez e fobia social. A timidez pode gerar desconforto em algumas situações, mas não necessariamente impede a pessoa de viver suas experiências. Na fobia social, o medo pode ser tão intenso que a pessoa começa a evitar conversas, apresentações, reuniões, relacionamentos e até atividades simples do cotidiano.

Destaco, porém, que nem toda pessoa que sofre bullying desenvolverá o transtorno. O bullying pode ser um fator de risco, mas não é a única causa. Isso depende de diferentes fatores, como a intensidade das agressões, a rede de apoio e as experiências vividas ao longo do desenvolvimento.

Medo de ser julgado pode limitar escolhas

Na vida adulta, as marcas dessas experiências podem aparecer de diferentes formas. A pessoa pode sentir dificuldade para se posicionar, medo de falar em público, necessidade excessiva de aprovação ou receio de iniciar relacionamentos por acreditar que será rejeitada. Às vezes, a pessoa deixa de aproveitar oportunidades profissionais, evita encontros ou não consegue expressar o que pensa porque tem medo de passar vergonha. O problema não é simplesmente sentir timidez, mas permitir que o medo de ser julgado comece a determinar suas escolhas e limitar sua vida.

Entre os sinais de alerta estão a ansiedade intensa antes de situações sociais, o receio constante de cometer erros, sintomas físicos como taquicardia e tremores, além do isolamento e da evitação de atividades importantes.

Saliento, quando o medo começa a prejudicar os estudos, o trabalho, os relacionamentos ou a qualidade de vida, é importante investigar o que está acontecendo e buscar ajuda profissional.

Redes sociais ampliam a exposição

Se antes as situações de humilhação estavam mais restritas ao ambiente escolar ou aos círculos de convivência, hoje as redes sociais podem ampliar o alcance das agressões. Comentários ofensivos, compartilhamento de imagens sem consentimento, cyberbullying e comparação constante com padrões idealizados de beleza e sucesso podem intensificar a insegurança. Uma crítica que antes acontecia em um ambiente restrito pode ser registrada, compartilhada e reproduzida para milhares de pessoas. Para quem já tem medo de ser julgado, essa exposição pode aumentar a sensação de ameaça.

Chamo a atenção para a necessidade de não medir o próprio valor pela aprovação virtual. Precisamos ensinar crianças e adolescentes que visibilidade não é sinônimo de valor pessoal e que a aprovação nas redes sociais não pode ser a medida da própria identidade.

Família e escola têm papel fundamental

Identificar o sofrimento nem sempre é simples, porque muitas crianças e adolescentes não conseguem falar sobre o que estão vivendo. Vergonha, medo de retaliação e receio de não serem compreendidos podem fazer com que escondam as agressões.

Mudanças de comportamento, isolamento, recusa em ir à escola, queda no rendimento, irritabilidade e alterações no sono são sinais que merecem atenção, embora não indiquem, isoladamente, que exista bullying.

Oriento que pais e professores acolham a criança sem culpa-la ou minimizar o que aconteceu. Em vez de perguntar por que ela não se defendeu, precisamos perguntar o que está acontecendo, como ela se sente e o que podemos fazer para que se sinta segura. A criança precisa saber que não é culpada pela violência que sofreu e que não precisa enfrentar essa situação sozinha.

Reforço que a escola deve investigar os fatos, proteger os envolvidos e agir para interromper as agressões. Tratar o bullying como uma simples brincadeira pode agravar o sofrimento e transmitir a mensagem de que a violência é aceitável.

Psicoterapia pode ajudar a reconstruir a segurança emocional

Para quem já apresenta sintomas de ansiedade social, existe tratamento. A psicoterapia pode ajudar a identificar pensamentos negativos, compreender crenças construídas ao longo da vida e desenvolver recursos para enfrentar situações sociais de maneira gradual e segura. Uma pessoa que sofreu humilhações pode crescer acreditando que será rejeitada sempre que se expuser. Na psicoterapia, podemos trabalhar essas crenças, a autocrítica, a vergonha e o medo de avaliação, ajudando essa pessoa a construir novas formas de se perceber e se relacionar.

Em alguns casos, uma avaliação médica também pode ser indicada, unindo um trabalho multidisciplinar.

Ressalto que superar a ansiedade social não significa necessariamente tornar-se extrovertido, mas recuperar a liberdade de fazer escolhas sem ser controlado pelo medo.

Você não precisa se tornar uma pessoa extrovertida para superar a ansiedade social. O objetivo é conseguir se relacionar, se posicionar e viver experiências sem que o medo controle sua vida.

Visibilidade precisa se transformar em conscientização

A repercussão de conteúdos publicados por influenciadores como Felca também pode contribuir para ampliar a discussão sobre bullying, exposição e saúde mental, especialmente entre os jovens. Quando pessoas com grande alcance abordam esses temas, ajudam a dar visibilidade a experiências que muitas vezes são silenciadas.

Muitas pessoas que sofreram humilhações cresceram ouvindo que precisavam ser mais fortes, que tudo não passava de uma brincadeira ou que deveriam simplesmente esquecer. Quando esse assunto ganha espaço, elas podem reconhecer que aquilo que viveram teve impacto e merece ser elaborado.

Destaco, no entanto, que a repercussão precisa ser acompanhada de informação responsável, prevenção e ações concretas. A exposição pública não substitui o cuidado psicológico nem as medidas necessárias para proteger as vítimas. Precisamos parar de ensinar as pessoas a suportar a humilhação e começar a ensinar a sociedade a respeitar os limites do outro. Nem toda pessoa que sofre bullying desenvolverá um transtorno psicológico, mas toda criança merece crescer em um ambiente onde se sinta segura para ser quem é.

Reconhecer os efeitos dessas experiências é um passo importante para prevenir o sofrimento e incentivar a busca por ajuda. O passado pode ter influenciado a história de alguém, mas não precisa determinar todas as suas possibilidades de futuro.

Fique bem! Siga @vanesabagio.psi para buscar mais informações e lembre-se: “Sua saúde mental importa tanto quanto qualquer outra área da sua vida.”

0
0

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe essa notícia

VER MAIS NOTÍCIAS