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Consórcio de investimento: quando a carta contemplada se transforma em uma estratégia de geração de patrimônio. Por André Eleutério

Por Andre Eleuterio02/10/2026 15h00
Foto/Arquivo

Durante muito tempo, o consórcio foi visto principalmente como uma alternativa para quem queria comprar um imóvel, um veículo ou outro bem sem recorrer aos juros de um financiamento.

Mas uma nova modalidade de utilização vem ganhando espaço entre investidores: o consórcio de investimento.

A estratégia consiste em utilizar o consórcio não necessariamente para adquirir um bem, mas para construir uma operação financeira a partir da contemplação da carta de crédito. Depois de contemplada, a carta pode, conforme as regras da administradora e as condições da negociação, ser transferida para outra pessoa, gerando ao titular um valor adicional sobre aquilo que efetivamente investiu.

Na prática, o investidor busca transformar um capital relativamente menor em uma carta de crédito de maior valor e, após a contemplação, avaliar se é mais interessante utilizar o crédito ou negociar a transferência da cota.

O mercado atualmente trabalha, em determinadas operações, com ágios que podem ficar na casa dos 22% sobre o valor da carta, embora o percentual efetivamente obtido varie de acordo com as características de cada operação.

Resultados reais mostram diferentes possibilidades

Algumas operações realizadas por clientes da Exclusivo Consórcios no mês de setembro ajudam a ilustrar como a estratégia pode funcionar.

Um dos casos foi o de Samuel, que contratou uma carta de crédito de R$ 529 mil e foi contemplado no 20º mês. Até então, havia investido aproximadamente R$ 28,6 mil. A carta foi negociada por R$ 85 mil, representando, segundo os cálculos da operação, um ROI de aproximadamente 197% sobre o capital investido.

Outro exemplo é o de Marco, que mora em Londres. Ele possuía uma carta de R$ 425 mil, contemplada no 14º mês. Seu investimento acumulado era de aproximadamente R$ 17,4 mil, e a carta foi negociada por R$ 73,5 mil, resultando em um ROI informado de 323%.

Há também operações em que o percentual calculado sobre o capital investido foi ainda maior.

Isabel contratou uma carta de R$ 300 mil e foi contemplada já no quarto mês, após investir aproximadamente R$ 3.690. Ela ainda está avaliando se utilizará o crédito ou se fará a negociação da carta. Caso opte pela venda, a estimativa atual é de aproximadamente R$ 48 mil, o que representaria um ROI potencial de cerca de 1.200% sobre o valor investido até aquele momento.

Thaís, por sua vez, possui uma carta de R$ 200 mil, contemplada no sétimo mês. Com aproximadamente R$ 7 mil investidos, a estimativa de negociação da carta fica em torno de R$ 38 mil, representando um ROI potencial de aproximadamente 443%.

Outro caso foi o de Alexandre, também com uma carta de R$ 200 mil. A contemplação ocorreu no oitavo mês, após um investimento de aproximadamente R$ 4.920. A carta foi negociada por R$ 29 mil, com ROI de 489%.

Entre as operações realizadas, Patrícia teve uma carta de R$ 106 mil, contemplada no 23º mês. Após investir aproximadamente R$ 8.121, a carta foi vendida por R$ 20 mil, resultando em um ROI informado de 143%.

Já Rosa teve uma particularidade: foi a única, entre esses exemplos, contemplada por sorteio. Sua carta era de R$ 100 mil e a contemplação ocorreu após nove parcelas, com aproximadamente R$ 3.078 investidos. A carta foi negociada por R$ 20 mil, representando um ROI informado de 549%.

Por fim, Luiz possui uma carta de R$ 37 mil para automóvel, contemplada no 12º mês. Com aproximadamente R$ 2.500 investidos, ele está avaliando se utiliza o crédito ou se negocia a carta. A estimativa de venda é de aproximadamente R$ 7 mil, o que representaria um ROI potencial de cerca de 178%.

A contemplação como ponto estratégico

Um dos aspectos que chama atenção nesses exemplos é a forma como ocorreu a contemplação.

Dos oito casos apresentados, apenas Rosa foi contemplada por sorteio. Nos demais, a contemplação aconteceu por lance, utilizando estratégias específicas para aumentar as possibilidades de antecipação da contemplação.

Uma dessas estratégias é o chamado lance embutido, no qual parte do próprio crédito pode ser utilizada no lance, conforme as regras do grupo e da administradora.

Isso permite estruturar a operação pensando não apenas na aquisição de um bem, mas também na possibilidade de antecipar a contemplação e, posteriormente, decidir o destino da carta.

Do consórcio tradicional ao consórcio de investimento

A principal mudança está na forma de enxergar o produto.

No consórcio tradicional, o objetivo costuma ser claro: contratar uma carta para, quando contemplado, adquirir um imóvel, veículo ou outro bem.

No consórcio de investimento, o crédito passa a ser visto também como uma ferramenta de estratégia patrimonial.

O investidor pode avaliar diferentes possibilidades após a contemplação: utilizar o crédito para adquirir um ativo, manter uma estratégia de construção patrimonial ou negociar a transferência da cota contemplada, quando isso fizer sentido e for permitido pelas condições da administradora.

É justamente essa possibilidade de escolha que vem despertando o interesse de investidores que buscam alternativas para utilizar o capital de maneira estratégica.

Importante: resultado não é promessa

Os números apresentados são exemplos de operações realizadas ou em negociação e demonstram o potencial observado em casos específicos. Eles não representam garantia de rentabilidade ou promessa de resultado.

O retorno de uma operação depende de diversos fatores, como valor da carta, prazo, número de parcelas pagas, estratégia de contemplação, regras da administradora, condições do grupo, valor de transferência e demanda por cartas contempladas.

Por isso, antes de entrar em uma operação, é fundamental analisar o contrato, os custos envolvidos, as regras da administradora e a estratégia adequada para cada perfil.

Para a Exclusivo Consórcios, a proposta do consórcio de investimento é justamente ampliar a visão sobre o produto: não olhar apenas para a parcela ou para o bem que poderá ser adquirido, mas entender o consórcio como uma ferramenta que pode fazer parte de uma estratégia maior de construção e alavancagem patrimonial.

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