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Globo denuncia “interferência indevida” após decisões de TSE e STF e cancela debate presidencial

TSE alterou regras previamente acordadas após pedido da coligação de Lula, enquanto STF determinou inclusão de Renan Santos poucas horas antes do programa

Por Ligado no Sul02/10/2026 08h00
Foto: Arquivo/Guilherme Schiavinato/TV Globo

O último debate entre os candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno das Eleições 2026 terminou sem sequer começar. A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira (1º), o encontro que seria realizado após o Jornal Nacional, depois de uma sequência de decisões judiciais que alteraram, poucas horas antes da transmissão, regras e a própria composição do programa.

Uma das mudanças ocorreu após um pedido da coligação do presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia decidido não participar do debate. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Globo não poderia manter no cenário um púlpito vazio identificado com o nome do candidato.

A decisão também impediu que os demais participantes fizessem perguntas direcionadas a Lula durante as rodadas em que, conforme as regras previamente estabelecidas, o candidato ausente poderia ser questionado.

A controvérsia ganhou ainda mais repercussão porque o regulamento para a ausência de candidatos havia sido discutido anteriormente entre a emissora e os partidos. Conforme informado pela Globo, a ata com as regras foi assinada por todos os representantes partidários presentes, inclusive pelo PT.

O documento estabelecia que, caso um candidato não comparecesse, o púlpito permaneceria no cenário identificado com uma placa. Em uma das rodadas de tema livre, os participantes presentes também poderiam utilizar 30 segundos para apresentar a pergunta que fariam ao adversário ausente.

Mesmo depois de decidir não participar, a coligação de Lula recorreu ao TSE contra essa parte do regulamento. Ao analisar o pedido, Estela Aranha entendeu que a participação em debates é facultativa e que a exposição do espaço vazio e as perguntas ao candidato ausente poderiam produzir consequências eleitorais para quem optasse por não comparecer.

A ministra determinou, então, que não houvesse identificação do púlpito vazio nem perguntas dirigidas a Lula.

Enquanto não compareceu ao último debate promovido pela Globo antes da eleição, Lula participou, na mesma noite, de uma entrevista ao Flow Podcast.

STF determina entrada de Renan Santos

A Globo recebeu ainda outra determinação judicial poucas horas antes do programa. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos, candidato do Missão, no debate.

A participação de Renan já havia sido objeto de outras decisões judiciais. Na quarta-feira (30), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia rejeitado um pedido relacionado à presença do candidato. Nesta quinta-feira, a ministra Cármen Lúcia, do STF, também havia negado uma solicitação para garantir sua participação.

Horas depois, Gilmar Mendes determinou que Renan Santos fosse incluído no espaço aberto pela ausência de Lula, com condições de participação asseguradas aos demais candidatos e possibilidade de adaptação da dinâmica pela emissora.

Com isso, em questão de horas, a Globo precisaria modificar tanto regras previamente acertadas para a ausência de candidatos quanto a composição do próprio debate.

Globo reage e fala em “interferência indevida”

Ao anunciar o cancelamento, a Globo adotou um posicionamento crítico em relação às decisões tomadas nas horas que antecederam o programa.

A emissora ressaltou sua tradição na realização de debates eleitorais e afirmou que esses encontros têm como objetivo permitir que os eleitores conheçam e comparem as propostas apresentadas pelos candidatos.

“Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”, afirmou a Globo em comunicado lido pelo jornalista César Tralli ao fim do Jornal Nacional.

Diante das mudanças determinadas pelo TSE e pelo STF poucas horas antes da transmissão, a emissora decidiu cancelar o encontro.

O posicionamento colocou no centro da discussão não apenas a ausência dos candidatos, mas também os limites da atuação do Judiciário sobre regras previamente estabelecidas por veículos de comunicação para a realização de debates eleitorais.

Após decisão do TSE, Flávio Bolsonaro anuncia que não participaria do debate

Flávio Bolsonaro (PL), que até então havia confirmado presença, anunciou que não participaria do debate após a decisão do TSE envolvendo as regras para a ausência de Lula.

“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas”, declarou.

A classificação da decisão como “censura” foi feita pelo candidato. O entendimento apresentado pelo TSE foi de que a participação em debates é facultativa e que as regras questionadas poderiam gerar consequências ao candidato que decidisse não comparecer.

Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) já estavam nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, quando receberam a informação de que o debate não seria mais realizado.

O encontro estava previsto para começar às 21h30 e seria mediado pelo jornalista César Tralli. Seria o último debate presidencial antes do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo, dia 4 de outubro.

 

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