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Papo Empreendedor aborda “Além dos números: confiança, relacionamento e decisões financeiras”

Sexto encontro da sexta temporada especial reuniu Andressa Fabris, Marcos de Souza Ross e Lucas Filastro para falar sobre consumo, crédito, investimentos e organização financeira

Por Ligado no Sul24/09/2026 11h30
Fotos/Redação

Tomar decisões financeiras vai muito além de escolher onde investir ou qual produto financeiro contratar. A relação com o dinheiro começa nas escolhas do dia a dia, passa pela forma como cada pessoa lida com consumo, crédito e planejamento e pode ter reflexos na vida pessoal e profissional.

Esse foi o tema do sexto encontro da sexta temporada especial do Papo Empreendedor, que teve como tema “Além dos números: confiança, relacionamento e decisões financeiras”. Anna Cardoso é a apresentadora fixa dos oito programas da temporada e, em cada edição, recebe uma nova coapresentadora. Neste episódio, a convidada foi a jornalista e empresária Andressa Fabris, fundadora e diretora-geral da Alfa Comunicação e Conteúdo.

A conversa contou ainda com Marcos de Souza Ross, profissional com mais de 15 anos de atuação no cooperativismo de crédito, formado em Administração com ênfase em Marketing e com MBA em Gestão de Eventos, que atua na Acentra Cooperativa de Crédito na área de Relacionamento com o Cooperado. Também participou Lucas Filastro, profissional da área de Produtos e Negócios da Ailos Acentra, com atuação em captação de recursos e análise de cenários econômicos para investimentos.

A influência das redes sociais nas escolhas

Ao falar sobre comportamento financeiro, Marcos chamou atenção para a influência das redes sociais e da comparação com outras pessoas. Segundo ele, a exposição constante a diferentes padrões de consumo pode fazer com que as pessoas passem a tomar decisões com base na realidade de terceiros.

“As pessoas hoje, com essa questão da comunicação, da informação e das próprias redes sociais, têm sempre um espelho em que a grama do vizinho é mais verde que a nossa”, afirmou.

Para Marcos, essa comparação pode interferir na maneira como as pessoas enxergam prosperidade e felicidade. Influenciadores e conteúdos publicados nas redes acabam se tornando referências para escolhas de consumo e até para a forma como cada pessoa acredita que deveria viver.

Lucas também destacou que o primeiro passo para uma relação mais organizada com o dinheiro é diferenciar aquilo que é realmente necessário daquilo que representa apenas um desejo.

“O relacionamento com o dinheiro vem muito sobre o que a gente considera como uma necessidade e um desejo. Você não precisa ter aquilo. Você precisa ter uma casa, você precisa ter um saneamento básico, você precisa pagar suas contas, você precisa ter um lugar para dormir, para deitar, para descansar”, explicou.

Na avaliação de Lucas, muitas pessoas associam planejamento financeiro diretamente a investimentos, mas a organização precisa começar antes.

“A dinâmica do investimento começa antes de investir, realmente. Começa dentro de casa, começa separando as suas contas, entendendo de onde vem o seu dinheiro e para onde ele vai”, afirmou.

A partir dessa organização, segundo ele, é possível identificar quanto pode ser destinado para objetivos de médio e longo prazo.

O mesmo raciocínio vale para empréstimos. Antes de contratar crédito, é necessário avaliar não apenas o valor que será recebido, mas também quanto aquele dinheiro vai custar ao longo do tempo.

“Quanto que esse recurso vai me trazer no longo do tempo, ou quanto que ele vai me custar no longo do tempo”, explicou.

Lucas também chamou atenção para a importância de considerar o próprio tempo de trabalho nas decisões de consumo. A ideia é calcular quantas horas ou dias de trabalho são necessários para pagar determinado produto ou serviço.

“Valorizando a tua hora, tu valoriza o teu dinheiro”, resumiu.

Crédito pode ser ferramenta ou aumentar o endividamento

Durante a conversa, Lucas usou a compra de um veículo como exemplo para mostrar que o problema não está necessariamente na aquisição, mas na finalidade daquele bem.

“O comprar o carro em si não é o problema. A questão é o que você faz com o carro”, afirmou.

Segundo ele, um bem adquirido apenas para consumo representa uma despesa, enquanto um recurso utilizado para gerar renda pode assumir outra função dentro do planejamento financeiro.

“O principal risco é isso: você pegar um empréstimo para comprar algo que não vai te trazer renda, mas sim que vai te trazer um gasto”, explicou.

Por isso, antes de assumir uma dívida, a recomendação apresentada no programa foi avaliar a finalidade do crédito, os juros e o impacto das parcelas no orçamento.

Apostas e a busca por dinheiro rápido

A relação entre endividamento e apostas também foi discutida no programa. Na abertura do episódio, Anna apresentou um levantamento da Serasa segundo o qual, entre as pessoas inadimplentes que já haviam apostado, 44% disseram ter feito isso na tentativa de conseguir dinheiro para pagar uma dívida.

Para Lucas, apostar não pode ser tratado como estratégia para reorganizar a vida financeira.

“Bets, aposta não é um caminho. Não é um caminho, uma solução onde você vai conseguir quitar suas contas. Muito pelo contrário, é um caminho onde você vai conseguir se endividar ainda mais”, afirmou.

Marcos explicou que, no relacionamento com os cooperados, os impactos das apostas podem aparecer quando a própria pessoa procura ajuda. O problema, segundo ele, nem sempre é percebido de imediato, principalmente porque quem enfrenta dificuldades financeiras pode ter vergonha de falar sobre a situação.

“A gente consegue identificar, mas é difícil, porque o cooperado precisa falar, precisa se expressar. Quando está endividado, muitas vezes ele tem vergonha, medo e acaba não falando”, disse.

Ele também relatou que o problema pode ultrapassar a vida financeira e atingir a rotina profissional.

“Quando a pessoa está endividada, perde o foco, não dorme direito e leva essa preocupação para o trabalho. Isso acaba impactando o desempenho profissional e, por consequência, a empresa”, afirmou.

Para quem já está endividado, Lucas defendeu que a primeira medida é conhecer exatamente a situação financeira antes de buscar uma nova solução.

“O primeiro passo é organizar as suas dívidas, ver o que é cada dívida, qual o valor, quais são os juros”, orientou.

Depois dessa organização, a orientação é procurar as instituições credoras para tentar renegociar as condições. A troca de uma dívida por outra também pode ser considerada, desde que exista redução efetiva dos juros e que a nova operação faça sentido dentro do orçamento.

A conversa também reforçou a importância de não tentar resolver uma dívida com outra sem analisar o custo total da operação.

Separar as finanças pessoais das empresariais

Para quem possui uma empresa, outro ponto destacado no programa foi a necessidade de separar o dinheiro da pessoa física daquele que pertence ao negócio.

“A gente tem que separar o que é a pessoa jurídica da pessoa física. Ter um plano definido para a sua PJ e um plano definido para a sua pessoa física”, afirmou Lucas.

Essa divisão permite acompanhar com mais clareza quanto a empresa recebe, quanto gasta e quanto pode retirar o proprietário, evitando que despesas pessoais sejam confundidas com os custos do negócio.

Ao longo do programa, os convidados reforçaram que decisões financeiras não começam no aplicativo do banco ou na escolha de um investimento. Elas passam primeiro pelo conhecimento da própria realidade, pela organização do orçamento, pela avaliação dos desejos de consumo e pela definição de objetivos.

A proposta do episódio foi justamente discutir essa relação com o dinheiro para além dos números, mostrando como confiança, informação e planejamento também fazem parte das decisões financeiras.

Confira o episódio completo

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