Casos de hanseníase aumentam 155% em SC no primeiro semestre de 2026
Estado registrou 125 novos casos nos primeiros seis meses do ano; médica infectologista explica que avanço também pode estar relacionado à maior capacidade de diagnóstico
Santa Catarina registrou 125 novos casos de hanseníase no primeiro semestre de 2026, contra 49 no mesmo período do ano passado. O aumento de 155% chama a atenção para a doença no Estado, mas, segundo a médica infectologista Regina Valim, gerente de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), HIV/AIDS e Doenças Infecciosas Crônicas (GEDIC), da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE), os números precisam ser analisados também sob a perspectiva da capacidade de diagnóstico.
De acordo com a médica, o crescimento dos registros foi observado principalmente em municípios como Caçador, Lebon Régis e Itapoá. Ao todo, 46 municípios catarinenses registraram novos casos no período, com concentração principalmente nas regiões do Alto Vale do Rio do Peixe e do Nordeste.
Regina destaca que o aumento da identificação da doença pode ser resultado da preparação dos profissionais de saúde para reconhecer os sinais. “Então provavelmente a gente pode até ter um aumento do número de casos, mas o que a gente tem observado é justamente isso, é um aumento da sensibilidade para o diagnóstico da hanseníase”, afirma.
A prevenção também passa pelo acompanhamento das pessoas que convivem com alguém diagnosticado com hanseníase. A partir de cada novo caso, os serviços de saúde realizam a avaliação dos contatos, principalmente daqueles que vivem na mesma residência ou mantêm convivência social mais próxima.
“A partir de cada diagnóstico se faz a avaliação dos contatos e a gente já tem inclusive exames, exames laboratoriais para avaliação desses contatos”, explica Regina.
Segundo a médica, esse acompanhamento permite identificar a doença precocemente e iniciar o tratamento o quanto antes.
Dos 125 novos casos registrados em Santa Catarina nos primeiros seis meses de 2026, a maioria foi identificada em mulheres. Cerca de 14% dos diagnósticos já apresentavam lesões consideradas graves, reforçando a importância de procurar atendimento diante de alterações suspeitas na pele ou de sintomas como dormência, formigamento e perda de sensibilidade.
O que é a hanseníase?
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada por uma bactéria que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Um dos principais sinais são manchas na pele com alteração ou perda de sensibilidade, especialmente para dor e contato.
A doença também pode se manifestar de outras formas. Segundo Regina, existe uma forma chamada hanseníase neurológica pura, que pode provocar dormência, formigamento e perda de sensibilidade em membros, sintomas que podem ser confundidos com outras doenças.
Por isso, a identificação precoce é importante. Quando não diagnosticada e tratada adequadamente, a doença pode provocar lesões nos nervos e levar a incapacidades físicas.



