Projeto “Unidas por Elas” oferece apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade em Orleans
Iniciativa da Primeira Igreja Batista busca orientar, fortalecer vínculos e encaminhar mulheres que enfrentam violência e outras situações de vulnerabilidade familiar
Um novo projeto criado em Orleans busca ampliar a rede de apoio para mulheres que enfrentam situações de vulnerabilidade familiar, violência doméstica e outras dificuldades. O “Unidas por Elas”, desenvolvido pela Primeira Igreja Batista de Orleans (PIB), oferece acolhimento, informação, fortalecimento de vínculos e orientação para mulheres que precisam de ajuda.
O projeto é coordenado por integrantes da igreja e tem entre as responsáveis Neia Sotero Possenti, membro e pastora auxiliar da diretoria da PIB. Em entrevista ao Jornal da Guarujá, ela explica que a iniciativa nasceu a partir de uma necessidade percebida dentro da própria igreja.
“A ideia surgiu quando foi percebido que chegava ali na igreja muito atendimento na sala pastoral com esse tipo de situação. Não foi um nem dois casos. Foram vários casos de mulheres que chegavam ali na igreja com esse tipo de problema”, conta.
Segundo Neia, a percepção foi de que havia uma demanda que precisava de uma resposta organizada. A proposta, de acordo com ela, é pioneira por ter surgido dentro de uma igreja e busca atender mulheres independentemente de religião.
A iniciativa foi estruturada depois de um período de preparação e capacitação das integrantes. Segundo Neia, a equipe recebeu treinamento com Regina Célia, uma das cofundadoras do Instituto Maria da Penha, além de capacitações com profissionais da área de Psicologia do Unibave.
A partir desse trabalho, o projeto passou a atuar em três frentes principais: informação, orientação e fortalecimento de vínculos.
Uma das propostas é levar palestras e ações de conscientização para bairros, escolas e outros espaços onde o grupo seja convidado. A intenção é fazer com que mais mulheres conheçam seus direitos e consigam identificar situações de violência.
Segundo Neia, o projeto atua principalmente em duas frentes: levar informação sobre violência e direitos das mulheres para diferentes espaços, como bairros e escolas, e criar oportunidades para que elas estabeleçam vínculos e encontrem apoio umas nas outras.
Para isso, o Unidas por Elas promove uma caminhada às terças-feiras, com saída do Centro de Orleans, além de atividades de zumba no salão da igreja. As ações foram pensadas para ir além da prática de atividade física e criar momentos de convivência, permitindo que as participantes conheçam outras mulheres, compartilhem experiências e percebam que não estão sozinhas diante das dificuldades.
“Ela não precisa passar por isso sozinha”
Neia explica que o isolamento é uma das dificuldades enfrentadas por muitas mulheres que vivem situações de violência. Segundo ela, é comum que a vítima tenha medo, vergonha ou acredite que ninguém dará importância ao que está acontecendo.
“A mulher, quando está passando por um momento difícil como este, na maioria das vezes acha que é só ela que passa por aquele tipo de situação. Ela pensa que ninguém vai se importar com o caso dela, que é só mais um”, afirma.
Por isso, uma das primeiras funções do projeto é justamente criar um espaço em que essa mulher possa conversar e compreender que existe uma rede de apoio.
“Quando a gente consegue se aproximar da mulher e fazer ela entender, perceber que ela não está sozinha, que ela não precisa passar por isso sozinha, já é um bom caminho andado”, destaca.
Além do acolhimento, o projeto pretende ajudar a mulher a compreender quais são seus direitos e quais caminhos pode seguir para buscar proteção.
A atuação do projeto não substitui o trabalho das forças de segurança, da Justiça ou dos serviços públicos. A proposta é servir como uma porta de entrada para mulheres que, muitas vezes, ainda não se sentem preparadas para procurar esses órgãos.
Neia observa que uma mulher em situação de vulnerabilidade pode procurar diferentes lugares antes de chegar a uma delegacia ou a um hospital, entre eles igrejas e estabelecimentos próximos de sua rotina.
“Antes de uma mulher chegar em uma delegacia para fazer uma denúncia, antes de ela chegar a um hospital, primeiro ela acaba passando pela igreja. Depois, ela acaba passando numa farmácia. Então são os primeiros lugares que uma mulher, numa situação de vulnerabilidade, acaba passando”, relata.
Nesse primeiro contato, o objetivo é ouvir, orientar e, quando necessário, acompanhar a mulher na busca pelos serviços especializados.
Projeto é aberto a todas as mulheres
Embora tenha surgido dentro da Primeira Igreja Batista, o Unidas por Elas não é restrito às mulheres que frequentam a igreja.
Neia reforça que a iniciativa foi criada para atender mulheres de Orleans independentemente de religião, raça ou condição social.
“O princípio é independente de cor, independente de raça, independente de credo. É um projeto que foi pensado para todas, todas as mulheres”, afirma.
A proposta também busca mostrar que procurar ajuda não significa necessariamente denunciar imediatamente. O primeiro passo pode ser conversar, entender a situação e conhecer as possibilidades existentes.
Atendimento já está disponível em Orleans
As mulheres que precisam de orientação ou desejam conhecer o projeto Unidas por Elas já podem procurar a equipe da Primeira Igreja Batista de Orleans. Atualmente, os atendimentos são realizados em espaços da própria igreja, enquanto a estrutura passa por reformas.
O contato também pode ser feito pelo WhatsApp (48) 99838-3738 ou pelo Instagram @unidasporelasorleans.
A iniciativa busca, a partir do acolhimento e da informação, aproximar mulheres de uma rede de apoio e ajudá-las a encontrar caminhos para sair de situações de violência e vulnerabilidade.
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