“Farmar Aura: Quando a aparência enterra o conteúdo”. Por Ana Dalsasso
A cada época surgem comportamentos que se transformam em moda entre os jovens. Alguns são inofensivos, outros até estimulam a criatividade. No entanto, há tendências que merecem reflexão. Uma delas é o chamado “farmar aura”, expressão usada para descrever atitudes, poses, caretas, gestos e encenações feitas com o objetivo de parecer interessante, misterioso ou admirável diante de uma plateia, principalmente nas redes sociais.
Na minha visão, esse fenômeno é um sintoma da decadência de valores que atinge parte das novas gerações. É uma das modas mais pobres e vazias dos últimos tempos, pois incentiva a substituição da essência pela aparência, do conteúdo pela performance e da autenticidade pela necessidade de aprovação.
Causa tristeza observar tantos jovens dedicando tempo e energia para produzir vídeos repletos de mímicas, expressões corporais exageradas e gestos sem qualquer significado, apenas para conquistar curtidas e comentários. Quando o objetivo da vida passa a ser impressionar desconhecidos na internet, perde-se de vista aquilo que realmente constrói uma pessoa: o conhecimento, a cultura, a responsabilidade e o desenvolvimento intelectual.
Enquanto muitos se preocupam em “farmar aura”, deixam de cultivar algo muito mais valioso: o hábito da leitura, o prazer pelo estudo, a capacidade de questionar, refletir e formar opiniões próprias. Vivemos uma época em que a informação nunca esteve tão disponível, mas, paradoxalmente, cresce a superficialidade. Há quem conheça todas as tendências das redes sociais, mas desconheça a própria história, a literatura, a ciência e os acontecimentos que moldam o mundo.
É claro que essa crítica não se dirige a todos os jovens. Felizmente, existe uma parcela significativa que estuda, trabalha, lê, empreende e busca construir um futuro sólido. O problema está justamente na força que determinados modismos exercem, transformando comportamentos superficiais em modelos de sucesso e reconhecimento.
Nenhuma sociedade se fortalece apoiada em tendências passageiras ou na necessidade permanente de impressionar uma plateia. Povos verdadeiramente desenvolvidos investem em educação, pensamento crítico, ética, disciplina e compromisso com o bem comum. São esses valores que produzem cidadãos capazes de transformar a realidade.
A busca incessante por aprovação nas redes sociais revela uma preocupante inversão de valores e convida à reflexão sobre o papel da educação, da cultura e do pensamento crítico. Elas podem ser excelentes ferramentas de comunicação e aprendizado, desde que sejam usadas com equilíbrio e propósito. O risco surge quando passam a definir o valor das pessoas pela quantidade de visualizações ou seguidores, e não pela qualidade de suas ideias e de suas ações.
No fim, toda moda passa. O que permanece é o legado construído ao longo da vida. O caráter, o conhecimento, a integridade, a honestidade e a cultura continuam sendo os verdadeiros pilares de uma geração que deseja deixar marcas positivas na sociedade. A aura que realmente merece ser cultivada não é aquela criada para as câmeras, mas a que nasce do respeito, da inteligência, do trabalho e dos valores que nenhum algoritmo é capaz de produzir.
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