Assoreamento ameaça canal da Barra do Camacho e Jaguaruna busca nova dragagem
Prefeitura de Jaguaruna busca nova dragagem e afirma que estrutura é responsável pelo escoamento de águas de municípios da região; última intervenção ocorreu em 2022
O assoreamento e a possibilidade de fechamento do canal da Barra do Camacho, em Jaguaruna, voltaram a preocupar autoridades e representantes da região. O tema foi discutido em uma reunião realizada na Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, com a participação de lideranças políticas e empresariais, que apresentaram argumentos sobre a necessidade de uma nova dragagem no local.
A última dragagem do canal foi realizada em 2022, com investimento de R$ 10 milhões do Governo do Estado. Na ocasião, foram retirados mais de 150 mil metros cúbicos de material.
Ao Jornal da Guarujá, o prefeito de Jaguaruna, Laerte Silva dos Santos informou que o assoreamento voltou a avançar e, apesar de ainda existir uma abertura que permite o fluxo de água, o canal não apresenta atualmente a vazão considerada necessária para garantir maior segurança em períodos de chuvas intensas.
“Já faz quatro anos que a gente fez um trabalho ali e conseguimos ter um bom resultado, onde foi tirado mais de 150 mil metros cúbicos de material. Através de um direcionamento, também fizemos o enrocamento e, com o mar de leste ou vento nordeste, acaba acontecendo esse fenômeno que é o assoreamento”, explicou o prefeito.
De acordo com Laerte, o município trabalha na busca por uma nova intervenção no local, mas enfrenta entraves relacionados principalmente ao licenciamento ambiental. A Prefeitura está há mais de dois anos e sete meses tentando viabilizar a licença para realizar o serviço.
“Hoje a maior dificuldade que a gente tem fica na boca da lagoa, onde temos uma parte muito assoreada. Ainda existe uma abertura, que está conseguindo manter um fluxo de água, mas não dá aquela vitalidade e aquela abertura que são necessárias para, caso venham fortes chuvas, termos mais segurança”, afirmou.
Município busca licença para realizar o serviço
A Prefeitura de Jaguaruna pretende obter autorização para realizar o trabalho de forma contínua, com a possibilidade de utilizar uma draga de pequeno porte operada pelo próprio município.
Segundo o prefeito, os estudos ambientais estão em fase de conclusão e parte da documentação já foi encaminhada ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). O órgão teria feito uma devolutiva com solicitações de ajustes em alguns pontos do processo.
“Estamos quase finalizando. Tivemos uma conversa com o Estado para viabilizar algum tipo de recurso para fazer um processo estadual de desassoreamento, entre 30 mil e 70 mil metros cúbicos. Estamos trabalhando com duas possibilidades, se não conseguirmos com o Estado, o intuito é que, depois da licença, tenhamos nosso equipamento para fazer o trabalho”, explicou Laerte.
O prefeito também afirmou que o município já investiu cerca de R$ 325 mil na tentativa de viabilizar a licença ambiental.
“Quando você vai conseguir viabilizar uma licença de um órgão público para outro órgão público, as coisas têm que ser muito mais fáceis, muito mais práticas e mais rápidas. O órgão público não tem benefício, não vai tirar retorno, não vai vender, não vai comercializar. Vai fazer um trabalho para beneficiar uma comunidade e regiões. Parece que a gente joga contra a gente mesmo, e isso nos deixa um pouco frustrados”, declarou.
Canal é importante para a pesca e para o escoamento das águas
Além da preocupação com o período de chuvas, a manutenção do canal é considerada fundamental para a atividade pesqueira. Conforme o prefeito, a profundidade precisa ser mantida entre três e três metros e meio para permitir a entrada de espécies e garantir a atividade dos pescadores da região.
“Ali tem um fator importantíssimo, que é através do pescado. O pescador precisa que o canal esteja pelo menos com um calado de três a três metros e meio de fundura para que entrem a manjuba, a tainha, o camarão e para que os pescadores daquela região, não só do município de Jaguaruna, mas também de Laguna, consigam sobreviver com a pesca”, afirmou.
Laerte também destacou a importância do canal para o escoamento das águas de municípios da região como Sangão, Treze de Maio, Jaguaruna e Tubarão.
“Quando se trata de um trabalho para manter um canal que escoa 90% das águas do município de Sangão, 30% das águas de Treze de Maio, 100% das águas do município de Jaguaruna e 10% das águas do município de Tubarão, a gente tem que pensar de outra forma. Não é apenas um processo que está sendo licenciado. Se não estiver aberto, isso pode causar um desastre lá na frente”, alertou.
Apesar dos entraves burocráticos e ambientais, o prefeito afirma que a execução do serviço não deve ser demorada após a obtenção das licenças e a mobilização dos equipamentos.
“Hoje uma draga pequena faz um trabalho de 120 metros cúbicos por hora. É um equipamento que faz uma demanda muito boa. É um lugar fácil de trabalhar e um material fácil de retirar. O difícil é a parte de licenciamento e de movimentação para trazer os equipamentos”, explicou.
Durante a entrevista, o prefeito também comentou sobre as ações para a próxima temporada de verão. Entre os projetos está a pavimentação asfáltica de um trecho que fará a ligação entre os balneários Campo Bom e Arroio Corrente.
Conforme Laerte, foi viabilizado um convênio para a primeira etapa da obra, que prevê aproximadamente seis quilômetros de pavimentação, ligando a região do Chuveirão aos acessos dos balneários.
“A gente vem trabalhando forte e se esforçando para evoluir, principalmente na região litorânea. Conseguimos viabilizar um convênio para fazer a pavimentação asfáltica ligando os dois balneários, Campo Bom e Arroio Corrente. A primeira etapa terá seis quilômetros, para trazer melhorias e fazer com que as pessoas possam desfrutar das belezas que temos ali e também trazer os investimentos necessários”, afirmou.
Confira entrevista completa

