Topázio Neto oficializa saída do PSD e reafirma apoio a Jorginho Mello
Em entrevista, prefeito de Florianópolis diz que não há “projeto estruturado” no PSD
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, confirmou que deixou o PSD após divergências internas sobre o rumo político do partido em Santa Catarina. A decisão ocorre em meio ao debate sobre a candidatura ao governo do Estado e ao posicionamento da legenda nas próximas eleições.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o prefeito foi direto ao confirmar a desfiliação: “Ontem eu fiz a minha carta pedindo a saída do PSD”. Segundo ele, o movimento é resultado de um processo que se intensificou nos últimos meses. “Tenho grandes amigos no PSD, mas o momento agora é de sair do PSD e deixar o PSD livre para o seu projeto”, afirmou.
Topázio relembrou que ingressou na sigla durante o último ciclo eleitoral estadual, após deixar o Republicanos, mas indicou que passou a discordar da condução política adotada pelo partido. Ele disse que vinha defendendo internamente uma estratégia diferente para Santa Catarina, baseada na continuidade do atual governo.
“Eu venho defendendo há muito tempo um projeto para Santa Catarina para que a gente possa dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito”, declarou. Nesse sentido, afirmou que chegou a propor que o PSD apoiasse a reeleição do governador Jorginho Mello, em aliança com o PL.
“Eu havia expressado essa minha vontade ao meu partido PSD, de trabalhar para que o PSD estivesse junto do PL nessa eleição”, disse. Segundo ele, essa estratégia permitiria ao partido se fortalecer politicamente no futuro: “Na próxima eleição, o PSD estará muito mais forte, inclusive, para pleitear a vaga de governo do Estado”.
A divergência se aprofundou com a possibilidade de candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Sem citar diretamente o nome do correligionário em tom crítico, Topázio questionou a falta de clareza no projeto político apresentado.
“Qual é a visão de futuro para o Estado?”, indagou. Em outro momento, reforçou a crítica: “Não adianta simplesmente falar sem mostrar como fazer. A população não quer mais isso”.
Sobre uma frase que circulou nos bastidores de que não faria sentido apoiar um projeto sem sustentabilidade , o prefeito negou ter dito publicamente, mas endossou o conteúdo: “Não, eu não falei, mas falaria”.
Ele também afirmou que não pretende se envolver em disputas internas ou pessoais dentro do partido. “Eu não vou ficar no meio de uma confusão dessa”, disse, ao comentar o ambiente político recente da sigla.
Topázio reforçou que mantém alinhamento com o governador Jorginho Mello e confirmou que seguirá apoiando sua reeleição. “Venho confirmando isso há dois, três anos”, afirmou. Ele acrescentou que continuará ao lado do governador sempre que houver interesse do governo estadual.
Ao falar sobre o momento atual, o prefeito evitou demonstrar mágoa e destacou o foco na administração municipal. “Fui eleito prefeito para ficar quatro anos”, declarou. “Vou ficar os quatro anos trabalhando por Florianópolis”.
Sobre o futuro partidário, Topázio afirmou que recebeu convites de diferentes legendas, mas que não pretende tomar uma decisão imediata. “Vou dar um tempo até que as coisas se acalmem um pouco mais”, disse. Ele também destacou que o cenário eleitoral ainda está em definição: “Até o dia 4 de abril muita gente vai confirmar a candidatura, muita gente vai desistir”, avaliou, acrescentando que a partir desse período será possível ter um quadro mais claro das próximas eleições antes de definir seu destino político.
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