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Construindo marcas pessoais fortes: da política ao mundo corporativo

Por Ligado no Sul19/03/2026 11h30
Fotos/Redação

O que faz uma marca pessoal ser forte de verdade? Não é só visibilidade. Nem apenas discurso bem ensaiado. Em muitos casos, ela nasce de um cruzamento menos óbvio: método, dor e narrativa.

Foi a partir dessa combinação que o programa Papo Empreendedor reuniu trajetórias que atravessam a política, o mundo corporativo e a literatura: três universos distintos, mas conectados por uma mesma pergunta: como transformar experiência em identidade?

Antes da mensagem, o método

Para Alexandre Costa, CEO da Berimbau Comunicação, formado em Publicidade e Propaganda e com mais de 30 anos de experiência em marketing eleitoral, atuando em campanhas em diferentes estados do país, a resposta começa com algo menos intuitivo: pesquisa.

“A sala de aula é uma pesquisa diária”, afirma. “Eu ia para ensinar e, pelo contrário, a gente aprende muito com os alunos.”

Antes de se consolidar no marketing eleitoral, Costa passou mais de uma década lecionando. Foi ali que desenvolveu uma das bases do seu método: observar comportamento em diferentes fases, perfis e contextos. “Na pesquisa tu consegue entender o que as pessoas estão pensando, como é que elas vão agir”, explica.

Essa lógica é o que, segundo ele, separa campanhas comuns de campanhas vencedoras. Não basta presença  é preciso coerência estratégica em todos os canais. “Ela tem que passar pelo marketing 360. Tem que estar na TV, no rádio, na internet.”

E, ao contrário do que se anuncia há anos, os meios tradicionais seguem relevantes. “O rádio hoje é uma potência gigante”, diz, destacando o papel da credibilidade em tempos de excesso de informação.

Em um ambiente onde “existem fábricas de fake news”, como ele define, a confiança no canal se torna parte essencial da mensagem. “Tem pessoas ganhando dinheiro denegrindo imagens de pessoas de boa índole.”

Mas estratégia, para ele, não se constrói à distância. Exige imersão. “Eu contrato profissionais de lá”, explica. “Eu não faço campanha com a minha mente. Eu faço com o que a população está pensando.”

Isso significa traduzir diferenças culturais em comunicação. “Se eu faço uma pesquisa em Santa Catarina, eu divido em micro-regiões. Porque falar com o manezinho da ilha não tem nada a ver com falar com o sul do estado.”

A obsessão por dados não fica restrita ao discurso. Costa cita experiências fora da política para ilustrar o método. Ao trabalhar na implantação de supermercados em diferentes cidades, a pesquisa chegava a prever o comportamento do consumidor. “A gente já sabia quantas pessoas iam entrar com cestinha, quantas iam pegar carrinho, quem comprava para a família, quem comprava pouco.”

O impacto era direto no resultado. “Uma linha de supermercado leva, em média, cinco anos para se consolidar. Quando tu faz pesquisa, tu encurta esse caminho.”

“Bom marqueteiro é o que tem muito dado”, resume.

Quando sobreviver vira estratégia

Se na política a construção de imagem passa por método, no mundo empresarial ela pode nascer da necessidade mais básica: sobreviver.

A história de Diego Netto, empreendedor formado em Gestão Comercial e Administração pela Unesc, ex-gerente premiado nacionalmente na Oi e fundador da Vox Tecnologia, começa longe de qualquer planejamento estruturado.

Aos 17 anos, ele deixou o Brasil com um objetivo comum de “conquistar o mundo” e encontrou um cenário bem diferente.

“Quando você chega lá, você vê que as coisas não funcionam dessa forma”, conta.

Foram quase nove anos entre Portugal e Espanha, com trabalhos braçais, instabilidade e solidão. Em um dos momentos mais críticos, ficou sem salário após um golpe do empregador e acabou na rua.

“Você imagina chegar no começo do mês e não ter o teu salário para pagar o aluguel e sobreviver.”

Ele passou cinco dias nessa condição. Não contou à família. Não pediu ajuda. “Eu resolvi estar aqui, eu vou até o fim.”

A experiência, que poderia ser apenas traumática, foi reinterpretada como ponto de virada. “Eu peguei isso e transformei em vitória, transformei em força.”

Ao retornar ao Brasil, em 2009, iniciou a trajetória no setor de telecomunicações praticamente do zero. “Eu cheguei totalmente sem saber o que ia fazer”, admite.

Ainda assim, rapidamente se destacou. Um dos maiores desafios veio ao assumir uma operação desestruturada no interior de Santa Catarina. “Quando eu cheguei, tinha um funcionário só.”

A reestruturação transformou o cenário: a equipe chegou a cerca de 30 pessoas e se tornou a maior operação do país em vendas corporativas.

Para ele, o diferencial não está em fórmulas complexas. “O primeiro passo é você entender o seu produto ou serviço. O segundo é entender o seu mercado. O terceiro é persistência.”

Na liderança, a lógica é outra: pessoas não são iguais e não performam da mesma forma. “Os dedos da mão não são iguais e você tem que saber lidar com cada um deles.”

Mais do que comandar, ele defende proximidade. “Eu trouxe a equipe para mim. A gente construiu estratégia junto.”

Reescrever é possível

Se Costa fala de método e Netto de resiliência, Ana Lavratti traz um terceiro elemento essencial: narrativa.

Jornalista com mais de 35 anos de atuação em rádio, TV, jornais e portais, escritora, palestrante e autora de 14 livros, ela se dedica a transformar histórias reais em projetos literários — especialmente de mulheres.

Duas de suas obras, “Você Mulher Ainda Melhor” e “Você, Heroína da sua História”, reúnem mais de 60 biografias. Cada uma ocupa o mesmo espaço,  cerca de 10 páginas  em uma escolha deliberada: evitar hierarquias entre trajetórias.

“Eu não quero histórias parecidas”, afirma. “Quero a casada, a solteira, a órfã, a viúva.”

O processo é lento e artesanal. Pode levar mais de um ano para ser concluído. E vai além da escrita.

O lançamento de uma das obras reuniu cerca de 500 pessoas em um evento que exigiu horas de programação para dar voz às participantes. “Colocar 30 mulheres no palco foi um quebra-cabeça”, conta.

O esforço teve repercussão inesperada: o projeto foi citado em uma publicação internacional ligada à Organização das Nações Unidas, entre iniciativas de destaque no Brasil.

Entre as histórias reunidas, algumas desafiam qualquer previsibilidade, não apenas pelo que aconteceu, mas pelo que foi reinventado depois.

Como a de Diles. Vinda de uma família numerosa, com nove irmãs, ela encontrou no convento uma das únicas possibilidades de acesso à educação. A escolha, inicialmente prática, acabou se tornando um caminho de vida: foram 20 anos como freira.

Mas a trajetória não terminou ali. Com o tempo, já formada e vivendo outra fase, Diles se apaixonou por um padre  que também deixou a vida religiosa. Os dois decidiram recomeçar juntos. Construíram uma família, tiveram filhos, netos, e seguiram uma vida completamente diferente daquela que parecia traçada no início.

Décadas depois, já aos 84 anos, ela voltou a se reinventar mais uma vez: desfilou no carnaval de Florianópolis. “Imagina a energia”, comenta Ana.

A história, por si só, desmonta a ideia de destino fixo. Mostra que identidade não é linha reta é processo.

Se Diles representa a reinvenção ao longo do tempo, a trajetória de Mikiko expande ainda mais os limites do que se entende por resiliência.

Nascida em Nagasaki poucos anos após a explosão da bomba atômica, ela cresceu em um ambiente marcado por escassez extrema. “A gente só sobreviveu porque aprendeu a comer capim”, relatou.

Além das dificuldades econômicas e sociais do pós-guerra, havia também desafios físicos: até os três anos, ela não conseguia sequer ficar em pé.

Na adolescência, veio a mudança para o Brasil, mais um recomeço, em um país desconhecido.

Foi a partir dessas experiências que Mikiko construiu um novo caminho. Buscando alternativas, mergulhou na medicina oriental e desenvolveu sua própria metodologia terapêutica. O resultado foi a criação de um negócio que se expandiu, com serviços de bem-estar presentes em espaços como aeroportos e shoppings.

Por trás do crescimento, no entanto, havia uma rotina intensa. “Muitas vezes dormíamos três horas por noite”, relembra Ana.

Hoje, em outra fase da vida, Mikiko colhe os resultados de uma trajetória marcada por reconstrução constante entre o Japão e o Brasil, entre a escassez e a expansão.

Mas talvez a reflexão mais provocadora da autora esteja na forma como enxerga identidade.

“O que vem depois de ‘eu sou’ determina o nosso destino”, afirma. “As nossas crenças são autorrealizáveis.”

Ao reunir dezenas de histórias, ela reforça uma ideia simples  e, ao mesmo tempo, radical: nenhuma trajetória é menor do que outra.

“A tua história tem o mesmo valor que todas essas.”

Conheça um pouco mais de cada convidado

Ana Lavratti

  •  Livro que mudou sua vida? Poliana
  • Um sonho ainda não realizado? Academia Brasileira de Letras
  • Maior conquista que te enche de orgulho? Minha filha
  • Medo que te impulsiona a melhorar? De ficar doente
  • Uma decisão que você repensaria? Se eu tivesse aceitado trabalhar na RBS ao invés da Band, qual seria a minha trajetória?
  • Qual hábito diário mais impacta positivamente sua vida? Acordar e tomar um café gourmet
  • Qual conselho você daria ao seu eu mais jovem? Ser a minha maior fã
  • Música pop ou rock que te dá energia? Michel Jackson e Bruno Mars
  • Causa ou valor pelo qual você luta? Que mais mulheres estejam no associativismo
  • Onde você se vê daqui a 5 anos? Na lista de best seller

Alexandre Costa

  • Livro que mudou sua vida? A Bíblia
  • Um sonho ainda não realizado? Conseguir evangelizar pessoas que ainda não consegui
  • Maior conquista que te enche de orgulho? Quando conheci Cristo
  • Uma decisão que você repensaria? A de não ter conhecido Cristo antes
  • Qual hábito diário mais impacta positivamente sua vida? Oração
  • Qual conselho você daria ao seu eu mais jovem? Ter me envolvido com o evangelho há mais tempo
  • Qual marca você quer deixar para o mundo? Cristo
  • Música pop ou rock que te dá energia? Titãs
  • Onde você se vê daqui a 5 anos? Eu me vejo evangelizando muitas pessoas

Diego Netto

  • Livro que mudou sua vida? A Bíblia e a Arte da Guerra
  • Um sonho ainda não realizado? Levar a Vox para fora do Brasil
  • Maior conquista que te enche de orgulho? Minha família
  • O que a Vox faz, em uma frase? Leva tecnologia e muda a vida das pessoas
  • Qual hábito diário mais impacta positivamente sua vida? A conexão com Deus
  • Qual conselho você daria ao seu eu mais jovem? Não desista nunca
  • Música pop ou rock que te dá energia? Capital Inicial
  • Qualidade que você busca nos outros? O amor ao próximo
  • Algo que você evita ou prefere manter distância? A má energia
  • Onde você se vê daqui a 5 anos? Com a Vox fora do Brasil

Confira o programa completo

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