Prefeitura de Criciúma propõe auxílio de até R$ 300 para incentivar saída do Bolsa Família
Projeto Promove, enviado à Câmara, prevê benefício temporário para famílias que ingressarem no emprego formal e foi detalhado em entrevista pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Thiago Fabris
A Prefeitura de Criciúma encaminhou à Câmara de Vereadores um projeto de lei que prevê o pagamento de um auxílio mensal de até R$ 300 para beneficiários do Bolsa Família que ingressem no mercado de trabalho formal e deixem de receber o programa federal. A proposta, de autoria do Executivo, cria um subsídio temporário com o objetivo de incentivar o aumento da renda familiar e a formalização do emprego.
O projeto institui o Promove – Programa Municipal de Renda e Oportunidade para a Ocupação e Valorização do Emprego. Pela proposta, famílias que ingressarem em empregos com carteira assinada e concluírem a transição do Bolsa Família passarão a receber o auxílio municipal por até seis meses.
Em entrevista ao Jornal da Guarujá, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Criciúma, Thiago Fabris, explicou que a iniciativa surgiu a partir da análise do cenário do mercado de trabalho no município.
“Nós temos um setor específico, que é a Central de Empregos, e o que a gente percebe é que hoje tem mais vagas ofertadas pelas empresas do que pessoas procurando emprego”, afirmou.
Segundo o secretário, muitas pessoas optam por permanecer na informalidade para não perder o benefício federal.
“O que a gente acabou percebendo é que várias pessoas que procuram emprego acabam trabalhando de forma informal justamente para não perder o auxílio do Bolsa Família”, disse.
Dados apresentados pelo secretário apontam que, em dezembro de 2025, a região da Amrec registrava 10.640 famílias vinculadas ao Bolsa Família. Em Criciúma, esse número chega a cerca de 4.590 famílias, com benefício médio entre R$ 690 e R$ 695.
Fabris detalhou como funciona a transição entre o benefício federal e o auxílio municipal.
“Hoje, quando a família arruma um emprego formal, ela garante durante 12 meses 50% do valor do Bolsa Família. Depois que termina esse período, entra o Promove, que é o programa do município, repassando R$ 300 por mais seis meses”, explicou.
A proposta prevê atendimento inicial de mil famílias por semestre, totalizando duas mil famílias ao longo de um ano, desde que os beneficiários permaneçam empregados e participem de processos de qualificação profissional.
“O grande objetivo do projeto é reduzir essa situação de dependência do Bolsa Família e incentivar a inserção e a permanência dessas pessoas no mercado de trabalho formal”, destacou o secretário.
Além do Promove, o Executivo também encaminhou à Câmara outro projeto voltado a pessoas em situação de vulnerabilidade social, incluindo aquelas que não recebem o Bolsa Família.
“A gente quer dar oportunidade para essas pessoas trabalharem, resgatar a dignidade através do trabalho e, ao mesmo tempo, se qualificarem para depois ingressarem no mercado de trabalho”, afirmou.
O projeto foi protocolado na Câmara de Vereadores na última sexta-feira e já está em tramitação nas comissões permanentes.
“O Promove é um projeto inédito no Brasil. Ele foi muito estudado, envolveu várias secretarias e agora a gente espera que os vereadores aprovem para que possamos colocar ele em prática”, concluiu Fabris.
Confira entrevista completa
